Faraó dos Bitcoins admite manipulação de criptomoedas
O empresário Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins, admitiu em depoimentos inéditos ter manipulado o mercado de criptomoedas. Em declarações dadas em juízo, ele detalhou como atuava como uma 'baleia', investidor com capacidade de influenciar preços de ativos digitais. O caso, que envolve um esquema que teria movimentado mais de R$ 38 bilhões, pode ter deixado 77 mil vítimas.
Glaidson e sua esposa, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, são acusados de liderar uma organização criminosa que operava uma pirâmide financeira disfarçada de investimentos em criptomoedas, por meio da empresa GAS Consultoria. Em seu depoimento, o Faraó explicou como funcionava a manipulação: 'Como baleia, eu consigo manipular outras criptomoedas. Entro em contato com outras baleias e vamos falar o seguinte: você aposta na queda, alavanca 10 vezes que nós vamos derreter o preço'.
Preso desde 2021, Glaidson também é acusado de mandar matar rivais em Cabo Frio, onde a financeira era sediada. A GAS atraiu milhares de investidores prometendo lucros acima do mercado, incluindo empresas, artistas e jogadores de futebol. Na Justiça, 77 mil credores cobram quase R$ 3 bilhões em ressarcimento. Sobre a carteira de criptoativos, guardada em um cofre da Polícia Federal, ele afirmou ter dinheiro suficiente para pagar os credores, mas não revelou o valor, alegando risco à sua integridade física.
Mirelis Zerpa, que não foi presa com o marido em 2021, fugiu para os Estados Unidos, onde foi detida pela imigração e deportada. Ela nega as acusações de dividir a liderança do esquema, afirmando que sua função era estudar o mercado para multiplicar ganhos. Caso sejam condenados, o casal e mais 15 pessoas podem pegar mais de 40 anos de prisão.
A defesa de Glaidson afirma que ele é inocente e que a interrupção dos pagamentos foi fruto de ordem judicial. Os advogados de Mirelis dizem que ela não integrava a estrutura administrativa da empresa.