Ibovespa a 250 mil pontos e dólar a R$ 4,50? Veja projeção
O Morgan Stanley projeta, em cenário otimista com ajuste fiscal crível, dólar a R$ 4,50, DI longo a 12% e Ibovespa a 250 mil pontos até 2027. No cenário base, dólar a R$ 5,25 e bolsa a 215 mil pontos. Veja os detalhes.
O Morgan Stanley avalia que, em um cenário otimista, com ajuste fiscal que estabilize a dívida pública, o dólar à vista pode cair a R$ 4,50, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) de longo prazo teria alívio para 12% e o Ibovespa (IBOV) poderia saltar aos 250 mil pontos ao final de 2027. Este não é o cenário oficial do banco, que trabalha com uma estimativa mais conservadora: dólar a R$ 5,25, bolsa em 215 mil pontos e DI longo em 15% no mesmo horizonte.
"O cenário otimista está mais alinhado ao consenso, mas vemos um canal de expectativas mais rápido: um plano crível de vários anos poderia reduzir os prêmios de risco, fortalecer o real e abrir espaço para uma flexibilização monetária antes mesmo de uma melhora do resultado primário, um 'choque de gradualismo'", explica o banco.
Na avaliação do Morgan Stanley, a eleição brasileira é um catalisador decisivo para a renda variável, pois poderia abrir espaço para queda ou alta adicional do Ibovespa. As eleições de outubro apontam para uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com segundo turno cada vez mais provável. Para o banco, Lula propõe continuidade ampla do atual arcabouço fiscal e papel mais ativo do Estado, enquanto Flávio defende regras fiscais mais rígidas, redução da estrutura administrativa, privatizações e maior abertura comercial. A execução, contudo, dependerá também da composição do Congresso e do mapa dos governos estaduais.
"Em nossa visão, a principal distinção no período pós-eleição será, portanto, a credibilidade do regime fiscal de médio prazo do novo governo", afirma o banco. Um programa de ajuste gradual crível e politicamente viável poderia reduzir rapidamente as expectativas de inflação e os prêmios de risco fiscal, melhorar o trade-off da política monetária e iniciar um ciclo virtuoso de retroalimentação macrofinanceira, antes mesmo de o resultado primário melhorar significativamente.
Por outro lado, o banco alerta que a percepção de um sinal fiscal limitado poderia provocar deterioração não linear das expectativas, das condições financeiras e da dinâmica da dívida, mesmo que o desvio fiscal no curto prazo permaneça limitado. Sem ajuste fiscal crível, pode haver ciclo de prêmios de risco mais elevados, enfraquecimento do real, espaço limitado para cortes de juros pelo Banco Central (BC), atividade econômica mais fraca e deterioração da dinâmica da dívida. Nesse cenário, o dólar à vista poderia chegar a R$ 6, o DI longo para 2027 alcançaria 18% e o Ibovespa desabaria aos 130 mil pontos.
Para o investidor, o recado é de cautela: as projeções dependem fortemente do desenho da política fiscal pós-eleição e da credibilidade do novo governo. Acompanhar os sinais do BC e a trajetória da dívida pública será essencial para calibrar expectativas, seja no câmbio, na renda fixa ou na bolsa. como investir em renda fixa com DI alto o que esperar do câmbio em 2027