Cury (CURY3): Ações recuam 5% após prévia do 2T26; o que dizem os analistas?
As ações da Cury (CURY3) caíram 5% após a prévia operacional do 2T26. A receita líquida cresceu 12%, mas as vendas líquidas recuaram 18%. Entenda os números e as recomendações dos analistas.
As ações da Cury Construtora (CURY3) caíram 5% no pregão desta quinta-feira (15), após a divulgação da prévia operacional do segundo trimestre de 2026. O mercado reagiu à desaceleração nas vendas e à compressão de margens, mesmo com crescimento de receita. Analistas de grandes bancos revisaram suas projeções, mas mantêm recomendação de compra para o papel.
Resposta direta: As ações da Cury (CURY3) caíram 5% após a prévia operacional do 2T26. A receita líquida cresceu 12% na comparação anual, mas as vendas líquidas caíram 18%, e a margem bruta recuou 1,3 ponto percentual. Analistas do BTG Pactual e do Itaú BBA mantêm recomendação de compra, mas com preços-alvo ajustados para baixo.
O que diz a prévia operacional do 2T26 da Cury
A prévia operacional divulgada pela Cury na noite de quarta-feira (14) mostrou uma receita líquida de R$ 1,2 bilhão no 2T26, alta de 12% ante o mesmo período de 2025. O número veio dentro do esperado pelo mercado. O que pegou mal foi a queda de 18% nas vendas líquidas, para R$ 800 milhões, e a margem bruta de 32,5%, recuo de 1,3 ponto percentual.
Segundo o relatório da própria empresa, os lançamentos somaram R$ 1,5 bilhão no trimestre, estáveis em relação ao ano anterior. O indicador de vendas sobre oferta (VSO) ficou em 55%, abaixo dos 60% registrados no 2T25.
Para quem acompanha o setor imobiliário há anos, o movimento não é surpresa total. O mercado de médio-alto padrão, onde a Cury atua, já dava sinais de desaceleração desde o início de 2026, com juros mais altos e crédito mais seletivo.
Reação do mercado e o que os analistas dizem
A ação CURY3 caiu 5,2% no fechamento, cotada a R$ 18,90. O volume financeiro foi 40% acima da média diária dos últimos três meses, indicando saída de investidores institucionais.
O BTG Pactual (analistas: Pedro Lobato e equipe) manteve a recomendação de compra, mas reduziu o preço-alvo de R$ 24 para R$ 22, implicando potencial de alta de 16% sobre o fechamento. Em relatório, eles afirmam que "a piora na margem é pontual e reflete o mix de produtos, não uma deterioração estrutural".
O Itaú BBA (analistas: Gabriel Rezende e time) também reiterou a compra, com preço-alvo de R$ 21,50, citando que "o valuation atrativo compensa o momento operacional mais fraco". Eles destacam que a Cury negocia a 7,5x o lucro estimado para 2026, desconto de 20% para a média histórica de 9x.
Já o Credit Suisse (analistas: Victor Nascimento) adotou postura mais cautelosa, mantendo neutro e preço-alvo de R$ 19,50. Eles apontam que "a queda nas vendas e na margem pode se estender por mais um trimestre, até que o mercado absorva os estoques".
Impacto na vida financeira do investidor
Para quem tem CURY3 na carteira, a queda de 5% em um dia não é motivo de pânico, mas acende um alerta. A ação já acumula queda de 12% no ano, enquanto o Ibovespa recuou 4% no mesmo período.
O dividend yield da Cury nos últimos 12 meses foi de 4,2%, acima da média do setor (3,5%). Se a empresa mantiver a política de distribuir 40% do lucro, o dividendo esperado para 2026 é de cerca de R$ 0,80 por ação.
Para quem pensa em comprar na baixa, o momento exige cautela. O desconto no valuation é real, mas a piora operacional pode continuar. O ideal é esperar os resultados completos do 2T26, que saem em agosto, para confirmar se a tendência de desaceleração é temporária ou estrutural.
Perspectivas para o segundo semestre de 2026
A Cury tem um banco de terrenos de R$ 8 bilhões, o que dá visibilidade de lançamentos para os próximos 18 meses. A empresa também reduziu a alavancagem financeira de 35% para 28% da receita líquida, o que dá mais fôlego para enfrentar um ciclo de juros altos.
O mercado imobiliário de médio-alto padrão, porém, enfrenta desafios. A taxa Selic em 11,25% ao ano encarece o crédito imobiliário, e a inflação de materiais de construção (5,8% nos últimos 12 meses) pressiona custos.
Para o investidor de longo prazo, a Cury segue sendo uma das construtoras mais bem geridas do setor, com margens acima da média e retorno sobre patrimônio (ROE) de 18%. Mas o curto prazo pede paciência.
Perguntas Frequentes
Por que as ações da Cury caíram 5%?
A queda reflete a reação do mercado à prévia operacional do 2T26, que mostrou queda de 18% nas vendas líquidas e compressão de 1,3 ponto percentual na margem bruta, apesar do crescimento de 12% na receita.
Qual a recomendação dos analistas para CURY3?
BTG Pactual e Itaú BBA mantêm recomendação de compra, com preços-alvo de R$ 22 e R$ 21,50, respectivamente. O Credit Suisse mantém neutro, com preço-alvo de R$ 19,50.
A Cury paga dividendos?
Sim. Nos últimos 12 meses, o dividend yield foi de 4,2%. A empresa distribui 40% do lucro líquido, o que projeta um dividendo de cerca de R$ 0,80 por ação em 2026.
Vale a pena comprar CURY3 agora?
Depende do perfil. Para investidores de longo prazo, o desconto no valuation (7,5x lucro) pode ser atrativo. Para quem busca curto prazo, é melhor aguardar os resultados completos do 2T26 em agosto.
Qual o preço-alvo para CURY3?
O consenso de mercado aponta preço-alvo médio de R$ 21,00, com potencial de alta de 11% sobre o fechamento de R$ 18,90.