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Ibovespa perto da estabilidade após inflação benigna nos EUA; veja 5 coisas

ResumoIbovespa opera perto da estabilidade nesta sessão, após dados de inflação benigna nos Estados Unidos adiarem expectativas de alta de juros pelo Federal Reserve. Riscos fiscais domésticos permanecem no radar dos investidores, enquanto o varejo brasileiro surpreende positivamente e o Banco do Brasil reporta lucro acima do esperado. A bolsa paulista reflete cenário misto entre alívio externo e cautela interna.

Ibovespa opera perto da estabilidade, com riscos fiscais no radar. Inflação benigna nos EUA adia alta de juros. Varejo surpreende, BB reporta lucro. Veja 5 coisas para saber antes de investir hoje.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 13 de agosto de 2026
Ibovespa perto da estabilidade após inflação benigna nos EUA

Ibovespa perto da estabilidade após inflação benigna nos EUA e balanço do BB; 5 coisas para saber antes de investir hoje (13)

O Ibovespa opera perto da estabilidade nesta quinta-feira, ainda sob o peso dos riscos fiscais e eleitorais no radar dos investidores. Por volta de 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira registrava leve baixa de 0,09%, aos 167.337 pontos. O movimento reflete a combinação entre uma inflação ao produtor dos Estados Unidos mais fraca que o esperado e a expectativa em torno dos balanços domésticos, como o do Banco do Brasil (BBAS3).

O que move o mercado hoje: a inflação ao produtor (PPI) dos EUA ficou estável em julho, o que adiou a aposta de alta nos juros pelo Federal Reserve (Fed) de outubro para dezembro. No Brasil, as vendas no varejo surpreenderam positivamente em junho, mas o Banco do Brasil perdeu o status de 'porto seguro' da bolsa. Veja os 5 pontos que você precisa saber antes de investir hoje.

1. Ibovespa perto da estabilidade, com riscos fiscais no radar

O Ibovespa opera perto da estabilidade, ainda com o mau humor no mercado doméstico. Os riscos fiscais e eleitorais seguem no centro das atenções dos investidores, enquanto a atividade brasileira mostra trajetória de desaceleração.

No mesmo horário, o dólar à vista operava em alta ante o real, seguindo o desempenho da moeda no exterior. A moeda era negociada a R$ 5,1772, com leve variação de -0,05%. Já o DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, caía 0,18%, aos 99.835 pontos.

2. Inflação benigna nos EUA adia alta de juros

Os preços ao produtor (PPI) nos Estados Unidos ficaram estáveis em julho, com queda nos preços dos bens. Apesar disso, um aumento no custo dos serviços sugere que a inflação pode permanecer elevada. A estabilidade do índice de preços ao produtor para a demanda final no mês passado seguiu-se a uma queda revisada de 0,1% em junho, informou o Bureau de Estatísticas do Trabalho do Ministério do Trabalho.

Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,2% do índice, após recuo de 0,3% divulgado anteriormente em junho. Com o dado mais fraco que o esperado, o mercado adiou a aposta por uma alta nos juros pelo Fed de outubro para dezembro.

Para o investidor brasileiro, o impacto é direto: juros mais baixos nos EUA tendem a enfraquecer o dólar globalmente e podem abrir espaço para fluxo de recursos a mercados emergentes, como o Brasil.

3. Varejo brasileiro surpreende, mas 2º trimestre deve fechar negativo

As vendas no varejo brasileiro avançaram 0,5% em junho na comparação mensal, após alta de 0,3% em maio, e subiram 2,9% na comparação anual, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 0,3% na mensal e de avanço de 2,35% na anual.

Na avaliação do economista Matheus Pizzani, do PicPay, apesar da surpresa positiva na margem, o comércio varejista caminha para fechar o segundo trimestre com saldo negativo. Segundo ele, o desempenho foi prejudicado em grande medida pela forte queda observada em abril, cuja influência da eclosão do conflito no Oriente Médio respondeu por parte do mau desempenho do período.

"A perspectiva, no entanto, é relativamente positiva para o setor em relação aos seus pares", complementa Pizzani.

Para quem investe em ações de varejo, o dado de junho traz alívio pontual, mas a leitura do trimestre completo ainda pede cautela.

4. Banco do Brasil lucra R$ 3,9 bi no 2T26, mas perde status de 'porto seguro'

O Banco do Brasil (BBAS3) reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), alta de 3,3% ante o mesmo período de 2025, mostra documento enviado ao mercado nesta quarta (12). Em relação ao primeiro trimestre, a elevação é de 13,9%. A cifra ficou acima do consenso da Bloomberg, que aguardava lucro de R$ 3,5 bilhões.

Apesar do resultado positivo, um conjunto de fatores, que incluem a piora da inadimplência do agronegócio e a nova resolução da CMN nº 4.966/2021, que endureceu e obrigou os bancos a elevarem as provisões para calotes, fez o banco perder o seu status de 'porto seguro' da bolsa.

Na prática, o investidor que via o BB como refúgio defensivo precisa reavaliar o risco, especialmente diante do cenário de crédito mais apertado para o agronegócio.

5. Senado aprova travas fiscais que podem gerar R$ 10 bi em economia

O Senado aprovou nesta quarta-feira projeto de lei complementar que, além de trazer regras para compensar renúncia de receitas da União para amenizar impacto da alta dos preços do petróleo, acabou incorporando novos mecanismos de controle dos gastos públicos que podem gerar cerca de R$ 10 bilhões em economia no próximo ano. O PL segue para sanção presidencial.

Inseridas no texto a partir de acordo com a equipe econômica, as travas aos gastos trazem "gatilhos importantes" para conter o crescimento das despesas obrigatórias, disse uma das três fontes que explicaram as novas regras à Reuters, algo amplamente visto como uma das principais vulnerabilidades fiscais da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Aproveitamos para trazer medidas concretas permanentes que nos ajudam na evolução dos controles obrigatórios", disse a jornalistas o ministro da Fazenda, Dario Durigan, após a aprovação do projeto pelo Congresso.

Pela nova proposta, caso o relatório de receitas e despesas do governo que antecede o envio do projeto de lei orçamentária anual aponte para um déficit primário, despesas obrigatórias criadas por legislação ordinária terão seu crescimento limitado no exercício seguinte. Como o relatório fiscal mais recente projetou déficit primário de R$ 52 bilhões neste ano, as medidas já valeriam para o Orçamento do próximo ano, caso sejam aprovadas pelo Congresso.

Petróleo cai após Opep e tensão no Estreito de Ormuz

No cenário internacional, o petróleo inverteu o sinal e passou a cair após a divulgação das projeções da Opep. Por volta de 10h13 (horário de Brasília), o contrato mais líquido do Brent, referência para o mercado internacional, para outubro recuava 2,35%, a US$ 86,89 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Já o contrato do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para setembro operava com queda de 2,69%, a US$ 81,03 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA.

A movimentação ocorre em meio à disputa de narrativas sobre o controle do Estreito de Ormuz. O Estreito está "sob o controle e a gestão do Irã", afirmou nesta quinta-feira o chefe da unidade paramilitar iraniana Basij, Hossein Taeb, um dia depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que os EUA tinham "controle total" sobre a via navegável estratégica.

Taeb disse que os Estados Unidos tentaram minar o que ele descreveu como a popularidade da República Islâmica na região, iniciando mais uma guerra no Estreito de Ormuz, mas foram mais uma vez derrotados, apesar de alegarem que o Irã não possui nem força aérea nem marinha. "Hoje vocês veem que o Estreito de Ormuz está sob a gestão e o controle da República Islâmica", declarou Taeb, segundo a agência de notícias semioficial Fars.

Para o investidor, a queda do petróleo tende a aliviar pressões inflacionárias globais, mas o risco geopolítico permanece como fonte de volatilidade. como a queda do petróleo afeta seus investimentos

O que isso significa para o seu bolso

O cenário combina alívio externo com cautela doméstica. A inflação benigna nos EUA pode abrir espaço para juros mais baixos lá fora, o que costuma beneficiar ativos de risco. No Brasil, porém, os riscos fiscais e eleitorais seguem limitando o apetite por bolsa.

Para quem investe em renda variável, a recomendação é acompanhar de perto os desdobramentos fiscais no Congresso e a trajetória da atividade econômica. O varejo, apesar da surpresa positiva em junho, ainda caminha para um segundo trimestre negativo, o que pede seletividade.

Perguntas Frequentes

O que é o PPI e por que ele afeta o Ibovespa?

O PPI é o índice de preços ao produtor dos EUA, que mede a inflação no atacado. Quando ele vem mais fraco que o esperado, o mercado reduz a aposta de alta de juros pelo Fed, o que tende a beneficiar ativos de risco como a bolsa brasileira.

O que significa o Ibovespa operar perto da estabilidade?

Significa que o índice oscila muito pouco, com variação próxima de zero. Nesta quinta, o Ibovespa operava em leve baixa de 0,09%, aos 167.337 pontos, refletindo um equilíbrio entre notícias positivas e negativas.

O Banco do Brasil ainda é um bom investimento?

O BB reportou lucro acima do esperado no 2T26, mas perdeu o status de 'porto seguro' devido à piora da inadimplência do agronegócio e às novas regras de provisão da CMN. A decisão de investir depende do seu perfil de risco.

Como a aprovação das travas fiscais afeta o mercado?

As travas podem gerar cerca de R$ 10 bilhões em economia no próximo ano, o que reduz o risco fiscal e tende a ser positivo para o mercado, pois diminui a chance de descontrole das contas públicas.

O que é o Estreito de Ormuz e por que importa?

É uma via navegável estratégica por onde passa grande parte do petróleo mundial. Tensões na região podem elevar o preço do barril, mas, nesta quinta, o petróleo caiu após projeções da Opep.

Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters

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