Lucro da B3 sobe 8% e atinge R$ 1,4 bi; veja detalhes
A B3 (B3SA3) registrou lucro líquido recorrente de R$ 1,4 bilhão no segundo trimestre, alta de 8% ante 2025. Receita total subiu 12,2%, puxada por volumes e retomada de ofertas. Veja a análise.
Lucro da B3 (B3SA3) sobe 8% e atinge R$ 1,4 bi, com IPO solitário, 'chuva' de follow-ons e alta de 20% no volume negociado em ações
A B3 (B3SA3) reportou lucro líquido recorrente de R$ 1,4 bilhão no segundo trimestre, avanço de 8% na comparação com o mesmo intervalo de 2025. O número, que exclui efeitos não recorrentes, veio praticamente em linha com as estimativas da LSEG, que projetavam R$ 1,46 bilhão. A receita total somou R$ 3,1 bilhões, alta de 12,2%.
Resposta direta: No segundo trimestre, a B3 (B3SA3) teve lucro líquido recorrente de R$ 1,4 bilhão, alta de 8% ante o mesmo período de 2025. A receita total somou R$ 3,1 bilhões, crescimento de 12,2%. O volume médio diário negociado em ações subiu 20,1%, para R$ 31,3 bilhões.
Por que o lucro da B3 cresceu no 2º trimestre
O trimestre foi marcado pela retomada das ofertas públicas, com o primeiro IPO após cinco anos de seca, da Compass (PASS3). As receitas pró-cíclicas, de derivativos e renda variável, subiram 7,9%, enquanto as recorrentes avançaram 17,3%. A combinação reduziu a dependência dos resultados das oscilações dos mercados, segundo a administração.
As despesas somaram R$ 975,6 milhões, alta de 15,5% na base anual. O Ebitda recorrente ficou em R$ 1,9 bilhão, com margem de 70%. O lucro veio praticamente em linha com o esperado pelo mercado, o que indica que o resultado não trouxe surpresa relevante para os investidores.
Volume negociado em ações: alta de 20% e R$ 31,3 bi por dia
O mercado de renda variável foi um dos principais motores do trimestre. O volume financeiro médio diário no mercado à vista chegou a R$ 31,3 bilhões, alta de 20,1% sobre o segundo trimestre de 2025. O volume de ações cresceu 21,2%, para R$ 26,9 bilhões por dia.
Entre outros instrumentos, os BDRs avançaram 41,8%, para R$ 1,3 bilhão por dia. Os fundos listados tiveram alta de 73,6%, para R$ 611 milhões. O volume de opções sobre ações e índices aumentou 54%, para R$ 1,2 bilhão por dia.
Derivativos: queda de 8,3% no volume, com tombo de 84,5% em cripto
Nos derivativos, o cenário foi diferente. O volume médio diário caiu 8,3%, para 11,1 milhões de contratos. A principal razão foi a queda de 84,5% no volume de futuros de criptoativos, associada às mudanças nas margens exigidas e ao menor nível de atividade nesse mercado.
Em contrapartida, o volume de contratos de juros em reais cresceu 6,7% e o de índices de ações aumentou 20,4%. Ou seja, a queda em cripto foi compensada por avanços em outros segmentos, mas não o suficiente para evitar o recuo no agregado.
Ofertas públicas: R$ 11,6 bi, com IPO solitário e 'chuva' de follow-ons
As ofertas públicas movimentaram R$ 11,6 bilhões no trimestre, sendo R$ 3 bilhões em um IPO e R$ 8,6 bilhões em follow-ons. Foi o primeiro IPO registrado pela B3 em cinco anos, da Compass (PASS3). O aumento das ofertas ajudou a receita de Listagem e Soluções para Emissores, que chegou a R$ 43 milhões, alta de 25,8%.
A companhia atribui o crescimento principalmente ao maior volume de IPOs e follow-ons e aos reajustes das tarifas de listagem. Para o investidor, o fluxo de ofertas indica maior apetite por capital, o que pode sustentar a receita da bolsa nos próximos trimestres.
Renda fixa e Tesouro Direto seguem em expansão
A renda fixa manteve trajetória de crescimento. As emissões de instrumentos de captação bancária aumentaram 5,2%, enquanto o estoque médio desses instrumentos avançou 18,4%. O estoque médio de debêntures cresceu 14,4%.
O Tesouro Direto também ampliou sua base. O número médio de investidores chegou a 3,46 milhões, alta de 14,7%, enquanto o estoque médio subiu 43,7%, para R$ 236 bilhões. A receita de Renda Fixa e Crédito foi de R$ 385,5 milhões, crescimento de 17,2%. Já Soluções para Mercado de Capitais gerou R$ 201 milhões, alta de 25,8%.
Despesas e investimentos: o que pesou no caixa
As despesas totalizaram R$ 975,6 milhões, alta de 15,5% em um ano. Segundo a B3, o avanço foi influenciado por despesas não recorrentes relacionadas às mudanças na Diretoria Executiva e pelos custos associados à alteração no modelo de cobrança do Sistema Nacional de Gravames (SNG).
Considerando as despesas ajustadas, o crescimento foi de 6,2%. A despesa com pessoal e encargos subiu 22%, para R$ 459,8 milhões, enquanto os gastos com tecnologia da informação avançaram 6,8%, para R$ 186,1 milhões. A B3 investiu R$ 55,3 milhões no trimestre e R$ 112 milhões no acumulado do ano.
JCP, recompra e venda da Dimensa: R$ 1,3 bi aos acionistas
A companhia anunciou R$ 1,106 bilhão em juros sobre capital próprio (JCP) no trimestre, dos quais R$ 750 milhões são extraordinários, referentes a saldos não utilizados em exercícios anteriores. Somadas as recompras de ações de R$ 196,9 milhões, as distribuições aos acionistas chegaram a R$ 1,303 bilhão.
Outro efeito relevante veio da venda da participação da B3 na Dimensa. A companhia exerceu a opção de venda de sua participação de 37,5% por R$ 665 milhões, operação que gerou um efeito positivo não recorrente de R$ 123,9 milhões no resultado do trimestre.
Mudança no comando: Christian Egan assume como CEO
O trimestre também marcou uma mudança no comando da companhia. Em junho, a B3 anunciou Christian Egan como novo CEO. A transição ocorre em um momento de retomada do mercado de capitais, com a volta dos IPOs e o aumento dos volumes.
Para quem acompanha a ação, a gestão de Egan será testada na capacidade de manter o crescimento das receitas recorrentes e controlar as despesas, que subiram acima da receita no trimestre.
Perguntas Frequentes
O que é lucro líquido recorrente?
É o lucro que exclui efeitos considerados não recorrentes pela companhia, como ganhos ou perdas pontuais. No caso da B3, a venda da Dimensa gerou um efeito positivo de R$ 123,9 milhões, que não entra na conta recorrente.
Quando a B3 divulgou o resultado do 2º trimestre?
Os dados foram divulgados pela bolsa nesta terça-feira (11). O lucro líquido recorrente foi de R$ 1,4 bilhão, alta de 8% ante o mesmo período de 2025.
Qual foi o primeiro IPO após cinco anos?
Foi o IPO da Compass (PASS3), que movimentou R$ 3 bilhões. As ofertas totais somaram R$ 11,6 bilhões, com R$ 8,6 bilhões em follow-ons.
Quanto a B3 distribuiu aos acionistas no trimestre?
Foram R$ 1,303 bilhão, somando JCP de R$ 1,106 bilhão e recompras de R$ 196,9 milhões. Desse total, R$ 750 milhões em JCP são extraordinários.
Por que o volume de derivativos caiu?
O volume médio diário caiu 8,3%, para 11,1 milhões de contratos, puxado pela queda de 84,5% nos futuros de criptoativos, devido a mudanças nas margens e menor atividade no mercado.
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