Multiplan (MULT3): CEO diz que ainda há espaço para crescer dentro de casa
Após divulgar o 2T26, a Multiplan (MULT3) reforçou sua estratégia de crescer via expansão e revitalização de ativos existentes, deixando greenfields em segundo plano. CEO Eduardo Peres detalha a visão.
Multiplan (MULT3): 'Ainda há muito a buscar dentro de casa', diz CEO sobre estratégia de crescimento
A Multiplan (MULT3) divulgou o resultado do segundo trimestre de 2026 e, na teleconferência com analistas, reforçou que ainda enxerga amplo espaço para crescer dentro do próprio portfólio. A estratégia da administradora de shopping centers passa por ampliar e revitalizar ativos existentes, deixando em segundo plano o desenvolvimento de novos empreendimentos.
Segundo o CEO Eduardo Peres, a decisão de priorizar expansões em vez da construção de shoppings do zero, os chamados greenfields, reflete a convicção de que ainda há potencial para extrair mais valor dos ativos atuais.
"Quando tomamos a decisão de não construir ativos novos, percebemos que ainda havia muito a buscar dentro de casa", afirmou o executivo durante a teleconferência de resultados desta sexta-feira (31).
Expansão do MorumbiShopping como exemplo
Peres destacou a expansão do MorumbiShopping, inaugurada neste ano. Segundo ele, a modernização elevou significativamente o fluxo de visitantes e a demanda por espaços comerciais. O CEO afirmou que, se o empreendimento tivesse hoje mais 10 mil metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL), todo o espaço já estaria ocupado.
A administração avalia que a estratégia deverá se repetir em outros ativos relevantes do portfólio, como ParkShopping Brasília, BarraShopping, BH Shopping e demais empreendimentos que passam por ampliações. Investir na qualidade dos shoppings melhora a experiência do consumidor, aumenta o fluxo de visitantes e impulsiona vendas, receitas de estacionamento e aluguel.
Resultados do 2T26: lucro de R$ 427,4 milhões
A Multiplan encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 427,4 milhões, alta de 61,7% na comparação anual, beneficiado pelo crescimento operacional e pelo reconhecimento de cerca de R$ 253 milhões em créditos tributários de PIS/Cofins. A receita líquida avançou 22%, para R$ 846,8 milhões, enquanto o Ebitda cresceu 52%, alcançando R$ 699,2 milhões, com margem de 82,6%.
No operacional, a receita de locação subiu 3,2%, para R$ 441,3 milhões. As receitas de estacionamento e de serviços registraram crescimento ainda mais forte, de 17% e 19,3%, respectivamente, refletindo o aumento do fluxo de consumidores.
O fluxo de caixa operacional (FFO) atingiu R$ 515,7 milhões, avanço de 76,3% em relação ao mesmo período de 2025, com margem de 60,9%.
Margens recordes e eficiência contínua
Ao comentar as margens recordes, Peres evitou indicar que o patamar será permanente, mas afirmou que a busca por eficiência é contínua e consequência direta da qualidade dos empreendimentos. Embora parte do lucro tenha sido beneficiada por efeitos extraordinários, como a recuperação de créditos tributários, a administração atribui o desempenho operacional à estratégia de longo prazo de modernização dos ativos.
Reforma tributária: adaptação tecnológica é o foco
Outro tema que ganhou espaço na sessão de perguntas e respostas foi a implementação da reforma tributária, que começará a ser implementada em caráter de transição no ano que vem. Analistas questionaram a companhia sobre os desafios operacionais e o grau de preparação dos lojistas.
Segundo o CFO Armando d'Almeida, a principal preocupação da Multiplan não está relacionada aos impactos econômicos da reforma, mas à adaptação tecnológica necessária para cumprir as novas exigências fiscais.
Peres acrescentou que a companhia concentra esforços na atualização dos sistemas internos para cumprir os cronogramas estabelecidos pela Receita Federal. Ele avaliou que, embora grandes varejistas estejam mais preparados, lojistas menores ainda tendem a enfrentar dificuldades.
"Eu imagino que os pequenos lojistas ainda estejam muito preocupados com a situação econômica e talvez ainda não estejam tão preparados para a reforma tributária quanto as grandes empresas."
Na visão da administração, a adequação operacional deve ser o principal desafio no curto prazo, enquanto eventuais efeitos econômicos da reforma permanecem em segundo plano.
O que esperar da Multiplan daqui para frente
Para investidores, a mensagem central é clara: o crescimento virá da otimização do portfólio atual, não de novos projetos. Isso significa acompanhar de perto as expansões anunciadas e a evolução das receitas de locação e estacionamento, que já mostram aceleração. A adaptação à reforma tributária, especialmente entre lojistas menores, pode ser um ponto de atenção nos próximos trimestres.
Perguntas Frequentes
A Multiplan vai construir novos shoppings?
Não. A estratégia atual da companhia prioriza expandir e revitalizar ativos existentes, deixando em segundo plano o desenvolvimento de greenfields.
Qual foi o lucro da Multiplan no 2T26?
A Multiplan registrou lucro líquido de R$ 427,4 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 61,7% na comparação anual.
O que significa ABL?
ABL é a Área Bruta Locável, a metragem disponível para locação em um shopping. O CEO citou que o MorumbiShopping teria demanda para mais 10 mil m² de ABL.
Como a reforma tributária afeta a Multiplan?
A principal preocupação da companhia é a adaptação tecnológica para cumprir as novas exigências fiscais. Lojistas menores tendem a enfrentar mais dificuldades que as grandes empresas.
O que é FFO?
FFO é o fluxo de caixa operacional, que atingiu R$ 515,7 milhões no 2T26, avanço de 76,3% ante o mesmo período de 2025.