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Novo Ozempic em pílula: entenda a aposta da Novo Nordisk

ResumoA Novo Nordisk desenvolve uma versão em pílula diária do Ozempic, já utilizada por mais de 1,5 milhão de pessoas, para reverter a queda das ações. O CEO Mike Doustdar lidera a estratégia de expansão do comprimido oral como alternativa ao injetável. A aposta visa ampliar o acesso ao tratamento e sustentar o crescimento da farmacêutica dinamarquesa no mercado global.

A Novo Nordisk, criadora do Ozempic, aposta em comprimidos para reverter a queda das ações. Mais de 1,5 milhão de pessoas já usam a pílula diária. Entenda a estratégia do CEO Mike Doustdar.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 02 de setembro de 2026
Novo Ozempic em pílula: entenda a aposta da Novo Nordisk

A Novo Nordisk, farmacêutica dinamarquesa por trás de Ozempic e Wegovy, aposta nos comprimidos para escrever um novo capítulo. Desde janeiro, mais de 1,5 milhão de pessoas, principalmente nos Estados Unidos, começaram a usar a versão em pílula diária do medicamento para perda de peso. O lançamento foi considerado um avanço científico e um sucesso comercial.

A transformação do Wegovy, originalmente uma injeção semanal, em comprimido eficaz não impressionou os investidores. Eles olham para a expiração da principal patente americana da semaglutida, ingrediente ativo do medicamento, no início da próxima década.

As ações da companhia acumulam queda de cerca de 70% em relação ao pico de meados de 2024, quando a Novo era a empresa de capital aberto mais valiosa da Europa. O sentimento dos investidores segue frágil, mesmo após a empresa informar que as vendas e os lucros devem cair menos do que o esperado neste ano.

Mike Doustdar, CEO da Novo Nordisk desde agosto de 2025, diz que o mercado erra ao avaliar a companhia. Para ele, os investidores focam demais na rivalidade com a americana Eli Lilly e ignoram a variedade de medicamentos disponíveis ou em desenvolvimento. "Temos mais ativos do que as pessoas reconhecem", disse ao The New York Times.

Doustdar, primeiro CEO não dinamarquês da história da empresa, assumiu em meio a turbulências. O CEO anterior foi afastado pela Fundação Novo Nordisk, principal acionista. Em outubro, o presidente do conselho e todos os conselheiros independentes deixaram seus cargos. A acumulação de funções por Lars Rebien Sørensen, presidente da fundação e ex-CEO da Novo, gerou desconforto entre acionistas, incluindo o fundo soberano da Noruega.

A empresa demitiu cerca de 9 mil funcionários, na maior reestruturação corporativa da história da Dinamarca. Uma das mudanças mais visíveis foi discursiva: Doustdar passou a falar em atender "clientes", não apenas "pacientes". A Novo também reposiciona o Rybelsus, aprovado em 2019 para diabetes tipo 2, como "a pílula do Ozempic", e processou a Eli Lilly nos EUA por suposta publicidade enganosa.

A empresa segue investindo pesado nos Estados Unidos, onde emprega cerca de 10 mil pessoas e toca uma expansão de US$ 4 bilhões em Clayton, na Carolina do Norte. A dúvida é se essas mudanças convencerão os investidores. "É mais provável encontrar uma Nokia do que uma Microsoft", resumiu Randall Peterson, professor da London Business School. invista em ações de farmacêuticas

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