Mercado de capitais registra volume recorde no 1º semestre de 2026, diz Anbima
O mercado de capitais brasileiro registrou volume recorde de R$ 361,8 bilhões em ofertas no primeiro semestre de 2026, segundo a Anbima. O montante supera em 9,8% o mesmo período de 2025, impulsionado por instrumentos híbridos e pela retomada da renda variável.
O mercado de capitais brasileiro registrou o maior volume de ofertas da história para um primeiro semestre. Segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), foram movimentados R$ 361,8 bilhões entre janeiro e junho de 2026, alta de 9,8% ante o mesmo período de 2025. O número de operações também cresceu 13%, totalizando 1.513.
O montante de R$ 361,8 bilhões em ofertas no primeiro semestre de 2026 é o maior da série histórica da Anbima, iniciada em 2012. O avanço foi puxado por instrumentos híbridos e pela retomada da renda variável, que registrou o primeiro IPO após um período sem estreias na bolsa.
Como os recordes dos FIIs e Fiagros impactam o investidor
Os instrumentos híbridos foram o grande destaque do semestre. Os fundos imobiliários (FIIs) captaram R$ 39,5 bilhões, alta de 103,9% na comparação anual, enquanto os Fiagros somaram R$ 8,3 bilhões, avanço de 288,3%. Ambos alcançaram volumes recordes para o período, segundo a Anbima.
Para Cesar Mindof, diretor da Anbima, o cenário de instabilidade externa e juros elevados favoreceu uma composição mais diversificada das ofertas, impulsionando os híbridos e marcando a retomada da renda variável. Os títulos híbridos como um todo somaram R$ 47,8 bilhões em captações, também recorde.
O papel da pessoa física no avanço dos híbridos
Os investidores pessoa física elevaram os aportes em híbridos de R$ 9,7 bilhões para R$ 20,7 bilhões. Já os fundos de investimento aumentaram as subscrições de R$ 6 bilhões para R$ 18,9 bilhões. Os dados são da Anbima.
Renda variável volta a ter IPO e follow-ons
O mercado registrou o primeiro IPO após um período sem estreias na bolsa, além de oito operações de follow-on, que movimentaram R$ 22,2 bilhões. O número de ofertas de renda variável dobrou ante o primeiro semestre de 2025.
Debêntures: queda no volume, mas mais operações
Na renda fixa, as emissões de debêntures alcançaram R$ 169,8 bilhões, queda de 12,1% ante 2025, embora o número de operações tenha subido de 268 para 278. As debêntures incentivadas representaram 38,3% do volume total, com o setor de energia elétrica concentrando mais da metade dessas emissões. No mercado secundário, o volume negociado de debêntures cresceu 20,6%, para R$ 494,6 bilhões.
CRIs, CRAs e notas comerciais: desempenhos mistos
As emissões de CRIs totalizaram R$ 20,3 bilhões (queda de 15,8%) e de CRAs, R$ 7,1 bilhões (recuo de 50,4%). Já as notas comerciais registraram recorde de 123 operações para um primeiro semestre, alta de 43%, embora o volume financeiro captado tenha recuado 11,4%. Os FIDCs somaram R$ 53,1 bilhões em 559 operações.
Captações internacionais no melhor nível desde 2014
No mercado internacional, as captações chegaram a US$ 24,8 bilhões, melhor desempenho para o primeiro semestre desde 2014. As emissões do governo brasileiro responderam por US$ 14,6 bilhões (58,9% do total), enquanto instituições financeiras captaram US$ 2,5 bilhões e empresas, US$ 7,7 bilhões.
Para quem busca entender o movimento do mercado de capitais, os dados da Anbima mostram um semestre de recordes e diversificação. O ciclo de juros elevados e instabilidade externa, segundo a associação, favoreceu uma composição mais equilibrada das ofertas, beneficiando tanto o investidor pessoa física quanto os grandes fundos.
Perguntas Frequentes
Qual foi o volume total do mercado de capitais no 1º semestre de 2026?
R$ 361,8 bilhões, recorde na série histórica da Anbima desde 2012.
Quanto os FIIs captaram no período?
R$ 39,5 bilhões, alta de 103,9% ante o primeiro semestre de 2025.
A renda variável teve IPO em 2026?
Sim, o primeiro IPO após um período sem estreias, além de oito follow-ons, totalizando R$ 22,2 bilhões.
Qual foi o desempenho das debêntures?
As emissões somaram R$ 169,8 bilhões, queda de 12,1%, mas o número de operações subiu para 278.
Quanto o Brasil captou no mercado internacional?
US$ 24,8 bilhões, melhor resultado para o primeiro semestre desde 2014.