Goldman Sachs eleva projeções para o petróleo e vê Brent acima de US$ 120
O Goldman Sachs elevou as projeções para o petróleo e agora vê o Brent capaz de superar US$ 120 por barril em um cenário de interrupções mais intensas no transporte marítimo do Oriente Médio. A revisão ocorre com os preços operando perto de US$ 100, pressionados pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e pela redução das expectativas de um acordo para reabertura do Estreito de Ormuz.
Os analistas Daan Struyven, Yulia Grigsby, Alexandra Paulus e Filippo Cuscito elevaram as projeções para o Brent e o West Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, em US$ 5. Para dezembro, o banco prevê o barril do Brent a US$ 85 e do WTI a US$ 80. Já para 2027, a estimativa é de Brent a US$ 80 e WTI a US$ 75.
No relatório divulgado nesta terça-feira (8), os analistas destacaram que os contratos futuros do Brent à vista subiram para US$ 97, enquanto a probabilidade implícita nas opções de o Brent superar US$ 100 em março de 2027 aumentou de cerca de 6% há um mês para aproximadamente 25%. "Os mercados estão precificando cada vez mais um conflito prolongado no Oriente Médio", afirmaram.
Apesar do cenário geopolítico deteriorado, o banco avalia que os preços não precisam disparar no curto prazo. Um dos motivos é o comportamento dos estoques comerciais de petróleo da OCDE, que praticamente não recuaram desde o início da guerra. No fim de agosto, o nível estimado ficou 119 milhões de barris acima da projeção feita em julho.
Outro freio vem dos estoques globais: o volume de petróleo já entregue recuou de 9,06 bilhões de barris antes da guerra para 8,69 bilhões, ainda bem acima do mínimo operacional de 4,20 bilhões. A China também limita a alta, com importações líquidas sensíveis aos preços cerca de 30% abaixo do nível de um ano antes.
Para o Goldman Sachs, os riscos seguem inclinados para cima. "Uma intensificação dos ataques a navios no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho é o gatilho mais provável para uma alta dos preços", dizem os analistas. Do lado oposto, uma recuperação mais rápida da produção no Oriente Médio poderia levar o Brent de volta à faixa de US$ 60 no próximo ano.