Ibovespa acima de 200 mil pontos: 46% dos gestores projetam, diz BofA
O sentimento dos gestores de fundos em relação ao mercado brasileiro melhorou de forma significativa em setembro, segundo pesquisa do Bank of America (BofA). Quase metade dos participantes, 46%, já projeta o Ibovespa acima dos 200 mil pontos até o final de 2026.
A maioria dos entrevistados, 73%, espera o Ibovespa em 180 mil pontos ou mais até dezembro. Na pesquisa anterior, esse percentual era de 34%.
O que sustenta o otimismo com o Ibovespa
As expectativas para a política monetária ajudam a explicar a melhora. Segundo o levantamento do BofA, 83% dos participantes esperam pelo menos mais um corte da Selic neste ano, o que levaria o juro básico para 13,75% ao ano. Mais da metade acredita que o Banco Central promoverá dois ou mais cortes adicionais.
Para os gestores, inflação, cenário fiscal e ambiente político serão os principais fatores capazes de determinar a intensidade do ciclo de afrouxamento monetário. É esse tripé que define, na prática, o espaço para a queda dos juros e, por consequência, o prêmio exigido para carregar ação em carteira.
O apetite por risco na América Latina também subiu. Dois terços dos gestores pretendem ampliar a alocação em ações nos próximos seis meses, o maior percentual desde junho de 2025.
Eleições e juros nos EUA seguram posições maiores
A proximidade das eleições mantém os investidores cautelosos, segundo o BofA. Apenas 30% afirmaram que aumentariam a exposição a ações nos níveis atuais antes da definição do cenário eleitoral. A maior parte prefere aguardar uma correção dos preços ou esperar maior clareza política antes de elevar as posições.
Os níveis de caixa permaneceram estáveis em 6%, ainda acima da média histórica de 5,5%. É um sinal de que parte dos investidores segue mantendo postura defensiva, mesmo com a melhora das projeções.
No cenário internacional, o principal risco apontado pelos entrevistados para os mercados latino-americanos continua sendo a manutenção de taxas de juros elevadas nos Estados Unidos.
Onde os gestores enxergam valor na Bolsa
Entre os setores da Bolsa brasileira, os gestores seguem demonstrando maior confiança em financeiras e empresas de serviços públicos (utilities), que permanecem como as principais apostas da pesquisa.
Na outra ponta, consumo discricionário e bens de consumo básico continuam entre os menos atrativos, refletindo preocupações com o ritmo da atividade econômica e os impactos dos juros sobre o consumo.
O levantamento aponta ainda preferência pelo mercado brasileiro em relação ao mexicano, reforçando a visão positiva para os ativos locais. Para quem monta posição pensando no ciclo de queda de juros, a leitura é direta: o mercado já precifica parte do movimento, mas ainda não se posicionou por completo antes do pleito.