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FIIs descontados criam oportunidade? Empiricus troca fundos

A Empiricus promoveu duas mudanças na carteira recomendada de fundos imobiliários para setembro. A casa retirou o Mauá Capital Real Estate (MCRE11) e o HSI Malls (HSML11) para abrir espaço ao Kinea Hedge Fund (KNHF11) e elevar a exposição ao Vinci Shopping Centers (VISC11). Com isso, a seleção passa a ter sete fundos, distribuídos entre recebíveis, logística, shopping centers e renda imobiliária. O dividend yield médio, considerando os proventos dos últimos 12 meses, é de 11,4%.

A recente queda das cotas ampliou os descontos no mercado de FIIs, segundo a Empiricus, tornando o ponto de entrada mais favorável. A seleção dos ativos, porém, continua fundamental diante dos riscos econômicos e de crédito. A retirada do MCRE11 ocorre após correção mais intensa em agosto, ligada a eventos envolvendo duas posições: TRX Real Estate (TRXF11) e Mauá Capital Logística (MCLO11). A desvalorização aumentou o desconto do fundo, mas a casa avalia que os riscos devem acompanhar a tese no curto prazo, reduzindo a convicção na recomendação.

A entrada do KNHF11 busca aproveitar a estratégia multiestratégia da Kinea. O fundo mantém 56,3% do patrimônio em CRIs, 30,5% em imóveis, 10,8% em cotas de outros FIIs e 1,1% em ações. A principal fonte de valor está na exposição ao crédito imobiliário, apoiada pela capacidade de originar, estruturar e acompanhar operações. O KNHF11 negociava a 0,93 vez o valor patrimonial, com dividend yield de 13% em 12 meses na data do relatório.

A Empiricus também reforçou a alocação no VISC11, que passa a representar 20% da carteira. O fundo reúne mais de 30 exposições imobiliárias, entre diretas e indiretas, com área bruta locável própria próxima de 310 mil metros quadrados. A estratégia combina posições de controle, copropriedades e participações minoritárias. O desconto das cotas pesou na decisão: VISC11 negociava a 0,89 vez o patrimônio, com valor de mercado de aproximadamente R$ 2,9 bilhões e dividend yield de 9,7%.

A revisão vem após mais um mês negativo para o setor. Em agosto, o Ifix recuou 1,46%, enquanto a carteira da Empiricus avançou 0,50%. No acumulado de 2026, a seleção sobe 8,4%, ante queda de 0,3% do índice. A correção foi influenciada pelo ambiente macroeconômico adverso, pela aproximação das eleições e pela maior participação de institucionais, que responderam por 34,2% do volume negociado em julho, acima dos 33% das pessoas físicas. Esse perfil pode aumentar a conexão dos FIIs com ações, juros e crédito.

Após as quedas, o Ifix negocia próximo de 0,86 vez o patrimônio, abaixo de um desvio-padrão da média dos últimos dez anos. Em ocasiões com o índice abaixo de 0,89 vez, o retorno médio foi de 23,8% em 12 meses, ante 13,8% do CDI, com o Ifix superando a renda fixa em 76,6% dos casos. A casa ressalta que histórico não garante ganhos futuros: juros elevados, incertezas fiscais e eleitorais e aumento de recuperações judiciais seguem como riscos. Ainda assim, parte relevante do mau humor já foi incorporada aos preços, abrindo oportunidades em fundos de qualidade com descontos mais elevados.

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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