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JP Morgan aposta em opções de dólar no trade eleitoral

O trade eleitoral ganhou força no mercado de opções ligado ao Brasil. Nesta semana, o volume de opções de compra (call) do iShares MSCI Brazil (EWZ), ETF negociado na Bolsa de Nova York que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro, atingiu o recorde de US$ 20 bilhões. No câmbio, o JP Morgan passou a se posicionar de forma específica para capturar o movimento.

Em relatório enviado a clientes, os estrategistas Tania Jacob, Gisela Brant, Santiago Calcano e Anezka Christovova afirmam que a disputa presidencial mais acirrada abriu oportunidades no mercado de opções. A percepção dos participantes, segundo eles, migra para um cenário em que a perspectiva fiscal dificilmente se deteriorará de forma significativa no curto prazo, independentemente de quem vença.

O que mudou no posicionamento

Um indicador que mede quanto os investidores pagam por proteção contra alta do dólar em relação a uma queda da divisa no câmbio doméstico, o risk reversal, recuou ao menor nível desde 2022. Na avaliação do banco, os investidores estão menos preocupados com uma forte desvalorização do real e mais concentrados em estruturas que oferecem alavancagem para uma extensão adicional da queda do dólar. Como resultado, as puts de USD/BRL parecem excepcionalmente caras em relação ao histórico.

O acirramento da disputa também elevou a volatilidade esperada para o câmbio. A volatilidade implícita para os dois turnos passou de 65 para 70-75 pontos na última semana, enquanto as opções seguem precificando movimento de cerca de 6% no dólar ante o real ao longo do ciclo eleitoral.

A operação montada

Para capturar o movimento, o JP Morgan abriu posição com opções de dólar para três meses. A estrutura combina a compra de uma put com strike em R$ 5,00 e a venda de duas puts em R$ 4,80, no formato conhecido como ratio put spread. Na prática, busca ganhar com a queda do dólar em direção a R$ 4,80.

Os estrategistas destacam que o movimento total implícito nos preços das opções considerando os dois turnos é de aproximadamente 6%, o que coincide com o ponto em que a estrutura apresenta seu maior retorno. "Dado o ponto atual do ciclo eleitoral, acreditamos que a probabilidade de um movimento muito forte além desse nível antes do segundo turno seja relativamente limitada", dizem os analistas.

A estrutura e a tese por trás da operação serão reavaliadas após o primeiro turno das eleições, de acordo com o JP Morgan. Para quem acompanha o câmbio, o dado de referência mais recente do Banco Central mostra o dólar PTAX de venda em R$ 5,0979 em 09/09/2026, após R$ 5,0856 em 08/09/2026.

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Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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