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Eucatex (EUCA4) sofre com alta de insumos no 2T26, mas espera retomada de margens

ResumoA Eucatex (EUCA4) registrou lucro líquido recorrente de R$ 84,9 milhões no 2T26, com queda de 3,9% em relação ao mesmo período de 2025. A pressão sobre as margens decorreu do aumento de insumos e do câmbio. O vice-presidente José Antônio Goulart projeta arrefecimento desses custos no 3T26, com expectativa de retomada gradual da rentabilidade.

A Eucatex (EUCA4) reportou lucro líquido recorrente de R$ 84,9 milhões no 2T26, queda de 3,9% ante 2025, pressionada pela alta de insumos e câmbio. VP José Antônio Goulart afirma que a pressão deve arrefecer no 3T26.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 12 de agosto de 2026
Eucatex (EUCA4) sofre com alta de insumos no 2T26, mas esper

Eucatex (EUCA4) sofre com alta de insumos no 2T26, mas espera retomada de margens à frente; 'Foi um período de muita pressão', diz VP

A Eucatex (EUCA4) reportou lucro líquido recorrente de R$ 84,9 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), queda de 3,9% na comparação com igual período de 2025, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (11). A fabricante de pisos, portas, tintas e painéis viu sua margem Ebitda recuar 2,8 pontos percentuais, para 21,7%, pressionada pela disparada dos preços de matérias-primas e pela variação cambial.

Resposta direta: o que aconteceu com a Eucatex no 2T26?

A Eucatex (EUCA4) obteve lucro líquido recorrente de R$ 84,9 milhões no 2T26, queda de 3,9% ante o 2T25. A receita líquida subiu 2,8%, para R$ 806,1 milhões, mas o Ebitda recorrente caiu 8,9%, para R$ 174,6 milhões. A margem Ebitda ficou em 21,7%, queda de 2,8 pontos percentuais. A alta de insumos, como resina e metanol, e o câmbio pressionaram a rentabilidade.

Lucro da Eucatex no 2T26: números que mostram a pressão

No acumulado do primeiro semestre (1S26), a Eucatex reportou lucro de R$ 223,3 milhões, alta de 18,1% na comparação anual. No trimestre, porém, a rentabilidade desacelerou. A receita líquida somou R$ 806,1 milhões, avanço de 2,8% em 12 meses, enquanto o Ebitda recorrente recuou 8,9%, para R$ 174,6 milhões. Com isso, a margem Ebitda caiu para 21,7%, uma queda de 2,8 pontos percentuais em um ano.

A desaceleração, segundo o vice-presidente executivo e diretor da Eucatex, José Antônio Goulart, ocorreu devido à disparada dos preços de matérias-primas. Em entrevista ao Money Times, ele afirmou que a fabricante sofreu aumentos superiores a 20% em diversos custos em um intervalo curto, movimento que não conseguiu ser totalmente repassado ao cliente final.

Por que os insumos pressionaram tanto o resultado?

"O 2T26 foi um período desafiador no que diz respeito a insumos. Foi muita pressão. A gente poucas vezes viu, em um intervalo tão rápido, uma subida tão forte de custo", disse Goulart. "A gente está falando de números acima de 20% de subida de custos em várias unidades nossas. Evidentemente, o mercado não absorve isso, porque isso é matéria-prima."

O executivo explicou que "você não consegue colocar toda essa alta num piso, não consegue colocar numa tinta e não consegue colocar num painel que vai para a indústria moveleira".

Entre os principais responsáveis pela pressão está a resina, material essencial na produção de painéis de madeira, seja MDF ou MDP. Segundo Goulart, o valor do insumo acumulou alta de mais de 30% nos seis primeiros meses de 2026 ante o mesmo intervalo do ano anterior.

A composição da resina envolve matérias-primas como ureia, metanol e formol. Somente o metanol chegou a registrar alta de 85% no período. No caso das tintas, a pressão também veio de solventes, emulsões e da própria resina.

Petróleo, Ormuz e o efeito cascata nos custos

A escalada dos custos foi influenciada pelo avanço do preço do petróleo e seus efeitos sobre outras commodities e fretes, ponderou Goulart. "Tivemos custos muito altos. E as empresas não tiveram toda a capacidade nem toda a possibilidade de repassar esses custos."

Diante dos impasses das negociações entre Estados Unidos e Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, os barris de petróleo chegaram a superar os US$ 100 em maio. Depois, em meados de junho, arrefeceram e voltaram ao patamar de US$ 72. Nesta terça-feira (11), negociam em torno de US$ 80.

Alívio à vista: resina recua 20% e margens podem se recompor

Apesar da deterioração entre abril e junho, a Eucatex já identifica uma mudança no comportamento dos insumos. De acordo com o CFO (diretor financeiro) Sérgio Ribeiro, a resina recuou cerca de 20% até agosto, acompanhando a queda do petróleo. A expectativa é de que outras matérias-primas também apresentem alívio.

"A ureia é um elemento importante e que também sofreu. Mas ela tem uma sazonalidade anual, porque é bem usada na área agrícola. Ela costuma voltar agora [no segundo semestre]. A projeção é a mesma para o metanol", disse Ribeiro.

Para Goulart, esse movimento dos valores, combinado aos reajustes de preços realizados pela Eucatex ao longo do segundo trimestre, deve permitir uma recuperação das margens. "Agora a gente tem um arrefecimento desses insumos, de tal sorte que deve recompor margens no terceiro trimestre. Porque volume a gente tem."

Recorde em março e o efeito da antecipação de compras

Goulart ponderou que março registrou recorde de vendas para o mercado de painéis, em meio ao aumento de clientes da indústria moveleira e revendedores. A escalada dos preços dos insumos, provocada pelo conflito no Oriente Médio, pode ter contribuído para um movimento de antecipação de compras, ao estimular a formação de estoques.

Isso significa que parte da demanda que normalmente seria faturada no segundo trimestre foi antecipada para os primeiros meses do ano. "Em março, tivemos recorde no mercado de painéis. Isso, obviamente, tirou um pouco do volume de abril e comeu um pouco do volume do 2T26."

Ainda assim, o mercado interno segue em nível saudável. O segmento de tintas tem sido um dos destaques, com crescimento anual próximo de 9% no primeiro semestre.

Câmbio e tarifas: o peso do mercado externo

O mercado externo, que representa aproximadamente 25% do faturamento da Eucatex, também pressionou a rentabilidade no 2T26. Pelo balanço, a receita líquida de exportação apresentou retração de 11,2% entre abril e julho, na comparação com o mesmo período de 2025.

Segundo Goulart, o resultado foi afetado principalmente pela variação cambial. "A gente sofre, além da questão do insumo, também com o câmbio. O câmbio está uns 10% menor este ano do que no ano passado. Isso tira também a rentabilidade."

O CFO Sérgio Ribeiro estima que somente o mercado externo representa uma perda de cerca de 2 pontos percentuais de margem para a companhia.

Tarifas dos EUA: impacto limitado no curto prazo

Nos Estados Unidos, a Eucatex mantém uma empresa própria de distribuição. A companhia exporta para sua própria operação no país, que repassa os produtos aos clientes norte-americanos. Goulart explicou que as tarifas recém-anunciadas pelo presidente Donald Trump incidem sobre um preço de transferência, não sobre o valor final pago pelo consumidor. "É uma vantagem competitiva importante."

A Eucatex está sendo afetada por duas taxações. Uma é aplicada a diversos países, com alíquotas entre 10% e 12,5%, enquanto a outra, de 25%, é específica para produtos brasileiros.

"A gente tem uma tarifa que, de certo ponto de vista, é menos prejudicial para nós, porque incide sobre vários países. Nós a recebemos e os nossos concorrentes que exportam para os Estados Unidos, em sua grande maioria, também."

Essa primeira tarifa foi aplicada por Trump, no final de julho, contra 60 países que teriam se beneficiado comercialmente de produtos ligados ao trabalho forçado. As alíquotas são de 10% para países que, segundo os EUA, "se comprometeram a adotar e a aplicar efetivamente proibições a trabalho forçado", e de 12,5% para países que não teriam adotado tal proibição. O Brasil ficou na faixa mais elevada.

"Há também uma segunda tarifa, que é de 25%, que pega somente os exportadores brasileiros. Essa, para nós, é mais difícil de assimilar", afirmou Goulart.

A companhia conta com um estoque de aproximadamente 3,5 meses nos EUA, formado antes da incidência do tarifaço. "Se o estoque fosse perfeito, a gente teria até meados de novembro para vender sem tarifa e, dali para frente, precisaria começar a negociar aumentos de preço para incorporar a taxação."

Investimentos e endividamento: plano de R$ 500 milhões segue de pé

Mesmo com a queda da rentabilidade no 2T26, a Eucatex mantém o plano de investimentos (capex) de aproximadamente R$ 500 milhões em 2026. A fabricante já desembolsou cerca de R$ 235 milhões no primeiro semestre, quase metade dos recursos previstos.

A execução dos investimentos ocorre paralelamente à redução do endividamento líquido, que terminou junho em R$ 512,4 milhões, queda de 8,5% em relação ao mesmo período de 2025.

Perguntas Frequentes

A Eucatex (EUCA4) teve lucro ou prejuízo no 2T26?

A Eucatex teve lucro líquido recorrente de R$ 84,9 milhões no 2T26, uma queda de 3,9% em relação ao mesmo período de 2025.

Por que o lucro da Eucatex caiu no segundo trimestre de 2026?

A queda foi causada pela alta de insumos, como resina e metanol, e pela variação cambial, que pressionaram a margem Ebitda para 21,7%.

O que a Eucatex espera para o terceiro trimestre de 2026?

A empresa espera recompor margens no 3T26, com a queda dos preços de insumos, como a resina, e os reajustes de preços realizados no 2T26.

Como as tarifas dos EUA afetam a Eucatex?

A Eucatex é afetada por duas tarifas: uma de 10% a 12,5% para diversos países e outra de 25% específica para o Brasil. A empresa tem estoque de 3,5 meses nos EUA, o que protege o curto prazo.

Qual é o valor do capex da Eucatex em 2026?

A Eucatex mantém plano de investimentos de aproximadamente R$ 500 milhões em 2026, com R$ 235 milhões já desembolsados no primeiro semestre.

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