Ibovespa salta 2,71% com fluxo estrangeiro; Yduqs lidera alta
O Ibovespa interrompeu a sequência de três perdas semanais com alta de 2,71%, fechando aos 177.664,62 pontos, impulsionado pela retomada do fluxo estrangeiro e pela queda do petróleo. O dólar à vista subiu 1% na semana, para R$ 5,1965. Segundo Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, a recuperação teve dois motores: a queda do petróleo, que melhora o cenário inflacionário, e o retorno de estrangeiros recompondo posições em ações como Vale (VALE3) e bancos.
Investidores estrangeiros aportaram cerca de R$ 3,2 bilhões no mercado à vista na última semana, segundo o Bank of America (BofA), revertendo parte das saídas de quase R$ 22 bilhões em julho. No ano, o saldo segue positivo em R$ 16 bilhões. O cenário político também agitou os negócios, com pesquisas mostrando redução da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro. Dados de emprego e inflação vieram melhores que o esperado: desemprego em 5,3% no trimestre até julho, Caged com 58.568 vagas criadas, e IPCA-15 em queda de 0,40% no mês, com alta de 4,24% em 12 meses.
A leitura de juros mais baixos abriu espaço para novos cortes na Selic, hoje em 14% ao ano, com o DI para janeiro de 2027 a 13,610%. No corporativo, Braskem (BRKM5) entrou em recuperação extrajudicial com dívidas de US$ 11 bilhões, e a B3 excluiu suas ações do Ibovespa. Nos EUA, o Fed sinalizou alta de juros, com 57% de chance de elevação em setembro, após o PCE registrar 3,7%.
A Yduqs (YDUQ3) liderou as altas com a fusão com a Afya no radar. Segundo o Itaú BBA, a combinação ampliaria a presença geográfica, com 5.888 vagas de medicina e cerca de 15% do mercado. Já a Brava Energia (BRAV3) foi a maior queda, com incertezas sobre a gestão da Ecopetrol, que forneceu poucos detalhes sobre o plano estratégico, segundo BTG Pactual e BofA.
o que é o Ibovespa e como ele é calculado
O movimento da semana reforça o impacto do fluxo estrangeiro e dos dados macro na renda variável. Para quem acompanha o mercado, a leitura é de cautela: a aposta em cortes da Selic pode ser testada pela inflação, e a fusão Yduqs-AfyA ainda depende de aprovações. O câmbio e a política externa seguem como variáveis de risco.