Ibovespa vira para alta de 1,43% com cenário eleitoral
O Ibovespa passou de queda expressiva para alta de mais de 1% na sessão desta quinta-feira (10), em meio a novas especulações sobre o cenário eleitoral. Às 12h27 (horário de Brasília), o índice subia 1,43%, a 188.282 pontos. Mais cedo, o Índice Bovespa recuou 0,55%, aos 184.601,20 pontos, ante abertura estável em 185.622,19 pontos.
O que virou o Ibovespa
Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, apontou que o Ibovespa virou devido às recentes pesquisas eleitorais, que colocam Flávio Bolsonaro à frente do Lula no 2º turno, e, principalmente, à pesquisa da Atlas/Intel, que pode corroborar com as outras pesquisas.
"Na Polymarket, Flavio e Lula estão quase empatados, coisa que nunca havia sido indicada antes. O mercado vem se balizando nisso para reajustar as posições com uma tendência de um governo pró mercado", afirma o especialista.
A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg está programada para esta quinta-feira. Profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram que a especulação no mercado é de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecerá bem posicionado na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Planalto.
No mercado de predição Polymarket, sediado nos Estados Unidos, Flávio passou a superar Lula, com 52% das apostas de vitória, contra 45% do petista.
Fiscal, STF e o que o mercado observa
Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Notícias favoráveis a Flávio têm favorecido a queda do dólar.
Segundo Fernando Siqueira, head de Research da Eleven Financial, a ausência de novidades manteve o indicador com recuo moderado mais cedo, que espera novidades, especialmente a respeito do pleito eleitoral. "Subiu muito, diante da chance de vitória de Flávio ou de outro candidato a presidente que não seja o Lula e isso ajuda", afirma a fonte.
De acordo com Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3, a indicação de um novo nome para a Presidência que não seja o petista tem animado os mercados. "Existe pressão por conta do fiscal. Todos os candidatos têm falado muito em melhoria fiscal, enquanto o governo Lula está em descrédito", diz.
Além da disputa eleitoral, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) segue no foco dos investidores. Na véspera, o presidente da corte, ministro Edson Fachin, cassou decisões liminares concedidas anteriormente pelos colegas André Mendonça e Flávio Dino que discutiam a permanência ou não no cargo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Também retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news.
O cenário é parecido com o câmbio, com recuo do dólar no Brasil na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana avança ante boa parte das demais divisas, em um dia marcado pela alta dos rendimentos dos Treasuries e pelo avanço do petróleo Brent para acima dos US$ 105 o barril.
Mais cedo, os EUA informaram que os preços ao produtor no país em agosto subiram 0,4% e os pedidos de auxílio-desemprego caíram 1.000 na última semana, para 206.000 em dado com ajuste sazonal, ante projeção dos economistas ouvidos pela Reuters de 205.000 pedidos. Às 12h05, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,12%, a 98,901.
No início do dia, o Banco Central vendeu, em dois leilões simultâneos, US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$ 1 bilhão de swap cambial reverso, operação conhecida como "casadão". No fim da manhã, vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro.