Gávea, de Armínio Fraga, encerra fundos multimercados
A Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, anunciou a transferência da gestão dos fundos multimercados Gávea Macro para o Bradesco, encerrando 23 anos de estratégia macro. A decisão reflete a crise do setor, com resgates bilionários.
Gávea, do ex-BC Armínio Fraga, dá adeus aos fundos multimercados
A Gávea Investimentos, uma das primeiras e mais importantes gestoras independentes do mercado, anunciou aos investidores que está transferindo a gestão dos fundos multimercados da família Gávea Macro para o Bradesco. A informação foi divulgada nesta quarta-feira e marca o fim de uma era para a casa fundada pelo ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.
A gestora vai encerrar a atividade de gestão de terceiros da família Gávea Macro, formada por cinco fundos, incluindo carteiras de previdência. Os cotistas serão convocados para assembleias para aprovar a transferência da gestão para a Bradesco Asset.
"Somos profundamente gratos pela confiança, parceria e apoio recebidos ao longo dos últimos 23 anos", diz a nota.
"Durante todo esse período sempre nos mantivemos alinhados com nossos clientes ao investimento de uma parcela considerável do patrimônio dos sócios na mesma estratégia macro", acrescenta.
O que muda com a saída da Gávea dos multimercados
A decisão representa uma guinada estratégica para a Gávea, que deixa de gerir recursos de terceiros na estratégia macro. Na prática, os cotistas dos cinco fundos da família Gávea Macro passarão a ter a gestão conduzida pela Bradesco Asset, após aprovação em assembleia.
Procurado, Armínio Fraga não quis comentar o encerramento dos fundos multimercados.
A crise dos fundos multimercados em números
A saída da Gávea da gestão de multimercados é mais um reflexo da crise que atinge esse segmento. Os números ajudam a dimensionar o movimento.
Até o dia 30 de julho, os fundos multimercados da categoria Macro, que buscam ganhos com a avaliação das variáveis econômicas no Brasil e no exterior, acumularam resgate líquido de R$ 8,8 bilhões no ano, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Em 12 meses, o resgate é de R$ 13,3 bilhões.
O patrimônio total desses fundos caiu para R$ 97 bilhões no fim de julho. A redução reflete, em boa parte, os maus resultados acumulados e a concorrência de outros investimentos de menor risco.
Por que os investidores estão saindo dos multimercados
A fuga dos investidores tem dois motores principais. O primeiro é o desempenho fraco. O segundo é a atratividade de alternativas mais conservadoras.
Os títulos públicos ou isentos, as debêntures de empresas de infraestrutura, as LCIs e LCAs se tornaram ainda mais competitivos com os juros na casa dos 14% ao ano. Esse cenário rouba espaço dos multimercados, que prometem retornos absolutos, mas entregam volatilidade.
O desempenho piorou neste ano com a guerra entre Estados Unidos e Irã, que mudou totalmente o cenário global a partir de março e pegou muitos gestores no contrapé.
Rentabilidade dos multimercados Macro fica abaixo do CDI
Os números consolidados do setor mostram a dificuldade. No ano, os fundos multimercados Macro acumulavam até dia 30 de julho rendimento de 4,37% e, em 12 meses, de 10,80%, segundo a Anbima.
O CDI, por sua vez, acumulava 8,14% no ano e 14,84% em 12 meses. Ou seja, a categoria Macro entrega menos da metade do benchmark no acumulado do ano.
O Índice de Hedge Funds Anbima, que acompanha um universo mais amplo de multimercados, incluindo outras estratégias, acumulava no ano 2,95% e, em 12 meses, 10,46%.
O caso específico do Gávea Macro FIF
O Gávea Macro FIF ilustra bem o cenário. A rentabilidade no ano até julho foi de 4,35%, quase metade do CDI no período. O fundo foi criado em 2008 e vinha acumulando ganhos anuais abaixo do CDI desde 2023.
O patrimônio no fim de julho era de R$ 325 milhões, com um resgate líquido no ano de R$ 152 milhões. Ou seja, quase metade do patrimônio saiu em 2024.
O que esperar da gestão Bradesco Asset
A transferência para a Bradesco Asset coloca os fundos sob a gestão de uma das maiores casas do país. Os cotistas decidirão em assembleia se aprovam a mudança.
Para quem acompanha o setor, a saída da Gávea é um sinal de que a pressão sobre os multimercados continua. A comparação com o CDI segue sendo o principal termômetro de desempenho.
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Perguntas Frequentes
A Gávea vai encerrar todos os fundos multimercados?
Sim, a gestora vai encerrar a atividade de gestão de terceiros da família Gávea Macro, formada por cinco fundos, incluindo carteiras de previdência. A gestão será transferida para a Bradesco Asset.
Quem é Armínio Fraga?
Armínio Fraga é ex-presidente do Banco Central e fundador da Gávea Investimentos. Ele não comentou o encerramento dos fundos multimercados.
Quanto os fundos multimercados Macro resgataram em 2024?
Até 30 de julho, os fundos da categoria Macro acumulavam resgate líquido de R$ 8,8 bilhões no ano e R$ 13,3 bilhões em 12 meses, segundo a Anbima.
Qual a rentabilidade do Gávea Macro FIF em 2024?
O fundo rendeu 4,35% no ano até julho, quase metade do CDI no período. O patrimônio era de R$ 325 milhões, com resgate líquido de R$ 152 milhões.