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PCAR3 e TEND3: por que as ações subiram após o 2T26

ResumoPCAR3 (GPA) e TEND3 (Tenda) registraram alta de 6,91% e 4,99% no pregão após a divulgação dos resultados do 2T26. A Tenda elevou o guidance de lucro, enquanto o GPA apresentou rentabilidade superior às expectativas do mercado. Os papéis reagiram positivamente aos números, embora o GPA mantenha desafios operacionais e financeiros para os próximos trimestres.

PCAR3 subiu 6,91% e TEND3 avançou 4,99% após resultados do 2T26. Enquanto a Tenda elevou o guidance de lucro, o GPA mostrou rentabilidade acima das expectativas, mas segue com desafios. Entenda os números.

Otávio Bandeira
Otávio Bandeira Analista de mercado de capitais · 05 de agosto de 2026
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GPA (PCAR3) e Tenda (TEND3): por que as ações subiram forte após os resultados do 2T?

As ações do GPA (PCAR3) e da Tenda (TEND3) figuraram entre as maiores altas da Bolsa nesta quarta-feira (5), após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. Os papéis PCAR3 subiram 6,91%, a R$ 2,94, enquanto os da Tenda avançaram 4,99%, a R$ 33,45, com fortes ganhos, ainda que distantes das máximas do dia. Os números mostraram cenários distintos, mas o mercado reagiu positivamente aos relatos.

O que explica a alta das ações da Tenda (TEND3)?

A reação positiva das ações da Tenda já era esperada pelo JPMorgan, uma vez que o lucro líquido superou as estimativas do banco e o consenso de mercado em 21% a 24%. O Bradesco BBI, em relatório assinado por Ricardo França e Bruno Mendonça, avalia que os números reafirmam a forte capacidade de execução da companhia e a trajetória ascendente de suas margens.

Na visão da XP, os GLP-1 permaneceram como o principal vetor de crescimento. Os resultados foram sólidos e ficaram acima das projeções em todas as regiões. O principal destaque foi a expansão da margem bruta consolidada para 35,8%, impulsionada por fortes dinâmicas de preços e mix no segmento on-site, que registrou margem de 38,3%.

Os pontos de atenção da Tenda e o novo guidance

Apesar do otimismo, os analistas do JPMorgan destacam que as ações da Tenda acumulam queda de 14% no último mês, enquanto o Ibovespa avançou 2% no mesmo período. Isso reflete as preocupações dos investidores com a desaceleração da velocidade de vendas, que ficou em 24,2%, um recuo de 4 pontos percentuais tanto na comparação trimestral quanto anual, além do potencial limitado de revisões para cima nas estimativas após a elevação do guidance de lucro líquido.

O Goldman Sachs considera que os números foram sólidos, mas com alguns pontos de atenção. O lucro líquido ficou 10% acima das estimativas do banco, impulsionado por uma expansão de margem superior ao esperado. "Esse desempenho foi beneficiado por economias de custos em projetos já entregues, efeito que, segundo a companhia, não deve ser extrapolado para os próximos trimestres."

Olhando para o futuro, a Tenda elevou sua projeção de lucro líquido para 2026 para um intervalo entre R$ 600 milhões e R$ 660 milhões, um aumento de 13,5% no ponto médio da faixa anterior. Ainda assim, o novo guidance permanece abaixo da estimativa do Goldman Sachs, de R$ 681 milhões. Por outro lado, a empresa reduziu em 33%, no ponto médio, a projeção de Ebitda da Alea para 2026, embora tenha mantido inalterada a expectativa de consumo de caixa da divisão. Segundo o banco, a Alea continua sendo uma das principais preocupações dos investidores devido aos desafios na geração de caixa.

GPA (PCAR3): rentabilidade melhor, mas desafios seguem

O JPMorgan avaliou que o GPA apresentou resultados mistos no trimestre, com queda nas vendas, mas melhora da rentabilidade. O Ebitda ajustado superou as expectativas, avançando 7% na comparação anual e ficando 10% acima da estimativa do banco, impulsionado por uma margem de 10,6%.

O recuo de 7% nas vendas brutas refletiu a estratégia da companhia de priorizar canais mais rentáveis, além de problemas temporários de abastecimento durante o processo de reestruturação extrajudicial e um ambiente macroeconômico mais desafiador. A administração afirmou, porém, que esses impactos começaram a diminuir a partir de maio, com retomada do crescimento das vendas em junho.

O Morgan Stanley avaliou que o GPA apresentou um trimestre marcado por rentabilidade acima das expectativas, mas ainda cercado por desafios operacionais e financeiros. As vendas em mesmas lojas (SSS) recuaram 1,2% no segundo trimestre, desacelerando em relação ao crescimento de 0,7% do trimestre anterior e ficando abaixo das projeções. O desempenho foi impactado pelas interrupções operacionais provocadas pelo processo de recuperação extrajudicial no início do período.

Margens do GPA surpreendem, mas contingências pesam

As margens do GPA surpreenderam positivamente. A margem bruta avançou 3,1 pontos percentuais na comparação anual, para 30,5%, enquanto a margem Ebitda ajustada subiu 1,6 ponto percentual, para 10,6%, acima da média das estimativas do mercado, beneficiada parcialmente por créditos tributários. O JPMorgan ainda destacou que a rentabilidade voltou a ser o principal ponto positivo do trimestre, beneficiada por um mix de vendas mais favorável, melhor desempenho do e-commerce e efeitos tributários.

Apesar disso, o Morgan Stanley destacou que despesas operacionais e financeiras continuaram pressionando o resultado líquido e limitando a geração de caixa operacional. Para o banco, a baixa visibilidade sobre a retomada consistente dos resultados e a resolução das contingências, estimadas em cerca de R$ 14 bilhões, justificam a manutenção da recomendação de venda.

Recomendações dos bancos para PCAR3 e TEND3

O Goldman Sachs, o JPMorgan e o Bradesco BBI mantiveram recomendação de compra para a Tenda, com preços-alvo de, respectivamente, R$ 37, R$ 48,50 e R$ [valor não informado]. Já o JPMorgan e o Morgan Stanley mantiveram recomendação de venda para o GPA.

A XP Investimentos, em relatório assinado pelos analistas Ygor Altero e João Rodrigues, classificou os resultados do GPA como positivos, com a performance das margens brutas e do EBITDA ajustado compensando um reconhecimento de receita mais fraco e um resultado financeiro mais pressionado. O BBI manteve recomendação de compra para a Tenda, sustentada pelo valuation atrativo, sólido potencial de dividendos e risco de viés de alta para os resultados de 2026.

Perguntas Frequentes

Por que as ações da Tenda subiram após o 2T26?

As ações subiram porque o lucro líquido superou as estimativas do JPMorgan e o consenso de mercado em 21% a 24%, e a margem bruta consolidada expandiu para 35,8%, mostrando forte capacidade de execução.

O que o Goldman Sachs achou dos resultados da Tenda?

O Goldman Sachs considerou os números sólidos, com lucro líquido 10% acima de suas estimativas, mas alertou que as economias de custos não devem ser extrapoladas para os próximos trimestres.

Por que o GPA subiu se as vendas caíram?

O GPA subiu porque o Ebitda ajustado superou as expectativas, avançando 7% na comparação anual, com margem de 10,6%, e a margem bruta cresceu 3,1 pontos percentuais, para 30,5%.

Qual a recomendação dos bancos para PCAR3 e TEND3?

Para a Tenda, Goldman Sachs, JPMorgan e Bradesco BBI mantêm recomendação de compra. Para o GPA, JPMorgan e Morgan Stanley mantêm recomendação de venda.

Quais os riscos para as ações da Tenda?

A velocidade de vendas desacelerou para 24,2%, um recuo de 4 pontos percentuais, e as ações caem 14% no último mês, refletindo preocupações com a desaceleração e o potencial limitado de revisões para cima.

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