Ibovespa "voa" com salto de Wall Street e sobe quase 2% à espera de Vale; dólar cai
O Ibovespa subiu 1,88% nesta quinta-feira (30), aos 177.158,86 pontos, impulsionado pelo apetite a risco global e dados de emprego no Brasil. O dólar à vista caiu 0,93%, a R$ 5,0611. A alta foi liderada por MBRF3 (7,80%) e apoiada por Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3; PETR4), com
O Ibovespa (IBOV) subiu 1,88% nesta quinta-feira (30), aos 177.158,86 pontos, na máxima intradia, impulsionado pelo apetite a risco global e dados econômicos no Brasil e nos Estados Unidos. O dólar à vista caiu 0,93%, a R$ 5,0611.
O principal índice da bolsa brasileira ganhou mais de 3 mil pontos na 'carona' do mercado externo, em dia agitado por balanços corporativos e indicadores de emprego. Com o avanço, o IBOV voltou ao território positivo no acumulado da semana com ganho de 1,79%.
O que impulsionou o Ibovespa hoje?
O mercado brasileiro consolidou a aposta de corte de 25 pontos-base na taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, após a decisão sobre juros nos Estados Unidos na véspera e novos dados do mercado de trabalho.
Pela manhã, a curva a termo precificava praticamente 100% de probabilidade de redução na Selic na próxima quarta-feira (5) e as chances de um novo corte em setembro também aumentaram para cerca de 50%, segundo Flávio Serrano, economista-chefe do banco Bmg.
Dados de emprego no Brasil e impacto no mercado
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% nos três meses até junho, segundo dados do IBGE divulgados nesta manhã, em linha com a previsão dos analistas consultados pela Reuters. Trata-se do menor patamar para o intervalo na série histórica iniciada em 2012.
Para a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, a mensagem que os dados da Pnad trazem segue a mesma dos últimos meses: o mercado de trabalho brasileiro continua aquecido, apesar de alguma moderação no crescimento da renda.
"Mesmo que a desaceleração da atividade econômica possa reduzir o ritmo de criação de vagas ao longo de 2026, esperamos que a taxa de desemprego permaneça em níveis historicamente baixos", afirmou ela. A projeção do C6 é que o indicador encerre o ano em torno de 5,5%.
Ações cíclicas e pesos-pesados lideram a alta
Com o alívio na curva de juros futuros, as ações cíclicas ganharam fôlego ao longo do pregão. MBRF (MBRF3) liderou a ponta positiva do IBOV, com alta de 7,80% (R$ 17,96), com a expectativa de alívio no custo da produção após a liberação da entrada de gado do México nos EUA.
Os pesos-pesados também foram os patrocinadores da alta do Ibovespa. O Índice Financeiro (IFNC) terminou o pregão com alta de 1,45%, apesar da queda das ações do Santander (SANB11), de 1,48% (R$ 25,25), após o JP Morgan rebaixar o papel para neutro em ajuste aos números do 2T26.
Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4; PETR3) em destaque
Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, encerrou o dia com alta de 1,39% (R$ 76,09), com os investidores à espera do balanço do 2T26. A mineradora já adiantou ter entregado o melhor segundo trimestre desde 2018, impulsionada por uma produção robusta e preços favoráveis de suas commodities. Contudo, a principal preocupação que ronda os resultados é a evolução dos custos.
Petrobras (PETR4; PETR3) também acompanhou o apetite doméstico e destoou do tom negativo dos preços do petróleo. PETR3 subiu 2,19% (R$ 48,55) e PETR4 registrou ganho de 2% (R$ 42,84).
Bancos, Vale e Petrobras correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
Ponta negativa: Usiminas (USIM5) cai com balanço
A ponta negativa do IBOV foi liderada pela Usiminas (USIM5), que caiu 9,25% (R$ 7,55), em reação ao balanço trimestral. Na avaliação de analistas, o balanço mostrou uma recuperação consistente da operação de siderurgia, impulsionada por reajustes de preços e um mix de vendas mais favorável. Ainda assim, o mercado segue olhando para o segundo semestre, quando a companhia deve enfrentar custos mais elevados, uma mineração mais fraca e o desafio de continuar elevando os preços do aço para preservar as margens.
Wall Street e Europa: apetite a risco global
Os índices de Wall Street tiveram um dia de fortes ganhos, em recuperação das perdas da véspera, com melhora do apetite a risco e reação ao balanço da Microsoft (MSFT). A ação da companhia disparou 15,5% e fechou cotada a US$ 451,10.
Na Europa, os índices fecharam o pregão em alta com novos dados. Em destaque, a economia da zona do euro cresceu 1,8% em termos anualizados, superando o crescimento nos EUA, que foi de 1,5% no período. Com o resultado mais robusto, o índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com avanço de 0,77%, aos 649,95 pontos.
A exceção foi o FTSE 100, de Londres, que caiu 0,10%, aos 10.897,27 pontos, após o Banco da Inglaterra (BoE) manter os juros em 3,75% ao ano, em uma decisão não-unânime: dos 9 membros, três votaram pela alta de 0,25 ponto percentual nos juros. A dissidência foi maior do que a esperada pela maioria dos economistas consultados pela Reuters, que projetavam manutenção dos juros por 7 votos a 2.
Ásia fecha em alta
Na Ásia, os índices terminaram a sessão em alta: o índice Nikkei, do Japão, subiu 0,71%, aos 61.867,43 pontos, e o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve avanço de 0,20%, aos 25.858,88 pontos.
Perguntas Frequentes
Por que o Ibovespa subiu hoje?
O Ibovespa subiu impulsionado pelo apetite a risco no mercado global, dados de emprego no Brasil (taxa de desemprego em 5,4%) e expectativa de corte na Selic.
Qual foi a cotação do dólar hoje?
O dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,0611, com queda de 0,93%.
Quais ações lideraram a alta do Ibovespa?
MBRF (MBRF3) liderou com alta de 7,80%, seguida por Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3).
O que aconteceu com a Usiminas (USIM5)?
A Usiminas caiu 9,25% em reação ao balanço trimestral, com o mercado de olho nos custos futuros.
Qual a expectativa para a Selic?
O mercado precifica praticamente 100% de probabilidade de corte de 25 pontos-base na próxima reunião do Copom, em 5 de agosto.
Como Wall Street influenciou o Ibovespa?
Os índices de Wall Street tiveram fortes ganhos, com destaque para a Microsoft (MSFT), que subiu 15,5%, melhorando o apetite a risco global.