Atraso na B3: especialistas alertam para volatilidade nas operações
A B3 adiou a abertura do pregão nesta sexta-feira (31) após problemas operacionais. Especialistas ouvidos pelo InfoMoney alertam para volatilidade na retomada e concentração de ordens.
Atraso na B3: especialistas alertam para volatilidade nas operações após falha operacional
A abertura do mercado na B3 nesta sexta-feira (31) foi adiada após problemas operacionais na Câmara, levando a bolsa a prever a retomada das negociações apenas a partir das 12h30. O episódio acontece em um dia sensível para os investidores, por marcar o encerramento do mês.
O que isso significa para você, investidor?
Especialistas ouvidos pelo InfoMoney apontam que o atraso tende a concentrar ordens que seriam executadas ao longo da manhã, aumentando o potencial de volatilidade quando as negociações forem retomadas. A interrupção afeta a formação de preços e pode gerar desconforto entre investidores locais e estrangeiros.
Por que a B3 atrasou a abertura?
A B3 informou que atrasou a abertura do pregão de listados devido a problemas relacionados ao envio de arquivos e à abertura da Câmara B3. André Matos, CEO da MA7 Capital, diferencia a natureza do problema: trata-se de uma questão operacional, não de um evento ligado aos fundamentos da economia brasileira.
"O primeiro ponto é entender que isso é um problema operacional, não um problema de economia, e a própria B3 já esclareceu que não houve ataque. O atraso veio do envio dos arquivos e da abertura da Câmara de compensação, que é a estrutura que registra, garante e liquida as operações", afirmou.
Impacto na formação de preços e na liquidez
Matos ressalta que a ausência de negociações impede que investidores tenham referência clara dos preços. Sem negociação, o investidor fica sem termômetro, e na curva de juros esse silêncio incomoda mais, pois é ali que se precifica a expectativa para a Selic, a poucos dias da reunião do Copom.
Para um trader ouvido pela reportagem, o principal prejuízo imediato é a perda da janela mais movimentada do pregão. "Para o trader é ruim porque perde uma janela de operações com maior volume, que é pela manhã, ainda mais sendo sexta-feira. Mas acredito que deve gerar uma volatilidade atípica nessa abertura", afirmou. Investidores que carregam posições por mais de um dia podem enfrentar riscos adicionais, já que os mercados internacionais continuaram operando normalmente. "Como os mercados lá fora já estão abertos, isso pode gerar um gap na abertura aqui", acrescentou.
Sessão encurtada e preços de fechamento
A interrupção ocorre no último pregão de julho, período em que fundos costumam realizar marcações de carteira e são formados os preços de ajuste de contratos futuros. Uma sessão encurtada pode reduzir a liquidez e tornar os preços de fechamento menos representativos. "Você tem uma sessão comprimida em menos horas, o que costuma alargar spreads e deixar os preços de fechamento menos representativos. Por isso eu trataria os números de hoje com uma dose extra de cuidado", afirmou Matos. O mecanismo de leilão contínuo utilizado pela bolsa ajuda a preservar a formação de preços em situações extraordinárias.
Percepção de segurança dos investidores
Danilo Coelho, economista e especialista em investimentos, acredita que a origem do problema está relacionada a processos operacionais para a abertura do mercado. "Foi basicamente, provavelmente, um problema operacional, muito mais voltado à inclusão de arquivos no sistema para poder seguir com a abertura", avaliou. Coelho considera que o episódio pode afetar a percepção de segurança dos investidores, principalmente estrangeiros. "Infelizmente isso acaba deixando os investidores mais inseguros, principalmente os investidores internacionais, que já olham para o Brasil como um mercado emergente. Essas falhas operacionais não deveriam ocorrer", afirmou.
Volatilidade na retomada: o que esperar
O economista prevê aumento da volatilidade após a retomada dos negócios. As ordens represadas durante a manhã tendem a se acumular, criando concentração de negócios em período mais curto. "É óbvio que as negociações vão ficar mais limitadas. Podemos ter uma volatilidade muito grande na abertura porque todo tipo de negociação que deveria ocorrer no período da manhã ficou represado", concluiu.
Perguntas Frequentes
A B3 foi atacada?
Não. A B3 esclareceu que não houve ataque. O atraso veio do envio de arquivos e da abertura da Câmara de compensação.
Quando a B3 vai retomar as negociações?
A bolsa previu a retomada das negociações a partir das 12h30 desta sexta-feira.
O que causa a volatilidade na abertura?
A concentração de ordens que seriam executadas durante a manhã, criando um acúmulo de negócios em período mais curto.
Como isso afeta os preços dos ativos?
A ausência de negociações impede referência clara de preços, e uma sessão encurtada pode tornar os preços de fechamento menos representativos.
Investidores estrangeiros são mais afetados?
Sim, falhas operacionais reforçam uma visão negativa sobre a infraestrutura do mercado brasileiro, aumentando a insegurança de investidores internacionais.