Ex-assessor de Trump paga US$ 172 mil à CFTC por insider trading
Um ex-operador de teleprompter da Casa Branca pagará mais de US$ 172 mil para encerrar uma investigação da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) sobre supostas apostas com informações privilegiadas em discursos do presidente Donald Trump. Gabriel Perez concordou em pagar multa de US$ 65 mil e devolver mais de US$ 107 mil em lucros ilícitos, sem admitir as acusações. O caso expõe os riscos dos chamados mercados de previsão, que cresceram nos últimos 18 meses.
A CFTC afirmou que a multa representa um "desconto substancial" devido à cooperação de Perez, que também aceitou proibição de negociação por três anos. Segundo o órgão, Perez "entendia que as informações que obtinha durante seu trabalho eram confidenciais e não deveriam ser compartilhadas com ninguém fora da Casa Branca". As negociações ocorreram entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, quase exclusivamente com apostas relacionadas a esportes e a Trump na plataforma Kalshi, incluindo perguntas como: "O que Trump dirá durante seu discurso no Detroit Economic Club?". Perez tinha acesso aos discursos cerca de uma hora antes de eles acontecerem.
A Kalshi afirmou ter identificado negociações anômalas em março e comunicado o caso à CFTC. Robert DeNault, chefe de fiscalização da Kalshi, disse em publicação no X: "Não importa quem você seja: se violar nossas regras ou a lei federal, enfrentará as consequências". A CFTC considera as plataformas de mercados de previsão como bolsas de derivativos sob sua jurisdição. Tanto Kalshi quanto Polymarket afirmaram ser contrárias ao insider trading e monitorar ativamente os mercados.
O caso é o mais recente a aumentar preocupações sobre novas oportunidades de insider trading nos mercados de previsão. Parlamentares apresentaram projetos de lei para restringir algumas apostas, enquanto a Casa Branca alertou funcionários contra o uso de informações confidenciais. Os chamados "mercados de menções" permitem apostar se figuras públicas usarão determinadas palavras em discursos, teleconferências ou entrevistas. Para quem acompanha o setor, o desfecho reforça a necessidade de vigilância regulatória, mas o impacto prático depende da aplicação das regras existentes.