Ouro cai 1% de olho na inflação dos EUA; prata tomba 5%
O contrato mais líquido do ouro fechou em queda de 1% nesta quinta-feira, enquanto a prata despencou 5%, reagindo à alta de 0,5% no índice de preços ao produtor (PPI) de agosto nos Estados Unidos.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para dezembro encerrou em queda de 1,20%, a US$ 4.407,3 por onça-troy. A prata para dezembro cedeu 5,42%, a US$ 64,92 por onça-troy. O movimento refletiu as perspectivas de uma postura mais rígida do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) diante da leitura mais elevada de inflação, o que empurrou os rendimentos dos Treasuries para cima e tornou os metais preciosos, que não rendem juros, menos atrativos.
O que mudou no cenário
A Sucden Financial avalia que a demanda por ativos de refúgio, decorrente da escalada de tensão entre EUA e Irã, está sendo compensada pelo crescente custo de oportunidade de manter ouro. A casa projeta que o metal seguirá sensível aos dados de inflação americana e afirma que seria necessária uma recuperação sustentada acima de US$ 4.430 a onça para retomar o ímpeto.
A Oxford Economics observa que o aumento nos preços de energia elevou o PPI, mas os detalhes apontam para outra leitura benigna do PCE, a medida de inflação favorita do Fed. A consultoria diz que, a menos que haja surpresa no CPI de agosto, divulgado nesta sexta-feira (11), os dados econômicos devem apoiar a manutenção de juros pelo Fed na próxima semana.
A Oxford acrescenta que aumentos adicionais nos preços da gasolina e do diesel impulsionarão outro ganho no relatório do PPI de setembro, com energia e repasse a outros setores como principal risco à inflação nos próximos meses. Os números, porém, estão mais suaves agora do que no segundo trimestre, quando os preços globais do petróleo estavam no pico.
Por ora, a ferramenta Fed Watch, do CME Group, aponta probabilidade de 69,6% de alta nos juros pelo Federal Reserve na próxima semana após o avanço do PPI. A leitura de inflação ao consumidor desta sexta deve consolidar a percepção sobre as pressões nos preços nos Estados Unidos. Para quem acompanha o mercado de metais, o dado de hoje muda o cálculo: o refúgio geopolítico perdeu força para o custo de carregar o metal.