Magalu MGLU3: Fred Trajano aposta em lojas físicas e Amazon
O CEO do Magazine Luiza, Fred Trajano, reforçou no 2T26 a aposta em lojas físicas e na parceria com a Amazon para reaquecer o e-commerce. Lojas mesmas lojas cresceram 9,7%, mas GMV online caiu 12%. Entenda o novo ciclo estratégico.
Magalu (MGLU3): Fred Trajano dobra aposta nas lojas físicas e mira Amazon para reaquecer vendas online
O CEO do Magazine Luiza (MGLU3), Fred Trajano, usou a teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) para anunciar um novo ciclo estratégico. A companhia quer fortalecer a liderança omnichannel com apoio de inteligência artificial e acelerar a monetização de serviços como MagaluPay, Magalu Ads, Magalu Cloud e Magalog. O principal destaque do trimestre foi o desempenho das lojas físicas, que voltaram ao centro da estratégia da varejista.
Lojas físicas crescem 9,7% e puxam resultado do Magalu
As vendas nas mesmas lojas (SSS) cresceram 9,7%, impulsionadas pela Copa do Mundo. Mas o avanço não se limitou à categoria de televisores. Linha branca e móveis também registraram crescimento relevante, reforçando o ganho de participação de mercado da companhia.
"A gente está sendo muito estratégico em focar o nosso crescimento onde conseguimos obter mais rentabilidade", afirmou Trajano. Na avaliação do executivo, o ambiente online segue mais competitivo e menos racional em preços, enquanto as lojas físicas oferecem maior potencial de geração de margem.
E-commerce cai 12% e CEO defende preservar rentabilidade
A desaceleração do e-commerce foi evidente: o volume bruto de mercadorias (GMV) caiu 12% no trimestre. Fred Trajano defendeu a estratégia de preservar rentabilidade mesmo à custa de participação de mercado. A companhia repassou ao consumidor a alta dos custos globais de componentes de memória, o que afetou categorias como telefonia, informática e games.
"A gente cresceu em loja física, onde está dando rentabilidade, e abriu mão um pouco de share no online", disse. "Mas isso não significa que não estamos trabalhando para retomar esse crescimento."
Parceria com Amazon: a aposta para reaquecer o online
Para recuperar o canal online sem comprometer margens, o Magazine Luiza está apostando na venda de produtos próprios em plataformas de terceiros. A primeira parceria anunciada foi com a Amazon, que começou a operar em junho. Segundo Trajano, julho já apresentou vendas acima das expectativas iniciais, e a tendência é de aceleração.
A expectativa é que, a partir do quarto trimestre, os produtos vendidos pela Amazon passem a contar com o selo Prime, ampliando visibilidade e conversão. Novas parcerias devem ser anunciadas "nas próximas semanas".
WhatsApp da Lu: a aposta de longo prazo com IA
Se as parcerias com marketplaces são a solução de curto prazo, a grande aposta de longo prazo é o "WhatsApp da Lu". Lançada no fim de 2025, a ferramenta baseada em inteligência artificial já superou R$ 100 milhões em vendas e contabiliza mais de 18 milhões de conversas com consumidores. A taxa de conversão é três vezes superior à do aplicativo da companhia.
Para Trajano, a plataforma representa um novo modelo de comércio eletrônico, reunindo descoberta, recomendação, compra e pós-venda dentro do próprio WhatsApp. "O nosso grande foco é a Lu e a experiência de e-commerce pioneira e inovadora que criamos via WhatsApp", afirmou. A experiência baseada em IA também deve chegar ao aplicativo do Magalu no segundo semestre.
Serviços financeiros e nuvem ganham tração
O crescimento das plataformas de serviços foi outro tema recorrente. A Luizacred registrou lucro de R$ 135 milhões no trimestre. A MagaluPay passou a originar 100% do CDC das lojas físicas. Seguros e consórcios também avançaram.
Na publicidade digital, a Magalu Ads cresceu, e a escolha da plataforma pela Hyundai para o lançamento do i20 no Brasil foi citada como exemplo de monetização de audiência. A Magalu Cloud alcançou mais de 1,7 mil clientes e recebeu aprovação para uma linha de financiamento de R$ 300 milhões do BNDES destinada a pesquisa e desenvolvimento. Segundo Trajano, a soberania de dados se tornou uma oportunidade importante para o negócio de nuvem.
Resultados do 2T26: prejuízo, mas tom positivo
O Magazine Luiza reportou prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões no 2T26, uma variação de 197,5% ante o prejuízo de R$ 24,4 milhões no mesmo período de 2025. Na linha ajustada, o prejuízo foi de R$ 50,4 milhões, ante lucro ajustado de R$ 1,8 milhão no ano anterior. É o segundo prejuízo neste ano após a entrega de lucros em 2025.
O Ebitda foi de R$ 675,3 milhões, queda de 1,7% na comparação anual. Na linha ajustada, R$ 708,8 milhões, recuo de 2,5%. A receita bruta totalizou R$ 11,1 bilhões, recuo de 2,2%, e a receita líquida recuou 2,6%, totalizando R$ 8,89 bilhões.
"Temos muitos motores de criação de valor para os acionistas e acreditamos que o segundo trimestre demonstrou que estamos no caminho certo", disse Trajano.
O que os bancos dizem sobre MGLU3
Os analistas tiveram leitura mista. O JPMorgan manteve recomendação underweight, equivalente à venda, destacando a queda de 12% no GMV online e o ambiente de demanda fraca, juros elevados e concorrência forte. O BTG Pactual adotou visão mais positiva, mantendo compra, ao ver preservação de margens e maior contribuição da Luizacred.
A XP Investimentos avaliou os resultados como fracos, mas em linha com as expectativas, mantendo recomendação neutra. O Citi também manteve postura cautelosa, com destaque positivo para a força das lojas físicas e a disciplina na gestão de custos. A margem bruta permaneceu estável, demonstrando resiliência.
O que esperar do Magalu nos próximos trimestres
O tom da administração é positivo. A combinação de lojas físicas fortes, parceria com a Amazon e a expansão do WhatsApp da Lu pode reequilibrar o crescimento sem sacrificar margens. O mercado monitora a capacidade de retomar a expansão das vendas digitais. O ciclo sempre vira, e a aposta da companhia é estar pronta quando ele virar.
Perguntas Frequentes
Por que as vendas online do Magalu caíram 12%?
A queda reflete a concorrência acirrada e o repasse ao consumidor da alta dos custos de componentes de memória, afetando categorias como telefonia, informática e games.
O que é o WhatsApp da Lu?
É uma ferramenta baseada em IA lançada no fim de 2025 que já superou R$ 100 milhões em vendas, com taxa de conversão três vezes maior que o aplicativo.
Como a parceria com a Amazon ajuda o Magalu?
A venda de produtos próprios na Amazon amplia o alcance sem sacrificar rentabilidade, com expectativa de selo Prime a partir do quarto trimestre.
Qual foi o prejuízo do Magalu no 2T26?
O prejuízo líquido foi de R$ 72,5 milhões, ante R$ 24,4 milhões no mesmo período de 2025. Na linha ajustada, o prejuízo foi de R$ 50,4 milhões.
O que os analistas recomendam para MGLU3?
As recomendações são mistas: JPMorgan tem underweight, BTG Pactual tem compra, XP e Citi têm neutro/cauteloso.