FIDCs: maior apagão do ano e alerta da Anbima
Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC) registraram em julho o maior "apagão" de informes mensais do ano. Segundo levantamento da Uqbar, empresa de inteligência de mercado, 46 FIDCs de 12 administradores não entregaram as informações do mês anterior. É o maior número mensal de 2025.
O avanço acelerado do segmento, que recebeu R$ 108 bilhões em novos investimentos no ano, aumentou o risco de falhas de transparência. A preocupação cresce em meio a seguidas recuperações judiciais e ao temor de desaceleração da economia.
Alfredo Marrucho, sócio da Uqbar, afirma que a ausência de informes representa descumprimento de obrigação básica para transparência e supervisão. Os problemas se concentram em administradores ligados a grupos citados em processos judiciais ou investigações criminais, como CBSF, WNT, Planner e Banvox. A CBSF teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em janeiro. Mas a presença de outros administradores, como QI e Oslo, mostra que as falhas não estão restritas a esse grupo.
A Anbima reforçou neste mês a importância do envio periódico e completo dos documentos, incluindo informes de FIDCs, fundos imobiliários (FII) e demonstrações contábeis de FIPs. Audrey Almeida, gerente de Supervisão de Ações Preventivas e Cadastros da entidade, diz que a cobrança é contínua e que a supervisão precisa acompanhar o crescimento desses fundos.
O universo questionado é pequeno: 60 FIPs em um total de mais de 2 mil carteiras, e 120 FIDCs de mais de 4 mil classes. Os números da Anbima têm base distinta do levantamento da Uqbar e não são comparáveis. Se as inconsistências não forem resolvidas, a Anbima pode abrir procedimento de apuração de irregularidade.