Dow Jones Futuro sobe antes da decisão sobre juros do Fed
Índices futuros dos EUA operam em alta nesta quarta (16) enquanto investidores aguardam a decisão do Federal Reserve. Mercado precifica alta de 0,25 ponto percentual, a primeira desde 2023, com inflação persistente e petróleo acima de US$ 100.
Os índices futuros dos EUA operam em alta nesta quarta-feira (16), com investidores posicionados antes da decisão sobre a taxa de juros do Federal Reserve. O mercado precifica uma alta de 0,25 ponto percentual, que seria a primeira elevação da taxa desde 2023.
A probabilidade atribuída a esse movimento supera 90%. O aperto monetário ganhou força diante da persistência da inflação e da alta dos preços do petróleo, que permanecem acima de US$ 100 por barril. O quadro pressionou os rendimentos dos Treasuries: a taxa da nota de 10 anos superou 5% e atingiu o maior nível em 19 anos.
O que mudou nas últimas horas foi o tom da Casa Branca. O presidente do Conselho de Assessores Econômicos, Christopher Phelan, disse à CNBC na terça-feira que seria um "erro" o Fed aumentar as taxas. "Na minha opinião, não faz sentido aumentar as taxas agora", afirmou Phelan, acrescentando que "os dados da inflação têm apontado na direção certa".
A fala expõe um desalinhamento entre o Executivo e a leitura de mercado. Enquanto o mercado vê chance superior a 90% de alta, a Casa Branca pressiona pela manutenção das taxas. Para quem acompanha renda fixa, o detalhe relevante não é o ruído político, e sim o que a autoridade monetária sinalizar sobre os próximos passos. O juro composto não perdoa quem ignora o guidance.
Além da decisão, investidores estarão atentos às projeções econômicas e à sinalização do Fed sobre a trajetória da política monetária.
O que se move além do Fed
Os mercados europeus operam majoritariamente em alta, com investidores de olho na decisão do Fed e em dados da região. No Reino Unido, a taxa de inflação anual saltou para 3,1% em agosto, impulsionada pela alta dos preços da gasolina e do diesel. O resultado ficou em linha com as expectativas dos economistas e marcou a primeira leitura acima de 3% desde março.
Na Ásia-Pacífico, os mercados fecharam sem direção definida nesta quarta, também à espera do Fed. As cotações do minério de ferro na China fecharam ligeiramente em alta, revertendo perdas anteriores, à medida que os investidores deslocaram o foco das perspectivas de demanda chinesa para possíveis medidas de estímulo de Pequim e cortes na produção entre algumas mineradoras de pequeno porte.
Petróleo recua com estoques
Os preços do petróleo caem após um relatório indicar que os estoques de energia dos EUA aumentaram na semana passada. O movimento contrasta com as preocupações sobre interrupções no fornecimento após um ataque apoiado pelo Irã ao oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita.
A combinação importa para a renda fixa: petróleo mais baixo alivia a pressão inflacionária de curto prazo, mas o patamar ainda acima de US$ 100 mantém o debate sobre juros em aberto. É esse equilíbrio que o Fed precisa calibrar na sinalização desta quarta.