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JiveMauá compra controle da Rota Verde Goiás e estreia na gestão de infraestrutura

ResumoJiveMauá adquiriu 80% do controle da Rota Verde Goiás, concessionária que opera trechos das BR-060 e BR-452. A transação, aprovada pela ANTT, marca a estreia da gestora no setor de infraestrutura rodoviária. O negócio posiciona a JiveMauá como proprietária de uma companhia de concessões de rodovias no estado de Goiás.

A JiveMauá comprou o controle da Rota Verde Goiás, concessionária que opera trechos das BR-060 e BR-452, e estreia como dona de uma companhia de infraestrutura. O negócio, de 80% do capital, foi aprovado pela ANTT e marca a entrada da gestora em participações em rodovias, com pla

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 20 de julho de 2026
JiveMauá compra controle da Rota Verde Goiás e estreia na gestão de infraestrutura

JiveMauá compra controle da Rota Verde Goiás e estreia na gestão de infraestrutura

A gestora de investimentos JiveMauá mudou de lado do balcão. Em vez de continuar como credora, comprou o controle da concessionária Rota Verde Goiás, que pertencia à Azevedo & Travassos. Com a operação, a JiveMauá fará sua estreia oficial como dona de uma companhia de infraestrutura nos próximos dias, um modelo de negócio que promete ser o primeiro de uma série.

A compra recebeu sinal verde da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na quinta-feira, dia 16, e deve ser formalizada na próxima semana. O negócio incluiu 80% do capital da Rota Verde e foi estruturado pelo fundo de situações especiais da JiveMauá, o Fundo IV de Distressed & Special Situations, voltado para oportunidades em empresas em dificuldades ou créditos de difícil recuperação. Com a operação, a Azevedo & Travassos, que comprou a concessão em agosto do ano passado, deixou o negócio.

O ativo: corredor logístico de soja e grãos

A Rota Verde Goiás opera trechos das rodovias BR-060 e BR-452, um corredor logístico estratégico para a produção de soja e grãos do estado. O contrato de concessão é de 30 anos, e o faturamento anual da rodovia é da ordem de R$ 500 milhões.

A estimativa de investimento total na Rota Verde é de R$ 4 bilhões em 30 anos, com despesas operacionais de mais R$ 4 bilhões no período, explica Bruno Gomes, sócio e head da área de Distressed & Special Situations da JiveMauá. A gestora já fez um aporte inicial de R$ 400 milhões para atender às exigências da concessão e está buscando fontes de longo prazo para financiar os investimentos, em sua maior parte de restauração, manutenção e duplicação. Estão previstos 32 quilômetros de pista duplicada e mais 72 quilômetros de faixas adicionais.

"O desafio é que este é um ano eleitoral, com Copa do Mundo e guerra, mas estamos caminhando bem em colocar essas fontes de financiamento", diz Gomes. A rodovia já tem tráfego e começou a ter pedágio, o que pode gerar caixa para o projeto.

Da credora à controladora: como a JiveMauá virou a mesa

A ideia inicial era que o fundo da JiveMauá se tornasse apenas credor da concessionária. Mas a gestora acabou enxergando uma oportunidade de se tornar dona de um bom negócio, explica Bruno Gomes. "A Azevedo & Travassos era controlada pela Reag, que foi envolvida na operação Carbono Oculto, e aí surgiram problemas para captar recursos e fazer aportes", diz. Tanto que a condição para a JiveMauá financiar a operação foi a saída da Reag da Azevedo & Travassos, o que acabou acontecendo em setembro do ano passado.

Foi ao longo das negociações e do contato com o dia a dia da concessão como credora que a JiveMauá amadureceu a decisão de converter o empréstimo em participação na companhia. "É um ativo premium, mas sofria com um controlador que tinha uma complexidade, então resolvemos comprar o controle", afirma Gomes. O executivo destaca que é a primeira vez que a JiveMauá assume o controle de uma operação de infraestrutura. "Temos exposição ao setor em fundos de recebíveis e de infraestrutura, mas apenas com viés de crédito. Agora inauguramos uma nova linha de atuação com investimento em participação em concessionárias de rodovia que pode se estender a outras empresas e setores."

O momento do mercado: leilões mais amigáveis e novas oportunidades

Ajuda na nova linha de atuação da JiveMauá o fato de os leilões de concessões estarem mais amigáveis para participantes do setor financeiro. Esses investidores acabaram ocupando o lugar dos estratégicos depois dos problemas com a Operação Lava Jato, explica Bernardo Guterres, responsável por crédito estruturado da área de situações especiais da gestora. Com um equilíbrio melhor na relação entre concessionária e concessão, Guterres acredita que devem surgir novas oportunidades em rodovias e outros setores de infraestrutura. "Estamos começando essa estratégia com um bom ativo e certamente vamos querer expandir esse negócio", diz.

Estrutura e equipe: quem vai tocar a Rota Verde

Para comandar a operação da Rota Verde, a JiveMauá tem como sócia uma empresa de pavimentação que já atuava na concessão e montou uma equipe de especialistas em rodovias, afirma Diego Fonseca, sócio e diretor financeiro da gestora. "Estamos há alguns meses participando do dia a dia da gestão e aumentando nosso conhecimento do setor, até para fazer outros investimentos", diz. Segundo ele, a gestora já está olhando outras concessões de rodovias, principalmente no Centro-Oeste. "Inclusive já iniciamos algumas negociações e queremos expandir isso."

Fonseca explica que a JiveMauá quer também estar preparada para montar outros veículos dedicados para participar do capital desses ativos de infraestrutura diretamente. "Isso se encaixa muito bem no modelo de Fundo de Investimento em Participações (FIP) de Infraestrutura, que pode ser listado e é interessante para o investidor pessoas físicas", diz. No caso da Rota Verde, o instrumento usado foi o fundo de situações especiais pela situação inicial da empresa, mas a carteira também levantou recursos junto a pessoas físicas. "Faz parte da nossa filosofia democratizar o acesso a investimentos que normalmente ficariam apenas com clientes institucionais", acrescenta Bruno Gomes.

O fundo de situações especiais: números e perspectivas

A estratégia de situações especiais na JiveMauá tem hoje R$ 9,2 bilhões sob gestão, dos quais R$ 2,6 bilhões no Fundo IV, que comprou a participação na Rota Verde. "Ele está no período final de investimento e vamos iniciar a captação de um novo fundo em breve", afirma Gomes. Segundo ele, o momento é propício para esse tipo de estratégia, já que muitas empresas enfrentam dificuldades pela taxa de juros alta e pelas restrições de crédito por parte dos bancos e do mercado de capitais. "Temos muitas empresas boas com acionistas com estresse financeiro e que, depois de resolver o problema de endividamento, têm muito potencial de ganho."

O que esperar: próximos passos da JiveMauá

Com a entrada no controle da Rota Verde, a JiveMauá abre uma nova frente de negócios. A gestora já está de olho em outras concessões de rodovias no Centro-Oeste e iniciou negociações. Ao mesmo tempo, estuda montar veículos dedicados, como FIPs de Infraestrutura, para atrair investidores pessoas físicas. A operação mostra como fundos de situações especiais podem converter crédito em participação, especialmente em um cenário de juros altos e restrição de crédito.

Perguntas Frequentes

O que é a JiveMauá?

A JiveMauá é uma gestora de investimentos brasileira que atua em várias frentes, incluindo crédito, infraestrutura e situações especiais. Com a compra da Rota Verde Goiás, ela estreia como controladora de uma empresa de infraestrutura.

O que é a Rota Verde Goiás?

É uma concessionária que opera trechos das rodovias BR-060 e BR-452, corredor logístico estratégico para o escoamento de soja e grãos em Goiás. O contrato de concessão é de 30 anos.

Quanto a JiveMauá pagou pela Rota Verde?

O valor do negócio não foi divulgado na fonte. Sabe-se que a gestora adquiriu 80% do capital da concessionária e fez um aporte inicial de R$ 400 milhões para atender às exigências da concessão.

O que muda com a entrada da JiveMauá?

A gestora assume o controle operacional e financeiro da concessão, trazendo equipe especializada e planos de investimento de R$ 4 bilhões em 30 anos, com foco em duplicação e manutenção da rodovia.

A JiveMauá pretende comprar outras concessões?

Sim. Segundo Diego Fonseca, a gestora já está analisando outras concessões de rodovias, principalmente no Centro-Oeste, e iniciou negociações para expandir a nova linha de atuação.

Como investir nesse tipo de ativo?

A JiveMauá estuda montar Fundos de Investimento em Participações (FIP) de Infraestrutura, que podem ser listados e acessíveis a investidores pessoas físicas, democratizando o acesso a esse tipo de investimento.

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