Ibovespa cai na sessão, mas avança 1,1% na semana
O Ibovespa encerrou esta sexta-feira (11) em queda de 0,56%, aos 187.206,89 pontos, pressionado por dados de inflação dos Estados Unidos e pelo avanço das investigações envolvendo o Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro. Na semana, encurtada pelo feriado de segunda, o índice ainda acumulou alta de 1,11%. Ao longo da sessão, marcou máxima de 188.586,47 pontos e mínima de 186.207,69.
A sessão foi marcada por cautela. O ministro Fachin acatou pedido da Procuradoria-Geral da República e determinou que o ministro Mendonça retire o sigilo dos documentos dos inquéritos do caso Master, exceto informações de diligências em curso. No mercado, a leitura era de que a publicidade dos autos pode atingir a popularidade de Flávio, principal oponente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo Planalto.
O senador já havia sido afetado por um áudio em que pede dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para supostamente financiar o filme Dark Horse, que conta a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
"Tem pesquisa para sair, tem o fim de semana, e ninguém sabe o que vem por aí. Então os agentes do mercado se protegem um pouco", afirmou Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora, citando também a alta do dólar antes do fim de semana. Outros dois profissionais ouvidos pela Reuters confirmaram a cautela ligada ao caso e à expectativa pela nova pesquisa Datafolha, prevista para a noite.
IPCA e CPI reforçam apostas sobre Selic e Fed
Mais cedo, o mercado digeriu o IPCA de agosto, que caiu 0,32% após alta de 0,07% em julho, com variação de 4,22% em 12 meses, segundo o IBGE. Os números vieram abaixo das medianas da pesquisa Projeções Broadcast, de -0,29% e 4,26%. A difusão do índice atingiu 54,38% em agosto, ante 46,30% em julho, conforme o banco BV.
Para Marcelo Bassani, economista e fundador da Boa Brasil Capital, a queda do IPCA "abre caminho" para novo corte da Selic, de 14% para 13,75%, na quarta-feira. Nos EUA, o CPI subiu 0,4% na margem e 3,4% em 12 meses, dentro do esperado. Na avaliação de Vinicius Flores, da Stratton Capital, o dado contribui para o Fed elevar os juros, sem sinal claro de desinflação.
O ciclo sempre vira, e desta vez não foi diferente: o que derrubou o índice no dia não apagou o saldo positivo da semana, sustentado pelo fluxo de estrangeiros e por pesquisas que apontam disputa acirrada na eleição de outubro.