Ibovespa recua com cenário político e petróleo no foco
Ibovespa opera em baixa de 1,62% aos 184.177 pontos, pressionado pela cautela eleitoral e pela alta do petróleo. Dólar sobe a R$ 5,17 e Focus reduz projeção de inflação para 2026.
O Ibovespa (IBOV) abriu o pregão desta segunda-feira (14) em queda de 1,62%, aos 184.177,92 pontos, por volta de 10h13 (horário de Brasília). O movimento reflete a cautela com as eleições e o cenário geopolítico, com o petróleo em alta.
No mesmo horário, o dólar à vista subia 0,92%, a R$ 5,1729, acompanhando a moeda no exterior. O DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, avançava 0,56%, aos 99.682 pontos.
Pesquisa eleitoral e Focus movem o mercado
Pesquisa BTG Pactual/Nexus para a eleição presidencial de 2026, divulgada nesta segunda (14), mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 42% e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 37% no primeiro turno. Em eventual segundo turno, Lula aparece com 47% contra 46% de Flávio Bolsonaro, ante 46% a 45% na semana passada. Nenhum/branco/nulo somam 6% e 1% está indeciso ou não respondeu.
A rejeição a Lula caiu de 49% para 48%, enquanto a de Flávio Bolsonaro permaneceu em 50%. O potencial de voto de Lula subiu de 47% para 50%, e o de Flávio Bolsonaro foi de 47% para 48%.
O Relatório Focus, divulgado nesta segunda pelo Banco Central, mostrou que os economistas reduziram a mediana do IPCA de 2026 de 5% para 4,90%. Para 2027, a projeção subiu de 4,29% para 4,30%, na quinta semana consecutiva de avanço. A estimativa para o PIB de 2026 recuou de 1,93% para 1,89%; para 2027, de 1,50% para 1,45%; e para 2028, de 1,96% para 1,87%.
O câmbio para 2026 ficou estável em R$ 5,20, e para 2027 caiu de R$ 5,30 para R$ 5,28. A projeção para a Selic em 2026 foi mantida em 13,75%.
Decisão de juros e tensão no Oriente Médio
Na quarta-feira, Brasil e Estados Unidos decidem política monetária. O mercado, após dados mais elevados da inflação norte-americana na última semana, consolidou aposta de elevação de 0,25 ponto percentual nos EUA, segundo a ferramenta Fed Watch, do CME Group. No Brasil, após dados mais benignos de inflação e atividade, é esperada redução de 0,25 ponto, levando a Selic a 13,75%.
No Oriente Médio, países árabes do Golfo Pérsico cancelaram reunião com o Irã prevista para esta segunda. Os houthis do Iêmen lançaram novo ataque contra a Arábia Saudita, ampliando a guerra a outro teatro de operações e comprometendo o abastecimento global de petróleo.
Os houthis, alinhados com o Irã, afirmaram ter disparado dezenas de mísseis e drones contra uma base aérea militar saudita em Khamis Mushait, atingindo hangares, radares, pistas e depósitos de munição. Descreveram o ataque como retaliação a centenas de ataques aéreos sauditas contra o Iêmen nos últimos dias. As autoridades sauditas anunciaram breves alertas de emergência na região e em outras três cidades do sul.
Na semana passada, os houthis tomaram uma ilha na foz do Mar Vermelho. Um ataque separado na sexta-feira, que Riad atribuiu a combatentes apoiados pelo Irã no Iraque, danificou o oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita, principal rota que contorna o Estreito de Ormuz, bloqueado.
Com o fechamento do oleoduto, o petróleo apresentou nova alta relevante. Por volta de 10h15, o Brent para novembro subia 4,28%, a US$ 109,09 o barril, na ICE, em Londres. O WTI para outubro avançava 4,03%, a US$ 104,11 o barril, na Nymex.
Quem acompanha o mercado há anos sabe que dias de decisão de juros e tensão geopolítica exigem atenção redobrada à volatilidade. Dinheiro é decisão, não sorte.