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Gestoras reavaliam renda fixa para julho: redução de risco em juros locais

ResumoGestoras como Occam Brasil, Kinea, Armor Capital, Legacy Capital, AZ Quest e BTG Pactual reavaliam a renda fixa para julho com redução de posições aplicadas e risco em juros locais. O movimento reflete cautela diante de incertezas fiscais, com algumas casas adotando posições tomadas para se proteger contra volatilidade.

Grandes gestoras como Occam Brasil, Kinea, Armor Capital, Legacy Capital, AZ Quest e BTG Pactual reavaliam a renda fixa para julho, reduzindo posições aplicadas e risco em juros locais. O tom é de cautela, com algumas casas adotando posições tomadas, refletindo incertezas fiscais

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 20 de julho de 2026
Gestoras reavaliam renda fixa para julho: redução de risco em juros locais

Gestoras reavaliam renda fixa para julho, reduzindo posições e risco em juros locais

O otimismo com a renda fixa doméstica ficou para trás. Mesmo com a melhora do ambiente externo e interno na segunda metade de junho, grandes gestoras estão reduzindo posições e risco em juros locais para julho. Occam, Kinea, Armor, Legacy, AZ Quest e BTG Pactual ajustam suas carteiras com cautela, em alguns casos adotando posições tomadas, que apostam em alta dos juros.

Em julho, grandes gestoras como Occam, Kinea, Armor, Legacy, AZ Quest e BTG Pactual reduziram posições e risco em renda fixa local. A Occam está taticamente tomada em juros, enquanto a Kinea aponta fragilidades fiscais. A Armor zerou posições aplicadas, e a Legacy mantém baixo risco, focando em ativos americanos. A AZ Quest adota postura cautelosa, e o BTG Pactual está neutro na curva nominal, encurtando duration em títulos atrelados à inflação.

Occam Brasil adota posição tomada em juros

A equipe de gestão da Occam Brasil informa que os fundos estão "taticamente tomados" em juros. O Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25%, mas a comunicação gerou críticas ao alongar o prazo de convergência da inflação e manter a possibilidade de extensão do ciclo. Isso ocorreu mesmo com a deterioração dos vetores inflacionários e a desancoragem das expectativas.

"Além disso, a pauta de estímulos segue em andamento, com medidas adicionais tanto do Executivo quanto do Legislativo sendo implementadas ou em discussão. Na parte eleitoral, as pesquisas têm mostrado a consolidação de um cenário no qual o atual presidente possui uma pequena vantagem sobre os candidatos da oposição, mas mantém a indicação de uma eleição competitiva", acrescenta a asset.

Kinea Investimentos aponta fragilidades fiscais

A Kinea Investimentos destaca que parte do problema no Brasil é fiscal, pressionando a curva de juros e reduzindo a capacidade de o Banco Central afrouxar a política monetária. "A consequência das nossas fragilidades é que, mesmo quando o choque externo melhora, o Brasil não consegue capturar integralmente esse alívio. Outros países reprecificam suas curvas para baixo mais rapidamente. O Brasil fica para trás porque o problema não é apenas petróleo, guerra ou Fed. É fiscal, mercado de trabalho, crédito, câmbio e prêmio de risco estrutural", enumera a gestora.

De acordo com a Kinea, a continuidade do ciclo de calibragem da Selic depende de surpresas baixistas com atividade e um ambiente externo estável. "O Brasil sobe juros, mas não consegue cortá-los de volta para níveis normais. O que antes parecia uma taxa emergencial começa a se parecer com uma nova taxa de equilíbrio", nota a equipe de gestão, que está "tática" em ativos brasileiros. A gestora tem posições aplicadas em juros curtos pelo viés baixista de inflação, mas protegida via inclinação.

Armor Capital opera de forma conservadora

Igor Campos, gestor de renda fixa da Armor Capital, revela que a instituição já vinha operando de forma mais conservadora que a média do mercado, devido à dificuldade para o BC reduzir a Selic. Em junho, houve aumento de posições aplicadas em juros reais de médio prazo, com hedge em operações táticas tomadas na curva nominal. A estratégia foi positiva, capturando ganhos mesmo com o estresse nas curvas em março e a perspectiva de queda do petróleo.

"Mas o mercado religou a dinâmica fiscal", observa Campos. A volta do risco fiscal, a piora das expectativas de inflação e um Federal Reserve mais "hawkish" levaram a Armor a zerar posições aplicadas na curva local. "A cabeça até a eleição é operar extremos. Deve ter bastante volatilidade até lá", prevê o gestor.

Legacy Capital mantém baixo risco e foco em ativos americanos

A Legacy Capital informa que segue com baixo nível de risco diante da conjuntura local adversa. "Nesse contexto, temos optado por posições táticas, buscando capturar correções de exageros que eventualmente identifiquemos na precificação de mercado", afirma o time de gestão. A Legacy continua concentrando sua exposição a risco em ativos americanos.

AZ Quest adota postura cautelosa em julho

A AZ Quest diz que continua adotando "postura cautelosa" nos ativos de renda fixa em julho, após ter suas posições pressionadas no mês anterior. A gestora manteve postura equilibrada na estratégia de juros reais, evitando riscos excessivos em um ambiente de incertezas fiscais. "Após capturarmos parte da valorização observada no mercado ao longo de junho, reduzimos significativamente as posições direcionais", relata a AZ Quest.

BTG Pactual adota posição neutra e defensiva

O BTG Pactual informa que não vê fatores que possam provocar surpresas baixistas na inflação e renovar o otimismo com o ciclo de política monetária. O banco mantém posição neutra na curva de juros futuros nominal e encurtou a 'duration' nos títulos públicos atrelados à inflação, conduzindo as alocações em renda fixa de forma mais defensiva.

Perguntas Frequentes

Por que as gestoras estão reduzindo posições em renda fixa?

As gestoras citam incertezas fiscais, piora das expectativas de inflação e ambiente externo desafiador, com um Federal Reserve mais hawkish, como motivos para reduzir risco em juros locais.

O que significa posição tomada em juros?

Posição tomada significa que o gestor aposta na alta dos juros, geralmente vendendo contratos futuros de taxa de juros.

Qual a perspectiva para a Selic?

A Kinea aponta que a continuidade do ciclo de calibragem depende de surpresas baixistas com atividade e um ambiente externo estável. A Occam critica o alongamento do prazo de convergência da inflação.

Como a Armor Capital está posicionada?

A Armor zerou posições aplicadas na curva local e opera de maneira tática, com foco em capturar correções de exageros. O gestor Igor Campos prevê alta volatilidade até a eleição.

O que o BTG Pactual recomenda para renda fixa?

O BTG Pactual mantém posição neutra na curva nominal e encurtou a duration em títulos atrelados à inflação, adotando alocações defensivas.

Qual a estratégia da Legacy Capital?

A Legacy Capital mantém baixo nível de risco no Brasil, concentrando sua exposição em ativos americanos, com posições táticas para capturar correções de exageros no mercado local.

Onde investir em julho: renda fixa, ações e fundos Entenda o impacto do risco fiscal na curva de juros Como a inflação e a Selic afetam seus investimentos

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