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BBA reduz projeções para bancos e rebaixa Nubank; Bradesco é destaque

ResumoItaú BBA revisou projeções do setor bancário para 2027, rebaixou Nubank de compra para neutro e cortou o preço-alvo da fintech. Bradesco tornou-se a única grande instituição com recomendação de compra na cobertura da casa, segundo relatório divulgado pela instituição.

Itaú BBA revisou o setor bancário para 2027, rebaixou o Nubank de compra para neutro e reduziu o preço-alvo da fintech. Bradesco virou a única grande instituição com recomendação de compra na cobertura da casa.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 16 de setembro de 2026
BBA reduz projeções para bancos e rebaixa Nubank; Bradesco é destaque

O Itaú BBA revisou para baixo as projeções do setor bancário brasileiro para 2027 e rebaixou a recomendação do Nubank (BDR: ROXO34) de compra para neutra. O Bradesco (BBDC4) passou a ser o único grande banco com recomendação de compra na cobertura da casa.

A revisão veio com cortes de estimativas para a maior parte dos bancos acompanhados. A equipe de analistas afirma não ver preocupações imediatas com a qualidade de crédito, mas aponta um cenário mais cauteloso à frente: desaceleração econômica, menor estímulo fiscal e social e possíveis pressões inflacionárias ligadas à alta recente de commodities e do petróleo.

O rebaixamento do Nubank foi a mudança central do relatório. A fintech saiu de Outperform (desempenho acima da média, equivalente a compra) para Market Perform (em linha com o mercado, equivalente a neutro). O preço-alvo para o fim de 2027 caiu para US$ 18 por ação negociada na Bolsa de Nova York, ante US$ 20 antes.

Os analistas descrevem o Nubank como vencedor de longo prazo, com resultados sólidos no curto prazo, mas veem desaceleração do crescimento dos lucros em 2027. Entram na conta um consumidor brasileiro em ambiente mais desafiador, a redução de estímulos governamentais, o amadurecimento da carteira de crédito pessoal e a expansão nos Estados Unidos, que deve exigir investimentos adicionais.

Outro ponto no radar é a possibilidade de o Banco Central adotar medidas macroprudenciais voltadas a linhas de crédito de maior custo para as famílias, o que afetaria parte relevante da operação da companhia. O Itaú BBA cortou em 8% suas estimativas de lucro para 2027 e passou a trabalhar com projeções cerca de 15% abaixo do consenso de mercado.

Bradesco vira a principal escolha

Com a mudança, o Bradesco se tornou o único grande banco brasileiro com recomendação outperform na cobertura do Itaú BBA. Os analistas veem a melhor relação risco-retorno do setor, com a ação negociada a cerca de 1,1 vez valor patrimonial e 7 vezes lucro projetado para 2026.

Apesar de pequenos ajustes negativos nas projeções de lucro, a casa aponta sinais crescentes de melhora operacional no varejo e no segmento corporativo. A área de seguros, que responde por mais de 40% dos lucros do grupo, deve seguir crescendo em ritmo de dois dígitos. O preço-alvo foi mantido em R$ 22, e o mercado ainda concede pouco benefício da dúvida à instituição, o que abriria espaço para reprecificação positiva se a entrega operacional continuar evoluindo.

Banco do Brasil: mudanças limitadas e incerteza no agro

No Banco do Brasil (BBAS3), as alterações foram mais contidas. O Itaú BBA manteve projeções relativamente conservadoras para provisões, mas destacou que a principal fonte de incerteza segue sendo a carteira do agronegócio. Análises recentes do Itaú BBA, do JPMorgan e do Bradesco BBI reiteraram recomendação neutra para BBAS3.

Os analistas também chamaram atenção para a deterioração recente na inadimplência do varejo. O atraso acima de 90 dias entre pessoas físicas avançou para 8,41%, e a inadimplência em cartões de crédito atingiu 14,6%. A administração do banco trabalha com custo de risco abaixo de 5% em 2027 e perto de 3,5% no longo prazo.

Crédito não preocupa, mas riscos aumentam

O Itaú BBA argumenta que parte da piora nos indicadores agregados de crédito vem de fatores técnicos e estruturais. Entre eles, mudanças nas regras de baixa de créditos inadimplentes, que aumentaram de forma artificial os índices de atraso divulgados pelo Banco Central, e a maior participação de fintechs e bancos digitais no sistema. Como essas instituições operam com inadimplência mais alta que os grandes bancos tradicionais, a expansão de suas carteiras eleva os indicadores consolidados.

Na avaliação dos analistas, os grandes bancos privados seguem mostrando melhor comportamento de crédito que o sistema como um todo. O cenário-base continua sendo de pouso suave para a qualidade dos ativos, sem deterioração relevante no curto prazo. Ainda assim, a casa alerta que 2027 tende a ser menos favorável, com crescimento mais lento, menor suporte fiscal ao consumo e pressões inflacionárias vindas da alta de commodities.

Para quem acompanha o setor, a leitura prática é simples: a preferência do Itaú BBA migrou para nomes ligados ao mercado de capitais, como B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11) e XP (BDR: XPBR31), em detrimento dos bancos tradicionais. como ler relatórios de recomendação de ações

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