Investimentos

El Niño na SLC Agrícola (SLCE3): BTG reduz projeções, CEO vê preparo

ResumoO BTG Pactual reduziu projeções para a SLC Agrícola (SLCE3) devido ao possível retorno do El Niño. O CEO Aurélio Pavinato afirma que a empresa está mais preparada que em 2016, com avanços em irrigação e manejo para mitigar riscos climáticos na safra 2026/27.

O possível retorno do El Niño já influencia projeções para a SLC Agrícola (SLCE3). O BTG Pactual reduziu ligeiramente estimativas para a safra 2026/27, mas o CEO Aurélio Pavinato afirma que a empresa chega muito mais preparada do que em 2016, com avanços em irrigação e manejo.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 20 de julho de 2026
El Niño na SLC Agrícola (SLCE3): BTG reduz projeções, CEO vê preparo

El Niño na SLC Agrícola (SLCE3): BTG reduz projeções, CEO vê preparo

O possível retorno do El Niño já começou a influenciar as projeções para a próxima safra da SLC Agrícola (SLCE3), mas ainda está longe de representar uma certeza de quebra de produtividade. O BTG Pactual reduziu ligeiramente as estimativas para a safra 2026/27 ao incorporar um cenário mais conservador para produtividade. O CEO Aurélio Pavinato afirma que a empresa chega muito mais preparada do que em 2016, quando sofreu perdas relevantes.

BTG Pactual ajusta projeções para safra 2026/27 da SLC Agrícola

Em relatório publicado nesta segunda-feira (20), o BTG Pactual reduziu ligeiramente suas estimativas para a safra 2026/27 da SLC Agrícola. O ajuste reflete a incorporação de um cenário mais conservador para a produtividade, diante do aumento das incertezas climáticas. O banco faz questão de destacar que a redução não significa expectativa de uma safra significativamente mais fraca.

Segundo o BTG, o potencial impacto do El Niño tem sido um dos principais temas das conversas recentes com investidores. Historicamente, o fenômeno costuma provocar excesso de chuvas na Região Sul e condições mais secas em partes do Centro-Oeste e Norte do Brasil, o que pode pressionar a produtividade agrícola.

Análise histórica das safras de soja em Mato Grosso

Ao analisar as últimas 20 safras de soja em Mato Grosso, o banco identificou sete episódios de El Niño, sendo três classificados como fortes ou muito fortes. Apesar de os eventos mais intensos terem reduzido a produtividade em alguns momentos, o comportamento esteve longe de ser uniforme.

Na safra mais recente houve queda relevante dos rendimentos. Já em 2009/10, também sob um forte El Niño, a produtividade permaneceu praticamente estável. Em episódios mais moderados, a produção chegou até mesmo a aumentar.

Por isso, o BTG optou por reduzir apenas marginalmente suas projeções para a SLC Agrícola. "Esse é um dos motivos pelos quais estamos reduzindo ligeiramente nossas estimativas de produtividade para a SLC", escreveram os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttila.

CEO da SLC Agrícola: empresa mais preparada que em 2016

Do lado da companhia, o CEO Aurélio Pavinato, em entrevista ao Money Times, afirmou que a empresa chega muito mais preparada para enfrentar um eventual El Niño do que esteve durante o chamado "Super El Niño" de 2016, quando sofreu perdas relevantes de produtividade em algumas operações.

Segundo Pavinato, em 2016 muitas fazendas ainda eram áreas recém-convertidas do cerrado para a agricultura, com solos menos férteis, baixa capacidade de retenção de água e maior vulnerabilidade aos veranicos. Hoje, a realidade é outra.

Avanços em irrigação e manejo

Enquanto em 2016 a companhia possuía cerca de 4 mil hectares irrigados, a SLC está concluindo obras que elevarão essa área para aproximadamente 25 mil hectares já na próxima safra. As áreas agrícolas estão mais maduras, contam com maior fertilidade, perfil de solo mais desenvolvido, adoção consolidada do plantio direto e cobertura permanente.

Além da infraestrutura, Pavinato destaca que a companhia também acumulou experiência para enfrentar eventos climáticos extremos, aperfeiçoando o manejo das lavouras, antecipando plantios quando possível e aproveitando melhor as janelas de chuva.

Estratégia de fertilizantes reduz exposição a riscos

A SLC também aprimorou sua estratégia de manejo e aquisição de fertilizantes para reduzir a exposição tanto às oscilações climáticas quanto à volatilidade dos preços. Segundo Pavinato, a companhia passou a adotar maior flexibilidade na aplicação dos insumos.

Em vez de concentrar toda a adubação antes do plantio, parte das aplicações pode ser parcelada e realizada ao longo do ciclo da cultura. Caso as condições climáticas não sejam favoráveis, a empresa pode adiar parte da adubação, evitando gastos desnecessários e reduzindo perdas financeiras em um eventual cenário de quebra de safra.

O CEO também afirmou que a estratégia de compras segue baseada em prudência e em aproveitar oportunidades de mercado, especialmente diante da alta dos fertilizantes provocada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. A companhia conseguiu adquirir o fósforo antes da escalada do conflito, evitando a alta dos preços. O potássio foi comprado logo no início das tensões e também sofreu impacto limitado.

O único nutriente cuja aquisição permaneceu em aberto foi o nitrogenado. Nesse caso, a SLC optou por aguardar uma melhora das condições de mercado antes de fechar os contratos.

Impacto do El Niño pode não ser negativo para toda a soja

O relatório do BTG destaca que um eventual El Niño pode nem mesmo reduzir a produtividade nacional da soja, já que o aumento das chuvas na Região Sul pode compensar parte das perdas registradas em outras regiões produtoras.

Pavinato reforça essa visão: "O El Niño, por si só, não significa perda de produtividade". Segundo o executivo, em estados como Mato Grosso o excesso de chuva pode inclusive prejudicar as lavouras por reduzir a incidência de luz solar. Dessa forma, um volume menor de precipitações pode até beneficiar parte das áreas produtoras, desde que continue suficiente para atender às necessidades das culturas.

"O risco verdadeiro é um veranico prolongado", resumiu.

Perspectivas para segunda safra e commodities

Pavinato lembrou que o fertilizante nitrogenado é utilizado principalmente nas culturas de milho e algodão, enquanto a soja praticamente não depende desse insumo. Ao mesmo tempo, destacou que a valorização recente das commodities agrícolas, especialmente do algodão, ajuda a compensar parte da pressão sobre os custos de produção.

"Plantar mais milho ou algodão na segunda safra vai depender de como os preços se mantém até o momento do plantio, entre janeiro e fevereiro", afirmou o CEO.

Perguntas Frequentes

O BTG Pactual reduziu as projeções para a SLC Agrícola?

Sim, o BTG Pactual reduziu ligeiramente as estimativas para a safra 2026/27 da SLC Agrícola, incorporando um cenário mais conservador para produtividade devido ao possível retorno do El Niño.

A SLC Agrícola está mais preparada para o El Niño que em 2016?

Sim, segundo o CEO Aurélio Pavinato, a empresa está muito mais preparada, com irrigação expandida de 4 mil para 25 mil hectares e melhor manejo agrícola.

Qual o impacto histórico do El Niño na produtividade de soja?

Nas últimas 20 safras de soja em Mato Grosso, o BTG identificou sete episódios de El Niño, com impactos variados, desde quedas relevantes até produtividade estável ou aumento.

Como a SLC Agrícola está gerenciando os custos com fertilizantes?

A companhia adotou maior flexibilidade na aplicação e compras prudentes, adquirindo fósforo antes da escalada de preços e potássio no início das tensões geopolíticas.

O El Niño pode beneficiar a produção de soja?

Segundo o BTG, o aumento das chuvas na Região Sul pode compensar perdas em outras regiões, e em Mato Grosso, a redução de chuvas pode beneficiar as lavouras se for suficiente para atender às culturas.

investimentos em agronegócio análise de ações do setor agrícola

Leia também

Publicidade