Ibovespa opera perto da estabilidade com CPI dos EUA; petróleo pesa
Ibovespa opera perto da estabilidade após CPI dos EUA em linha com o esperado, mas petróleo pesa. Dólar cai, serviços surpreendem e BB3 deve mostrar resultados fracos. Veja 5 pontos antes de investir.
O Ibovespa opera perto da estabilidade nesta quarta-feira (12), com leve alta de 0,07% aos 167.984 pontos por volta de 10h10 (horário de Brasília), após o CPI dos EUA vir em linha com o esperado. O petróleo, porém, pesa nos ativos brasileiros, com o Brent recuando após a Opep cortar a previsão de demanda para 2026. O dólar cai ante o real, e o setor de serviços surpreende. Veja 5 pontos para saber antes de investir hoje.
O que o CPI dos EUA sinaliza para o Fed
O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos avançou 0,1% em julho, informou o Departamento do Trabalho nesta quarta-feira (12). Em maio, o índice havia recuado 0,4%. No acumulado de 12 meses, a inflação soma 3,4%, em linha com o esperado pelo mercado. Os preços seguem acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve (Fed).
O núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% em julho e 2,5% no ano, após alta de 2,6% em relação ao ano anterior. O índice de habitação subiu 0,1%, representando aproximadamente dois terços do aumento mensal de todos os itens. Alimentação subiu 0,1%, e alimentação fora de casa, 0,3%. Energia caiu 1,5%.
Na ferramenta Fed Watch, do CME Group, a aposta de alta nos juros pelo Fed na reunião de outubro é de 53,2%. O dado em linha corrobora um cenário de banco central menos agressivo, o que ajuda o humor externo.
Petróleo inverte sinal e cai com Opep
Após a divulgação das projeções da Opep, os preços do petróleo inverteram o sinal e passaram a cair. Por volta de 10h13, o Brent para outubro recuava 0,63%, a US$ 88,35 o barril, na ICE, em Londres. O WTI para setembro caía 0,42%, a US$ 82,84 o barril, na Nymex.
A Opep reduziu em 200 mil bpd a previsão de crescimento da demanda global pela commodity em 2026, para 600 mil bpd. Se confirmada, a projeção indica consumo mundial de 105,74 milhões de bpd em 2026. Para 2027, a Opep elevou em 300 mil bpd a estimativa, para 2,2 milhões de bpd, o que levaria o consumo a 107,90 milhões de bpd.
A demanda nos países da OCDE deve cair 40 mil bpd em 2026 e crescer 300 mil bpd em 2027. Fora da OCDE, a expectativa é de altas de 600 mil bpd em 2026 e de 1,8 milhão de bpd em 2027.
Os ataques recentes a navios no Estreito de Ormuz seguem sem sinais de avanço para um acordo entre EUA e Irã. Uma fonte iraniana de alto escalão à Reuters afirmou que não houve discussões para prorrogar o cessar-fogo, pois, na perspectiva de Teerã, o acordo não tinha data de início. Ontem, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a afirmar que os EUA detêm o controle sobre o estreito e fez novas ameaças ao Irã.
Dólar cai ante o real
No mesmo horário, o dólar à vista operava em queda ante o real, na esteira do desempenho da moeda no exterior. A moeda era negociada a R$ 5,1581 (-0,05%). O DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, caía 0,18%, aos 99.644 pontos.
O movimento reflete o exterior positivo após o CPI em linha, que reduz a pressão por alta de juros nos EUA. Para o investidor local, a queda do dólar tende a aliviar a inflação importada e pode favorecer setores dependentes de insumos externos.
Setor de serviços surpreende em junho
O setor de serviços brasileiro ficou estável em junho na comparação com o mês anterior, contrariando a expectativa de economistas de nova queda. O volume de serviços apontou alta de 2,0% em junho em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pelo IBGE.
Os resultados foram melhores do que as expectativas em pesquisa da Reuters com economistas, que previam recuo de 0,2% no mês e alta de 1,4% na base anual. O setor está 0,3% abaixo do topo da série histórica, alcançado em outubro de 2025. Em maio, o volume de serviços caiu 0,2% sobre o mês anterior.
A estabilidade mensal corrobora a tendência de enfraquecimento da economia, mas o dado veio melhor que o esperado, o que pode dar algum suporte ao Ibovespa.
Banco do Brasil: resultado pressionado por crédito rural
O Banco do Brasil (BBAS3) deve apresentar mais um trimestre de resultados pressionados pela deterioração da carteira de crédito rural. A divulgação será nesta quarta-feira (12), após o fechamento do mercado. Em agosto, a ação do BB já recua 8%, o que pode indicar que o mercado já precifica um resultado mais fraco.
A Medida Provisória 1.376/2026, que prevê a renegociação de dívidas rurais, pode ajudar a reduzir a pressão sobre o banco, mas seus efeitos ainda devem demorar a aparecer no balanço. Os analistas seguem cautelosos quanto à recuperação dos lucros.
Para o investidor, o recuo de 8% em agosto pode ser oportunidade ou armadilha, dependendo do balanço. O crédito rural é um dos principais vetores de risco do banco, e a MP pode ser um alívio gradual, não imediato.
Perguntas Frequentes
O que é o CPI dos EUA e por que ele afeta o Ibovespa?
O CPI é o índice de preços ao consumidor dos EUA. Quando vem em linha com o esperado, reduz a chance de alta de juros pelo Fed, o que favorece ativos de risco como o Ibovespa.
Por que o petróleo caiu após o relatório da Opep?
A Opep reduziu a previsão de crescimento da demanda global em 2026, o que pressionou os preços. O Brent recuou 0,63%, a US$ 88,35, e o WTI caiu 0,42%, a US$ 82,84.
O que esperar do resultado do Banco do Brasil?
O BB deve mostrar resultados pressionados pela deterioração do crédito rural. A ação já recua 8% em agosto, e a MP 1.376/2026 pode ajudar, mas os efeitos devem demorar.
Como o setor de serviços influencia a economia?
O setor ficou estável em junho, com alta de 2,0% na base anual, melhor que o esperado. Isso corrobora tendência de enfraquecimento, mas reduz o risco de recessão mais forte.
Qual a relação entre o Estreito de Ormuz e o petróleo?
Ataques recentes a navios no estreito elevam o risco de interrupção no fornecimento. Um acordo entre EUA e Irã, porém, segue sem avanço, segundo fonte iraniana à Reuters.
- Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters
o que é o cpi e como ele afeta seus investimentos como a queda do petróleo impacta a bolsa brasileira banco do brasil: vale a pena investir após a queda de agosto