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Ibovespa em 200 mil pontos? Veja o que esperar do índice

O Ibovespa (IBOV) mostrou em 2026 uma dependência clara do fluxo estrangeiro: até 1º de setembro, a entrada de capital externo somava R$ 19,1 bilhões no ano. Nos primeiros meses, os recursos dos investidores internacionais empurraram o índice para perto dos 200 mil pontos. A partir de abril, porém, o rali de inteligência artificial e a guerra no Oriente Médio trouxeram cautela, e o capital externo deixou o Brasil em peso.

Especialistas consultados pelo Money Times ainda veem espaço para o retorno desse investidor, desde que fatores externos se acomodem e haja definição sobre contas públicas e Selic. Para o analista Rafael Winalda, do banco Inter, o conflito no Oriente Médio é o principal driver do Ibovespa. "O capital estrangeiro pode voltar, mas é preciso um cenário menos incerto, ou seja, uma resolução do conflito, um recuo do petróleo e um alívio na inflação. Os argumentos-chave ainda são externos", afirma.

Winalda também nota que o humor do investidor local é mais afetado pelas eleições de outubro e pela temporada de balanços corporativos, vista como fraca. "O nível de juros machuca bastante empresas alavancadas", diz, prevendo volatilidade até a virada do ano. O Inter projeta mais três cortes na Selic, levando o juro a 13,25% ao fim de 2026, e adota um múltiplo P/L de 9,5 vezes, considerado conservador. Cruzando esse múltiplo com as projeções de lucro, o preço-alvo é de aproximadamente 193 mil pontos para o Ibovespa no fim de 2026 e 204 mil pontos para 2027.

Já Bruna Sene, analista da Rico, avalia que o quadro doméstico começou a impactar o índice nos últimos dois meses, com resultados corporativos mais fracos e receios eleitorais. A Rico não trabalha com preço-alvo e condiciona o desempenho às urnas. "Passadas as eleições, o IBOV vai depender muito da política fiscal que entrará em vigor a partir do próximo ano", diz. Ainda assim, vê assimetria positiva no curto prazo, considerando a correção recente.

Paula Moreno, co-CIO da Armor Capital, atribui a segunda "pernada" de saída do fluxo estrangeiro à entrada das eleições no radar dos gringos, de junho para julho. Para ela, os juros reais elevados e o risco eleitoral pesam contra o Ibovespa, que segue "sem muito appeal" e até caro. Mas, após a debandada, o índice poderia respirar com qualquer surpresa de candidato de centro-direita ou sinalização de ajuste fiscal crível. O índice saltou quase 10 mil pontos em três dias com pesquisas eleitorais mais acirradas entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas no pregão de quinta-feira (3) o "trade eleitoral" perdeu tração, com o Ibovespa fechando aos 185.188,13 pontos, em leve queda de 0,01%.

O ciclo sempre vira, mas o timing depende de clareza externa e fiscal. Quem acompanha o mercado sabe que o fluxo estrangeiro é o fiel da balança, e ele só volta com previsibilidade. o que esperar da Selic em 2026 como o câmbio afeta a bolsa

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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