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Lucro da ISA Energia (ISAE4) recua 32% no 2º tri com despesa financeira

ResumoISA Energia (ISAE4) registrou lucro líquido de R74 milhões no segundo trimestre, com recuo de 32% em relação ao mesmo período de 2025. A despesa financeira elevada neutralizou o impacto positivo do crescimento da receita, que avançou 20,9% no intervalo. O resultado reflete pressão de custos de financiamento sobre a operação da companhia.

A ISA Energia registrou lucro líquido de R$174 milhões no 2º trimestre, queda de 32% ante 2025. A despesa financeira maior apagou o efeito do crescimento da receita, que subiu 20,9%.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 04 de agosto de 2026
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Lucro da ISA Energia (ISAE4) recua 32% no 2º tri com avanço na despesa financeira

A transmissora ISA Energia (ISAE4) divulgou nesta segunda-feira um lucro líquido de R$174 milhões no segundo trimestre, 32% abaixo do apurado um ano antes. A maior despesa financeira, impulsionada pelo crescimento da dívida, apagou o efeito positivo do aumento da receita operacional.

O resultado operacional medido pelo Ebitda somou R$967 milhões no período, alta de 22,5% na comparação anual. Já a receita líquida alcançou R$1,2 bilhão, um avanço de 20,9%. Os números vieram em linha com o esperado por analistas, que projetavam lucro líquido de R$2,13 bilhões para a BB Seguridade, segundo dados da LSEG.

Por que o lucro caiu 32%? O papel da despesa financeira

Segundo executivos da ISA, os resultados do trimestre foram positivamente impactados pelo início da operação de uma série de novas linhas e subestações, além de reforços e melhorias em ativos existentes. Mas o avanço da despesa financeira, ligado ao crescimento da dívida, acabou pesando no resultado final.

A dívida bruta da ISA Energia alcançou R$17,7 bilhões ao final de junho, um aumento de 10,7% frente ao encerramento de 2025. O índice de alavancagem atingiu 3,78 vezes, um nível que chama atenção em um cenário de juros ainda elevados.

Para quem acompanha o setor, o movimento não surpreende. A transmissora aumentou seu endividamento nos últimos anos para financiar a construção de novos projetos. A carteira atual de investimentos soma R$12 bilhões até 2033, entre compromissos com empreendimentos greenfield e autorizações para reforços e melhorias da rede existente.

Ebitda e receita: o lado positivo do balanço

Apesar da queda no lucro, a operação mostrou força. O Ebitda subiu 22,5% no comparativo anual, para R$967 milhões, refletindo o início da operação de novos ativos. A receita líquida cresceu 20,9%, para R$1,2 bilhão.

Esse desempenho operacional, no entanto, não foi suficiente para compensar o efeito da despesa financeira. O resultado é um lembrete de que, em empresas de capital intensivo, a estrutura de capital pode consumir boa parte do ganho operacional.

Dívida e investimentos: o que esperar daqui para frente

A dívida bruta de R$17,7 bilhões representa um aumento de 10,7% desde o fim de 2025. A alavancagem de 3,78 vezes é um indicador de que a empresa segue apostando em crescimento via novos projetos.

A carteira de investimentos de R$12 bilhões até 2033 inclui compromissos com projetos greenfield e melhorias na rede. O desafio é equilibrar esse plano com a necessidade de manter a saúde financeira em um ambiente de juros altos.

ISA Energia decide não participar de leilão de transmissão

À Reuters, a diretora financeira da ISA Energia, Silvia Wada, afirmou que a companhia decidiu não participar do leilão de transmissão programado para o segundo semestre deste ano. A empresa, no entanto, continua avaliando o certame voltado à contratação de baterias.

"Esse sim, a gente está estudando com disciplina, (para) entender se faz sentido, é algo novo... a gente quer entender se isso é uma potencial nova via de crescimento", afirmou ela.

A ISA Energia opera um dos únicos projetos de baterias em larga escala do Brasil, implantado como um teste para entender os possíveis usos da tecnologia no sistema elétrico local. Com 30 megawatts (MW) de potência, o sistema de armazenamento, localizado no litoral sul paulista, serve como reforço para a rede elétrica nos horários de pico de consumo.

Preparação para eventos climáticos extremos

O CEO da ISA, Rui Chammas, destacou os esforços da companhia para preparar seus ativos de transmissão para eventos climáticos extremos. O projeto começou há mais de dois anos, após um amplo estudo sobre o tema.

Segundo ele, o principal desafio são os ventos, que não só ganharam mais velocidade, mas também aparecem em novas configurações. "Tem um vento chamado 'downburst', que achata a infraestrutura, e tem miniciclones que aparecem e acabam quase que arrancando as torres."

No fim de julho, uma forte ventania no interior de São Paulo afetou quatro torres de transmissão da ISA, que já foram recompostas com torres provisórias, disse o CEO.

A companhia considera já estar preparada para enfrentar o próximo El Niño, com uma mentalidade de recomposição e ação rápida para restabelecer os serviços em caso de maiores distúrbios.

"Eu não consigo fazer 'à prova' do vento, seriam torres muito pesadas. Mostramos isso para a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), eles reconheceram que não faz sentido, em alguns casos a gente estava falando de torres ou estruturas sete vezes mais pesadas. Então a gente está tentando ficar preparado para ele (o vento)."

Uma das iniciativas, implantada como piloto na região de Ribeirão Preto (SP), são os "grampos deslizantes" nas linhas de transmissão. Em situação de ventos extremos, esses dispositivos atuam como um mecanismo de proteção, evitando a derrubada de torres em cascata.

O que os números dizem sobre o futuro da ISA

A combinação de dívida crescente, investimentos robustos e um cenário climático mais severo coloca a ISA em uma posição de cautela. A decisão de não participar do leilão de transmissão deste semestre sugere uma postura mais seletiva, focada em projetos que realmente agreguem valor.

Para o investidor, o balanço do 2º trimestre reforça a importância de acompanhar não apenas o lucro, mas também a evolução da dívida e a capacidade da empresa de gerar caixa operacional suficiente para cobrir seus custos financeiros.

Perguntas Frequentes

A ISA Energia teve prejuízo no 2º trimestre?

Não. A empresa registrou lucro líquido de R$174 milhões, mas 32% menor que o do mesmo período do ano anterior.

Por que o lucro da ISA caiu?

A principal causa foi o aumento da despesa financeira, ligado ao crescimento da dívida bruta, que chegou a R$17,7 bilhões.

A receita da ISA cresceu ou caiu?

A receita líquida cresceu 20,9%, para R$1,2 bilhão, e o Ebitda subiu 22,5%, para R$967 milhões.

A ISA vai participar do próximo leilão de transmissão?

Não. A companhia decidiu não participar do leilão do segundo semestre, mas segue avaliando o certame de baterias.

O que a ISA está fazendo para lidar com eventos climáticos?

A empresa implementou projetos como grampos deslizantes em linhas de transmissão, para evitar a derrubada de torres em ventos extremos.

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