Ibovespa tem 9ª alta seguida; dólar cai a R$ 5,18
Ibovespa fecha em alta de 1%, aos 177.418,78 pontos, com Petrobras e rotação de investidores. Dólar cai a R$ 5,18, mas mês ainda é de valorização.
O Ibovespa (IBOV) registrou a nona alta consecutiva nesta segunda-feira (31), com ganho de 1%, aos 177.418,78 pontos. O desempenho destoou do exterior, apoiado em ações de commodities, como a Petrobras (PETR4), e na rotação de investidores. No mês, o índice acumulou leve queda de 0,32%, com a volatilidade do fluxo estrangeiro diante de riscos fiscais e eleitorais.
O dólar à vista encerrou a R$ 5,1801, em queda de 0,32%. No mês, porém, a moeda americana subiu 2,16% ante o real, enquanto o DXY perdeu força globalmente (-0,39%).
Os investidores seguiram atentos às pesquisas eleitorais. No levantamento AtlasIntel/Bloomberg, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 47,1% das intenções de voto, contra 42,6% do senador Flávio Bolsonaro (PL), em cenário de segundo turno. Com 4,5 pontos de vantagem e margem de erro de 1 ponto, Lula lidera isolado. Já na pesquisa BTG Pactual/Nexus, os dois aparecem empatados tecnicamente, com 46% e 45%, respectivamente.
Segundo Gabriel Magno, chefe da mesa de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, o Ibovespa operou em tom positivo principalmente pela Petrobras, que saltou 3% e tem participação relevante no índice. "Essa combinação fez com que o índice subisse mais de 1% hoje", afirma. O petróleo Brent subiu mais de 4%, acima de US$ 90 o barril, reacendendo temores inflacionários. PETR3 avançou 4,23% (R$ 40,29) e PETR4 disparou 3,38% (R$ 45,02), sendo a ação mais negociada da B3.
O setor de bancos também impulsionou: o Índice Financeiro (IFNC) subiu 1,24%, com o Banco do Brasil (BBAS3) avançando 2,83%, a R$ 20,74. Na ponta oposta, a Vale (VALE3) caiu 0,42%, a R$ 78,58. Vale, Petrobras e bancos correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
A MRV (MRVE3) liderou os ganhos, com salto de 6,17% (R$ 5,51), com o alívio dos juros futuros. A Embraer (EMBJ3) caiu 1,82% (R$ 93,49), penalizada pela valorização do real. Em Wall Street, os índices fecharam em queda. Na Europa, o Stoxx 600 recuou 0,62%. Na Ásia, o Nikkei caiu 0,14% e o Hang Seng subiu 0,07%.
O ciclo sempre vira, e o investidor que acompanha a bolsa brasileira sabe que a combinação de commodities fortes e cenário político local pode sustentar altas, mas a volatilidade do fluxo estrangeiro segue como ponto de atenção análise de mercado.