Santander elege Sigma Foods e MBRF no setor de proteínas
O Santander reiterou a recomendação de compra para duas empresas de proteínas nas Américas: a mexicana Sigma Foods e a brasileira MBRF (MBRF3). Ambas são tratadas como as principais escolhas do banco em seus respectivos mercados, mas os analistas enxergam gatilhos distintos para cada ação.
A Sigma Foods é a top pick do Santander em toda a cobertura de proteínas das Américas, com preço-alvo de 24 pesos mexicanos. A companhia deve se beneficiar de custos de matérias-primas melhores que o esperado, especialmente de carne suína e de peru, além de um ambiente cambial mais favorável. Para o investidor brasileiro, o acesso se dá por corretora com conexão à Bolsa Mexicana de Valores, onde o papel é negociado sob o código SIGMAFA.
O banco projeta que a empresa supere o guidance de Ebitda de US$ 1,1 bilhão em 2026. A estimativa do Santander está 5,7% acima da meta, enquanto o consenso do mercado se encontra 4,6% acima. Mesmo com a melhora operacional, a Sigma ainda parece estar fora do radar de parte dos investidores. Segundo os analistas Guilherme Palhares, Ulises Argote e Laura Hirata, as expectativas do chamado buy-side ainda não acompanharam completamente o fortalecimento dos resultados da companhia.
A Sigma Foods é uma multinacional mexicana de alimentos, com atuação nas Américas e na Europa. Produz e distribui carnes processadas, embutidos, queijos, iogurtes e outros alimentos refrigerados e congelados, por meio de marcas como Fud, Campofrío, Bar-S e Yoplait.
Entre as empresas brasileiras, a MBRF permanece como a principal escolha do Santander, com recomendação equivalente à compra e preço-alvo de R$ 25. A visão positiva é sustentada principalmente pelo bom momento da divisão BRF, favorecida pelas exportações robustas para o Oriente Médio e pela recuperação da demanda por alimentos processados, apesar da fraqueza do consumo no mercado doméstico.
O banco também espera uma melhora sequencial dos resultados da National Beef. Em contrapartida, prevê que o ciclo pecuário desfavorável nos Estados Unidos dure mais do que o projetado anteriormente e passe a apresentar condições mais favoráveis somente em 2028. A alta dos preços dos grãos exige atenção: o milho acumula valorização de aproximadamente 15% no ano, elevando os custos das operações de aves.
Enquanto mantém MBRF e Sigma entre suas preferências, o Santander adota recomendação neutra para JBS (JBSS32), Minerva Foods (BEEF3), Tyson Foods e Pilgrim's Pride. No caso da JBS, a cautela reflete o cenário mais negativo para as proteínas nos Estados Unidos. O banco acredita que as margens da carne bovina norte-americana permanecerão abaixo do ponto de equilíbrio até 2028, enquanto a alta do milho pressiona a rentabilidade da indústria de aves.
Para a Minerva, o preço-alvo é de R$ 4,50. A suspensão das exportações brasileiras de carne bovina para a China e a expectativa de deterioração do ciclo pecuário brasileiro pesam sobre a tese. Por outro lado, uma eventual recuperação dos embarques para a Argentina e a liberação dos estoques da companhia podem ajudar os resultados no segundo semestre de 2026. Os analistas também acompanharão a alavancagem, o perfil das dívidas e as iniciativas de gestão de passivos dos frigoríficos brasileiros, diante da permanência dos juros em níveis elevados no país.