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Microsoft vai divulgar resultados da Azure trimestralmente

A Microsoft anunciou nesta quarta-feira que passará a divulgar trimestralmente os resultados de vendas de sua unidade de computação em nuvem Azure. A medida permite uma comparação direta com seus principais concorrentes, Amazon.com e Google, que já reportam receitas de suas divisões de nuvem.

Anteriormente, a Microsoft divulgava apenas uma taxa de crescimento da Azure, acompanhada de perto pelo mercado, mas não os valores de vendas. Com a mudança, a companhia passa de três segmentos de relatório para dois. O primeiro, chamado "Agentes e Infraestrutura", incluirá serviços de computação em nuvem, vendas de software baseado em IA e receita de software empresarial tradicional. O segundo, "Dispositivos e Consumidores", abrangerá o sistema operacional Windows, a unidade de videogames Xbox e as vendas de publicidade no Bing e no LinkedIn.

"Não há dúvida de que a IA representa uma profunda mudança tanto na tecnologia quanto nos negócios", afirmou o presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, em comunicado que acompanhou a mudança. "Ela está mudando o que criamos e como operamos, além de estar desfazendo as fronteiras entre nossos produtos e remodelando nossos modelos de negócios."

A Microsoft é uma das principais provedoras de computação em nuvem para a OpenAI, criadora do ChatGPT. A OpenAI utilizava exclusivamente a Microsoft para treinar seus modelos até que mudanças nos termos do contrato permitiram que a empresa passasse a trabalhar com a Amazon Web Services (AWS) e outras empresas. A AWS teve receita de US$ 128,7 bilhões em 2025, um dado que ilustra a escala do mercado em que a Azure compete.

Para investidores, a divulgação trimestral das vendas da Azure reduz a opacidade que cercava o desempenho da unidade. Antes, a taxa de crescimento era o principal indicador, mas sem o valor absoluto era difícil dimensionar o peso real da nuvem no faturamento da Microsoft. A nova estrutura de relatórios, com foco em IA e infraestrutura, também sinaliza como a companhia enxerga suas prioridades estratégicas para os próximos ciclos.

A reorganização não altera a operação, mas muda a forma como o mercado avalia a companhia. A comparação direta com AWS e Google Cloud tende a trazer mais transparência, embora também exponha a Microsoft a um escrutínio maior sobre a rentabilidade de sua divisão de nuvem. O ciclo sempre vira, e a leitura dos números trimestrais será mais clara para quem acompanha o setor. investimentos em tecnologia

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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