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Kepler Weber (KEPL3) em queda: Citi corta lucro e mantém venda

O Citi cortou em 12% a projeção de lucro líquido da Kepler Weber (KEPL3) para 2027, para R$ 85 milhões, e manteve a recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 5,60. O valor representa potencial de queda de 15,2% em relação à cotação de R$ 6,60 considerada na análise, de 14 de setembro.

A revisão atingiu também as demais linhas do modelo. A estimativa de receita líquida para 2027 caiu 5%, para R$ 1,497 bilhão, e a projeção de Ebitda recuou 8%, para R$ 161 milhões, com margem de 10,7%.

Por que o Citi mantém a recomendação de venda

A cautela do banco reflete uma combinação de três fatores: maior concorrência, incerteza sobre a disponibilidade de financiamento ao setor e expectativa de normalização das margens após três anos de retornos elevados.

Para este ano, a revisão foi mais intensa. O Citi reduziu a estimativa de lucro líquido de R$ 85 milhões para R$ 60 milhões, corte de aproximadamente 30%. A previsão de receita líquida caiu 6%, para R$ 1,368 bilhão, enquanto a de Ebitda foi reduzida em 17%, para R$ 128 milhões. Com isso, a margem Ebitda projetada passou de 10,6% para 9,4%.

Mesmo com o corte nas estimativas, o preço-alvo foi mantido. O cálculo usa o método de fluxo de caixa descontado, com taxa de desconto de 15,5% e crescimento de longo prazo de 4%.

O que preocupa analistas na Kepler Weber

A Kepler Weber detém cerca de 40% do mercado brasileiro de soluções pós-colheita e tem produtos considerados premium. O banco avalia, porém, que o avanço da concorrência tende a aumentar a volatilidade dos resultados.

Entre os fatores que podem alterar as projeções, o Citi destaca quebras de safra, oscilações nos preços dos grãos e do aço e condições de liquidez. A disponibilidade de recursos do Plano Safra e do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) também está no radar, pela influência do financiamento sobre os investimentos do setor.

O cenário ilustra um ponto que quem acompanha o agronegócio conhece bem: o desempenho da armazenagem depende menos da demanda por silos e mais da capacidade de o produtor financiar a compra. Quando o crédito aperta, o investimento espera.

A leitura do Citi é de que os resultados devem seguir voláteis, sem o colchão de margens que marcou os últimos três anos. Nem tudo que sobe é tendência, e a normalização das margens costuma cobrar o preço de quem se acostumou com o topo do ciclo.

Caetano Vidal
Analista de criptoativos
Analista de criptoativos.
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