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SMTO3, JALL3 e RAIZ4 disparam: os 2 motivos desta quinta (20)

ResumoSMTO3, JALL3 e RAIZ4 disparam nesta quinta-feira (20) com altas de até 8,11%. A valorização decorre do açúcar atingir máxima de 16 meses e da liberação de importações pela Índia. São Martinho, Jalles e Raízen reagem positivamente aos dois fatores, que ampliam perspectivas de demanda e preços no setor sucroenergético.

São Martinho (SMTO3), Jalles (JALL3) e Raízen (RAIZ4) sobem forte nesta quinta (20), com altas de até 8,11%. Açúcar em máxima de 16 meses e liberação de importações pela Índia explicam o movimento.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 20 de agosto de 2026
SMTO3, JALL3 e RAIZ4 disparam: os 2 motivos desta quinta (20)

As ações da São Martinho (SMTO3), Jalles (JALL3) e Raízen (RAIZ4) disparam na manhã desta quinta (20). Por volta de 12h17, os papéis subiam 6,32%, 8,11% e 4,55%, respectivamente. O movimento tem dois motores claros: a alta nos preços do açúcar e o sinal verde da Índia para importações.

O contrato do açúcar com vencimento para outubro de 2026 na ICE atingiu US$ 0,1785, maior patamar em 16 meses, desde abril de 2025. Depois de meses pressionados, os contratos futuros da commodity engataram forte recuperação nas últimas semanas, com o açúcar bruto negociado em Nova York saindo da região dos 15 centavos de dólar por libra-peso.

Além disso, a Índia autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de tarifas, confirmando rumores que ganharam força no mercado. Segundo notificação do Ministério do Comércio e Indústria do país, publicada nesta quinta-feira (20), as compras poderão ser feitas por meio de cota tarifária (TRQ) até 31 de outubro de 2026. A decisão é relevante porque a Índia, um dos maiores produtores e consumidores de açúcar do mundo, vinha há anos sem recorrer a importações relevantes. Fora a cota de 1 milhão de toneladas, o governo permitiu, sob condições, a conversão de autorizações já emitidas para o novo regime.

E mais cedo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a previsão de produção de etanol do Brasil no ciclo 2026/27 para 41,88 bilhões de litros, com expectativa de crescimento na fabricação do biocombustível de milho e de cana-de-açúcar, enquanto reduziu a estimativa para o açúcar. O novo número representa aumento de mais de 1 bilhão de litros ante a projeção de abril, com o etanol de cana contribuindo com cerca de 700 milhões de litros e o de milho com quase 500 milhões. Na comparação com o ciclo passado, o crescimento esperado é de 11,7%.

Para a safra de cana, a Conab reduziu a projeção em 2026/27 para 705,2 milhões de toneladas, ante 709,1 milhões antes. Ainda assim, isso representa aumento de 4,7% da produção nacional de cana frente à safra anterior, refletindo ganho de área colhida e melhora da produtividade média.

Para o investidor, o recado é direto: o ciclo de alta do açúcar e a abertura do mercado indiano tendem a sustentar o apetite por ações do setor, mas o cenário de etanol também ganha peso, com a Conab apontando crescimento recorde na produção. Quem acompanha o setor de perto sabe que a combinação de preço internacional firme e demanda externa nova costuma ser o gatilho mais forte para as teses de cana-de-açúcar. O ciclo, como sempre, vira para quem está posicionado antes do movimento.

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