Ibovespa futuro cai com cenário eleitoral e exterior; dólar sobe
Nesta quinta-feira (27), o Ibovespa futuro (INDFUT) caía 0,15%, aos 177.775 pontos, após a abertura às 9h (horário de Brasília), em meio à volatilidade externa, dados de emprego e pesquisa eleitoral no radar. O dólar à vista abriu a R$ 5,1530, com alta de 0,02%.
Para investidores, o cenário combina sinais desinflacionários no Brasil com o risco de juros mais altos nos Estados Unidos. "Esse exterior positivo deve pautar o comportamento do Ibovespa, real e curva de juros, com o sinal desinflacionário do IPCA-15 de agosto contrapondo-se ao risco de juros mais altos nos Estados Unidos, que segue determinante para o fluxo", avaliam os analistas do Bradesco BBI.
Por aqui, o mercado reage aos dados do mercado de trabalho. A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,3% nos três meses até julho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em linha com a mediana das previsões da Reuters.
Na seara política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez coletiva após reunião com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). Alcolumbre afirmou que o Congresso votará na próxima semana a medida provisória da "taxa das blusinhas", e que a CCJ do Senado vai analisar PECs sobre Segurança Pública e fim da escala 6x1. O cenário eleitoral segue em foco, com a redução da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL).
No exterior, os preços do petróleo operam em alta, com atenções voltadas ao Estreito de Ormuz. Nos EUA, investidores reagem ao balanço da Nvidia (NVDA), que reportou receita de US$ 96,2 bilhões no segundo trimestre, impulsionada por US$ 89 bilhões em vendas para data centers. A companhia projeta crescimento de 70% na receita no próximo ano fiscal. No pré-mercado, NVDA sobe mais de 6%; S&P 500 futuro sobe 0,42%, Dow Jones estável e Nasdaq tem alta de 0,92%.
Para o investidor brasileiro, a combinação de juros altos nos EUA e disputa eleitoral acirrada tende a manter a volatilidade. Acompanhar o discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole, previsto para amanhã, pode dar pistas sobre o fluxo de capital para mercados emergentes.