Ibovespa recua com exterior e cenário político; dólar sobe a R$ 5,14
O Ibovespa recuou 0,91%, aos 185.500,88 pontos, pressionado pelo exterior e pelo cenário político doméstico. O dólar à vista subiu 0,44% e encerrou a R$ 5,1479, com juros longos dos EUA no maior nível desde 2023.
O Ibovespa começou a semana em baixa. Na segunda-feira (14), o principal índice da bolsa brasileira caiu 0,91%, aos 185.500,88 pontos, enquanto o dólar à vista subiu 0,44% e encerrou a R$ 5,1479. A cautela veio de fora e de dentro: o conflito no Oriente Médio segue pressionando o petróleo, os títulos dos Estados Unidos dispararam e o cenário político doméstico continuou no radar dos investidores.
O movimento dialoga com a trajetória recente do câmbio. O dólar PTAX de venda vinha de R$ 5,0856 em 08/09/2026 e R$ 5,0918 em 11/09/2026, segundo o Banco Central, e fechou a R$ 5,1696 em 14/09/2026. A alta desta segunda acompanha esse degrau, não rompe a série.
O que pesou no pregão
O rendimento do tesouro americano de 10 anos avançou para 5,004%, o maior nível desde 2023. Para o analista de investimentos da Nomad, Luca Girardi, o Ibovespa acompanhou a baixa no exterior. "A elevação das curvas globais de juros pressionou os setores mais cíclicos, como o de construção civil, enquanto nomes defensivos se mantiveram resilientes", afirmou.
Na política, a nova pesquisa BTG Pactual/Nexus para a eleição presidencial mostrou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47% e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 46% no segundo turno. Na semana anterior, Lula tinha 45% e Flávio, 46%. No levantamento da Quaest, Lula aparece com 40% e Flávio Bolsonaro com 42% em eventual segundo turno. Também seguem no noticiário os ruídos no Supremo Tribunal Federal (STF), com a relação entre integrantes da corte e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, além dos desdobramentos do envio de emendas parlamentares para financiar o filme "Dark Horse".
Como se comportaram as ações
A ponta negativa do Ibovespa foi liderada por CSN Mineração (CMIN3), com baixa de 6,85% (R$ 6,26), em linha com o minério de ferro, juros longos mais elevados e menor apetite por ativos cíclicos, na avaliação do sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos. A ponta positiva ficou com Totvs (TOTS3), que subiu 4,34% (R$ 34,37).
As blue chips fecharam em tom negativo. Petrobras (PETR4; PETR3) terminou sem direção única, apesar do avanço do petróleo Brent: PETR3 caiu 0,48% (R$ 54,26) e PETR4 subiu 0,22% (R$ 49,11). O setor de bancos perdeu ritmo, com o Índice Financeiro (IFNC) em queda de 0,31%, puxado por Banco do Brasil (BBAS3), que recuou 1,29% (R$ 22,20). Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, desabou 3,48% (R$ 75,48) e foi a ação mais negociada da B3 no pregão. Vale, Petrobras e bancos correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
O exterior e o fechamento global
Os índices de Wall Street encerraram o pregão em queda, com preocupações sobre a inteligência artificial, petróleo ainda acima de US$ 100 e expectativa por decisão de juros. Na Europa, os mercados fecharam majoritariamente em baixa: o índice pan-europeu Stoxx 600 cedeu 0,49%, aos 635,99 pontos. Na Ásia, os índices terminaram sem direção única: o Nikkei, do Japão, caiu 0,81%, aos 63.492,99 pontos, e o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,45%, aos 24.917,60 pontos.