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Dólar deixou o CDI comendo poeira em 10 anos; entenda

Nos últimos 10 anos, o investidor brasileiro encontrou no CDI uma âncora de retorno: com juros de dois dígitos, títulos atrelados ao indicador entregaram ganhos expressivos. Uma aplicação a 120% do CDI acumulou 171,1% no período, multiplicando o patrimônio por cerca de 2,7 vezes. No mesmo intervalo, o Ibovespa rendeu 140,2%. Mas quem olhou para fora viu mais: o S&P 500 acumulou alta de 502,8% em reais, três vezes mais que a renda fixa local. A conclusão é direta: enquanto muitos comemoravam os juros altos, quem tinha parte do patrimônio no exterior capturou retorno muito superior.

A narrativa de que o dólar perderia espaço no sistema financeiro global ganhou força, mas os números contam outra história. Segundo dados do BTG Pactual, 85% das trocas cambiais globais são feitas em dólar, e 60% das cédulas americanas circulam fora dos EUA. No Brasil, a moeda influencia o custo de vida: commodities como café, trigo e petróleo são cotadas na divisa. Pesquisa do Centro de Estudos em Finanças da FGV (FGVcef) indica que 16% a 18% da cesta de consumo dos brasileiros sofre impacto cambial. Ou seja, mesmo quem investe só em reais está exposto ao dólar nas despesas, sem capturar os retornos da moeda.

O risco de concentrar tudo no Brasil vai além do que aparece no extrato. Nos últimos 10 anos, R$ 100 perderam 39% do poder de compra, segundo o BTG Pactual. Entre 2016 e 2025, o IPCA acumulou 64,76%, ante 39% do CPI americano. O dólar valorizou 88% contra o real na década. Juros de 14% ao ano compensam inflação alta e incerteza fiscal, mas não preservam valor. Diversificar dentro da bolsa local reduz risco setorial, porém mantém exposição total a juros, inflação e política. O Brasil representa menos de 2% da economia global, e o Ibovespa concentra-se em finanças, materiais básicos e energia, enquanto tecnologia e saúde pesam 1% e 3%, ante 31% e 10% nos EUA.

Dolarizar parte da carteira abre acesso a teses globais e protege o patrimônio. Hoje, o investidor pode começar via BDRs e ETFs na B3, mas, para proteção cambial efetiva, é preciso enviar recursos ao exterior em moeda forte. O BTG Pactual oferece conta internacional sem valor mínimo, aberta 100% digital, com câmbio instantâneo e cartão de débito. A decisão de diversificar, como o ciclo sempre vira, pode ser a diferença entre proteger ou erodir o poder de compra ao longo dos anos.

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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