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ETF de S&P 500 em reais supera índice americano em 40%; o que explica?

ResumoO ETF SPXU11, negociado na B3, superou o índice S&P 500 em dólar em 40% nos últimos dez anos. O ganho extra é explicado pelos contratos futuros de câmbio embutidos no fundo, que protegem o investidor brasileiro da oscilação cambial e geram retorno adicional pela diferença entre as taxas de juros do Brasil e dos Estados Unidos.

Um ETF negociado na Bolsa brasileira, o SPXU11, rendeu 40% a mais que o S&P 500 em dólar em dez anos. O gestor Leonardo Vasques, da XP Asset Management, explica que o ganho extra vem dos contratos futuros de câmbio embutidos no fundo, que protegem o investidor brasileiro da oscil

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 22 de julho de 2026
ETF de S&P 500 em reais supera índice americano em 40%; o que explica?

ETF de S&P 500 em reais supera índice americano em 40%; o que explica?

Um fundo negociado na Bolsa brasileira, em reais, rendeu 40% a mais do que o próprio S&P 500 em dólar ao longo de dez anos. O ETF SPXU11, da XP Asset Management, combina o índice das maiores empresas dos Estados Unidos com contratos futuros de câmbio montados no Brasil. O gestor Leonardo Vasques explica que a ideia é entregar ao investidor comum um produto pronto, montar sozinho essa posição "casada" não é simples para a pessoa física.

Por que o ETF em reais superou o S&P 500 original?

O ganho extra de 40% não vem de uma gestão mais eficiente das ações americanas, mas do câmbio. O SPXU11 embute contratos futuros de câmbio que protegem o investidor brasileiro da desvalorização do real frente ao dólar. Em dez anos, essa proteção cambial somou retorno suficiente para superar o índice puro em dólar. Outro fundo, o USPXH11, oferece o S&P 500 com proteção contra a oscilação do dólar, mas sem o mesmo efeito de alavancagem cambial.

Os limites do produto: gestão não supera Vanguard ou BlackRock

A conversa foi ao ar no podcast Carteiros do Condado, apresentado por Lucas Collazo e Davi Fontenele. Vasques reconhece os limites diante das gigantes internacionais. "Não tenho como fazer uma gestão melhor de S&P 500 do que a Vanguard ou a BlackRock", admitiu, referindo-se às duas maiores gestoras do mundo. O ETF brasileiro não tenta bater o índice, apenas replicá-lo com a vantagem cambial.

O tamanho atual dos ETFs no Brasil é pequeno

"Um por cento da indústria não faz sentido nenhum", disse Vasques sobre a fatia que os ETFs ocupam hoje diante da poupança. Ele prevê avanço no crédito e a chegada de produtos livres de imposto. Fontenele reforçou o argumento: "Para saber o que vai acontecer amanhã no Brasil, basta ler o noticiário de hoje dos Estados Unidos", parafraseou, citando colegas de mercado. Por lá, as maiores gestoras já são as de fundos de índice.

Gestão ativa vs. passiva: dados do Spiva

Vasques trouxe um dado a favor da gestão que apenas acompanha o índice. Um estudo anual da S&P, o Spiva, mostra que só cerca de 10% dos gestores americanos superam o índice no longo prazo. No Brasil, o porcentual fica entre 10% e 20%. "Quem bate merece ser muito bem pago por isso", ponderou. O dinheiro que hoje migra para os ETFs, disse, é justamente o que estava com gestores que não superavam o índice, e cobravam taxas bem mais altas.

O futuro dos ETFs no Brasil

Fontenele arriscou um cenário por tipo de aplicação. No crédito de menor risco e mais fácil de resgatar, os fundos comuns devem encolher, com quase toda a migração indo para os ETFs. Na bolsa, a oferta de índices tende a se multiplicar. Ele acredita que, em dez anos, os ETFs possam superar a gestão ativa em tamanho. A busca por retornos acima da média, porém, deve seguir com peso maior nos fundos abertos, sobretudo nos multimercados.

A tendência, apontam os dois, é de um cardápio cada vez maior. Entre as novidades estão fundos com opções embutidas, já comuns no exterior e recém-chegados ao país. "Tem muita coisa que dá para ser feita", concluiu Vasques.

Perguntas Frequentes

O que é o SPXU11?

É um ETF negociado na Bolsa brasileira que replica o S&P 500 com proteção cambial, gerido pela XP Asset Management.

Por que o SPXU11 rendeu 40% a mais que o S&P 500?

O ganho extra vem dos contratos futuros de câmbio montados no Brasil, que protegem o investidor da desvalorização do real.

Quem é Leonardo Vasques?

É o gestor do SPXU11 na XP Asset Management, que explicou o produto no podcast Carteiros do Condado.

Qual a diferença entre SPXU11 e USPXH11?

O USPXH11 oferece o S&P 500 com proteção contra a oscilação do dólar, mas sem o mesmo efeito de alavancagem cambial do SPXU11.

Os ETFs vão superar a gestão ativa no Brasil?

Segundo Fontenele, em dez anos os ETFs podem superar a gestão ativa em tamanho, mas a busca por retornos acima da média deve seguir nos fundos abertos.

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