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Opções do EWZ: gringo aposta no trade eleitoral?

ResumoO EWZ, ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, concentra apostas de investidores estrangeiros em opções para outubro, diante do cenário eleitoral incerto. Com Flávio Bolsonaro à frente ou empatado com Lula em pesquisas recentes, o mercado busca capturar volatilidade esperada. Analistas apontam que opções oferecem estrutura mais barata, porém mais arriscada que a compra direta de ações.

Com Flávio Bolsonaro numericamente à frente ou empatado com Lula em levantamentos recentes, o mercado passou a antecipar compras de opções do EWZ para outubro. Analistas explicam por que a estrutura é mais barata e mais arriscada que ações.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 15 de setembro de 2026
Opções do EWZ: gringo aposta no trade eleitoral?

O trade eleitoral movimentou as opções do EWZ. As compras de vencimentos para novembro e dezembro, depois do período eleitoral, cresceram, e a partir da última quinta-feira (10) foram antecipadas já para outubro.

No meio do caminho, uma série de levantamentos eleitorais passou a indicar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na quinta-feira, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg apontou empate técnico, com Flávio em 46,4% das intenções de voto e o presidente também em 46,4%.

Com Flávio encostando ou até ultrapassando numericamente o incumbente, o mercado começou a aumentar a aposta de que o Brasil pode ter mudança de governo. É o que explica o analista da Empiricus Research Ruy Hungria.

"As opções do EWZ são uma forma meio rápida de você montar a posição sem colocar tanto dinheiro, com uma quantidade limitada de dinheiro que pode ter uma apreciação relevante", diz.

Hungria detalha que é um investimento com potencial de se multiplicar algumas vezes lá na frente, mas com montante menor do que o necessário para ganhar retorno com ações. "Você pode ganhar esse mesmo valor, com um investimento menor, mas obviamente que é uma operação mais arriscada. As opções são mais voláteis e a pessoa pode perder todo o dinheiro", pondera.

Por que o gringo entra pelo EWZ

O economista-chefe da Nomos, Beto Saadia, corrobora o cenário traçado por Hungria e observa que o investidor estrangeiro que quer alocar no Brasil, mas sem fazer stock picking, entra pelo EWZ. A opção é uma forma de ter exposição à alta de algo, mas no preço do ativo naquele dia.

"As pessoas estão comprando opção do EWZ por ser mais barato, e isso tem dois motivos. O primeiro é muitos investidores não estão expostos a Brasil, e nem querem estar, mas precisam estar preparados, porque vai que o Brasil vira 'a bola da vez'. Isso pode proteger o investidor", afirma. "Não é necessariamente um otimismo com o Brasil, mas uma condicional se os investidores internacionais errarem o cenário", diz.

O segundo motivo, segundo Saadia, é que geralmente há aumento no volume dos contratos de derivativos quando existe cenário binário, em que pode acontecer A ou B, como é o caso das eleições brasileiras. "É natural que isso aconteça, isso vai se manter até o segundo turno e só deve ser desarmado dois ou três dias depois."

Após os levantamentos recentes, o cenário ficou mais binário do que antes, porque a percepção era de que o governo Lula iria se reeleger, explica o economista. Ele diz que o presidente do poder, nesta época, costuma subir nas pesquisas eleitorais. Contudo, Lula está recuando.

O que sustenta a aposta

Na avaliação de Hungria, da Empiricus, o gringo aposta nas opções do EWZ dentro do trade eleitoral por uma perspectiva de mudança na condução da política fiscal, o que poderia impulsionar o desempenho dos ativos domésticos. "O brasileiro mesmo está fazendo esse movimento com o BOVA11, que é um ETF doméstico", acrescenta.

De acordo com levantamento da casa de investimentos, o Ibovespa (IBOV) poderia alcançar os 300 mil pontos em 2027 em um cenário de ajuste fiscal crível, enquanto o dólar à vista perderia força a R$ 3,95.

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