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Klabin vê recompra como alocação de capital: análise

Klabin vê recompra de ações como alternativa importante em alocação de capital

A produtora de papel e celulose Klabin avalia que a recompra de ações é uma alternativa importante de alocação de capital para o grupo. O cenário: a empresa não tem grandes projetos de investimento no horizonte e mantém a perspectiva de ingressar em um ciclo de crescimento na geração de caixa. A declaração foi feita pelo presidente-executivo, Cristiano Teixeira, em conferência com analistas após a publicação dos resultados do segundo trimestre.

O que muda para o acionista com a recompra de ações da Klabin?

Para quem acompanha o papel, a sinalização é clara: a companhia pretende devolver mais caixa ao acionista, seja via recompra, seja via dividendos. A política de retorno, porém, não deve mudar. A empresa segue pagando o centro da faixa de 10% a 20% da geração de caixa. Na prática, o investidor pode esperar estabilidade na distribuição, com possibilidade de ganho adicional via redução de ações em circulação.

Por que a Klabin prioriza a recompra agora?

A explicação está no ciclo de investimentos. Teixeira afirmou que a Klabin investiu cerca de R$ 30 bilhões nos últimos 10 anos em ampliação de capacidade, modernização de equipamentos e entrada em novos segmentos. Agora, no horizonte dos próximos cinco anos, não há projetos de investimentos transformacionais do grupo. Com menos gastos de capital, o caixa gerado tende a ser maior, e a recompra surge como uma forma de remunerar quem já está no papel.

O papel da geração de caixa e da redução de dívida

A diretora financeira, Gabriela Woge, detalhou o plano: usar o previsto aumento na geração de caixa para redução de dívida e retorno aos acionistas. Ou seja, o dinheiro que antes iria para fábricas novas agora tem dois destinos claros. Primeiro, fortalecer o balanço. Segundo, devolver valor ao investidor. A recompra entra nesse segundo pilar, como ferramenta de alocação de capital.

E os planos de expansão em Santa Catarina?

Em um prazo de 10 anos, Teixeira disse que a Klabin segue confiante sobre planos de investimento em fibra longa em Santa Catarina. A empresa estuda há alguns anos a possibilidade de investir em um projeto bilionário de expansão de capacidade de produção de celulose fluff no estado. Em 2022, o projeto previa capacidade de entre 1 milhão e 1,2 milhão de toneladas, das quais 500 mil a 600 mil seriam de celulose fluff, usada em produtos que incluem fraldas. Por ora, porém, o foco é o caixa.

O que observar daqui para frente

O investidor deve acompanhar dois pontos: a evolução da geração de caixa e a execução da política de recompra. Se o caixa crescer como a empresa espera, a tendência é de mais retorno ao acionista. Se a dívida cair no ritmo previsto, sobra espaço para novas recompras ou dividendos extraordinários. O mercado, por sua vez, tende a precificar essa previsibilidade.

Perguntas Frequentes

A Klabin vai mudar sua política de dividendos?

Não. A empresa não prevê alterar sua política de retorno aos acionistas, que hoje paga o centro da faixa de 10% a 20% da geração de caixa.

O que a Klabin vai fazer com o caixa extra?

A empresa planeja usar o aumento na geração de caixa para redução de dívida e retorno aos acionistas, incluindo a recompra de ações.

A Klabin ainda vai investir em Santa Catarina?

Sim, mas em um prazo de 10 anos. A empresa segue confiante sobre planos em fibra longa, com projeto de celulose fluff que pode ter capacidade de 1 milhão a 1,2 milhão de toneladas.

O que é celulose fluff?

É um tipo de celulose usada em produtos absorventes, como fraldas. A Klabin estuda produzir de 500 mil a 600 mil toneladas desse material em Santa Catarina.

Como a recompra afeta quem tem ações da Klabin?

A recompra reduz o número de ações em circulação, o que tende a aumentar o valor de cada papel. Além disso, sinaliza que a empresa vê o próprio preço como atrativo.

Otávio Bandeira
Analista de mercado de capitais
Analista de mercado de capitais.
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