Dobráveis: Samsung testou, Huawei inovou, Apple chega agora
A Apple lança seu primeiro iPhone dobrável, apostando em um formato que Samsung e Huawei testam desde 2018. Veja a linha do tempo e o impacto no mercado.
A Apple apresenta seu primeiro iPhone dobrável nesta quarta-feira, na sede da empresa, em Cupertino. O lançamento marca uma das maiores mudanças no produto que responde por cerca de metade da receita da companhia e a transformou em gigante global da tecnologia. A aposta é repetir o que o iPhone de 2007 fez com a tela sensível ao toque: popularizar um formato que, apesar dos anos de esforços de Samsung e Huawei, ainda é nicho.
Os dobráveis representam participação de apenas um dígito no mercado global de smartphones. As desvantagens incluem câmeras inferiores, bateria de menor duração e o vinco no centro da tela quando o aparelho é desdobrado. Mas analistas veem a Apple se beneficiando de avanços na cadeia de suprimentos que tornaram os dispositivos mais duráveis e menos propensos a vincos. O Galaxy Fold 8 da Samsung, por exemplo, reduziu significativamente a dobra após anos de investimento.
A história dos dobráveis começa antes da Apple. Em 2018, a chinesa Royole lançou o FlexPai, primeiro smartphone dobrável, com tela de 7,8 polegadas que dobra para fora, mas foi criticado pelo software e dobradiças de plástico. Meses depois, a Samsung lançou o Galaxy Fold de US$ 2.000, primeiro para o mercado de massa, mas enfrentou o "foldgate": críticos, incluindo Marques Brownlee, relataram telas quebradas e descascamento da camada protetora. A empresa adiou o lançamento e recolheu os aparelhos.
Em 2019, a Motorola relançou o Razr com design tipo concha, e a Huawei lançou o Mate X, que dobra para fora. Em 2020, a Microsoft tentou com o Surface Duo, unindo duas telas com dobradiça, mas descontinuou a linha. O Google entrou em 2023 com o Pixel Fold de US$ 1.799, formato passaporte. O salto seguinte veio em 2024, com os modelos de duas dobras: a Huawei lançou o primeiro em setembro, por US$ 2.800, sucesso instantâneo; a Samsung seguiu em dezembro.
Hoje, a Samsung lidera com cerca de 40% do mercado, seguida pela Huawei, com 30%, segundo a Counterpoint. O formato passaporte virou linha divisória: o Google o abandonou, a Samsung o usa em modelos recentes, e a Apple deve adotá-lo por ser melhor para vídeo, com menos barras pretas. A IDC estima alta de quase 30% nas vendas de dobráveis este ano, contra queda de 1,4% nos não dobráveis. "A entrada da Apple aumentará a concorrência no segmento premium, mas há espaço para crescer", diz Tarun Pathak, da Counterpoint.