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EQTL3 ou ENGI11: BBI vê compra só na Equatorial

O Bradesco BBI revisou as estimativas e preços-alvo de Equatorial (EQTL3) e Energisa (ENGI11), incorporando os resultados do segundo trimestre deste ano e a expectativa de maiores volumes vendidos no segundo semestre, diante de temperaturas acima da média associadas ao El Niño. Os analistas também recalibraram as projeções para o novo Fator X da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e consideraram a revisão tarifária anunciada para a CCEE da Equatorial.

Para a Equatorial, o BBI mantém recomendação de compra e elevou o preço-alvo para o fim de 2027 a R$ 57 por ação, o que implica potencial de alta de 45,2% ante o último fechamento. Já a Energisa segue com recomendação Neutra e preço-alvo de R$ 66 para o mesmo período, potencial de 28,2%.

Os analistas mantêm postura conservadora em relação ao WACC regulatório, reforçada pela decisão da Aneel, em 8 de setembro, de rejeitar o pedido das empresas para incluir a revisão da metodologia na agenda regulatória de 2027. "A agência informou que continuará monitorando o parâmetro e poderá considerar sua inclusão na agenda de aprimoramentos regulatórios de 2028 ou 2029. Caso a metodologia atual seja mantida, estimamos que o WACC regulatório recue dos atuais 8,1% para 7,8% em 2027, atinja 7,0% em 2030 e posteriormente se recupere para um nível normalizado de 7,9% em 2035, nosso cenário-base", diz o BBI.

Caso o WACC não seja temporariamente mantido próximo de 8% durante a revisão metodológica, as revisões tarifárias de 2027, 2028 e 2029 usariam taxas de 7,79%, 7,54% e 7,23%, respectivamente. "Também revisamos para cima as projeções de demanda, considerando que o consumo total avançou 7% no comparativo anual no último mês devido às temperaturas mais elevadas", dizem os analistas.

Para o segundo semestre, o BBI projeta crescimento dos volumes de "fio B" de aproximadamente 7,5% em base anual para a Equatorial, levando a expansão de cerca de 6% em 2026, e de aproximadamente 9% para a Energisa, o que implica crescimento de 7,4% no acumulado do ano. Na leitura da casa, ambas devem ser as principais beneficiárias do aumento das temperaturas provocado pelo El Niño, com possível surpresa positiva de curto prazo nos volumes vendidos.

Por outro lado, por apresentarem fluxos de caixa de maior duração, alavancagem relativa mais elevada e maior sensibilidade às taxas de juros, as ações permanecem expostas ao ambiente político e às condições macroeconômicas. O BBI também elevou as provisões para créditos de liquidação duvidosa das duas companhias, eliminando, na prática, qualquer premissa de desempenho acima do esperado a partir de 2028.

Aos preços atuais, a estimativa é que a Equatorial precifique uma taxa interna de retorno real de aproximadamente 11,5%, enquanto a Energisa deve precificar retorno real próximo de 11%. Como referência, a casa estima taxas internas de retorno reais de cerca de 12,5% para a Sabesp, 11% para a Eneva e 12% para a Axia.

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Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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