CEO da Coinext anuncia fim da exchange e cita regulação
O CEO da Coinext, José Arthur Ribeiro, anunciou o início do encerramento das atividades da exchange de varejo, citando a nova realidade regulatória. A gestora Coinext Asset continua operando. Entenda o que muda para o mercado.
O CEO da Coinext, José Arthur Ribeiro, anunciou nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, o início do encerramento das atividades da exchange como varejo. A decisão foi comunicada em postagem no LinkedIn e atribuída à nova realidade regulatória do setor. A gestora Coinext Asset, no entanto, segue operando.
Segundo Ribeiro, a nova realidade regulatória passou a exigir uma estrutura de capital e operação diferente daquela sobre a qual a Coinext foi construída. "Nos últimos meses, buscamos intensamente alternativas para a continuidade do negócio. Infelizmente, nenhuma delas se mostrou viável dentro do tempo que tínhamos", escreveu o CEO.
A empresa, que começou suas operações em 2017, continuará com a gestora de recursos Coinext Asset. "Há muito ainda por construir. E em breve teremos novidades sobre esse próximo capítulo", diz Ribeiro.
O anúncio ocorre em um contexto de endurecimento regulatório. Em novembro do ano passado, o Banco Central publicou uma série de regras para regular o mercado de ativos digitais, que passaram a valer a partir deste ano. Ribeiro não especificou qual parte da regulação motivou a decisão, mas especula-se que possa ser a resolução nº 519 do BC, que determina como funciona o processo para obter licença para operar no mercado de criptomoedas local.
A resolução estabelece requisitos rigorosos para concessão de autorizações, cobrindo áreas como capital mínimo, governança e descrição da origem dos recursos. Em coletiva de imprensa na manhã do anúncio, o diretor de Regulação do Banco Central, Gilneu Vivan, informou que o capital mínimo para as empresas será de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões, dependendo das atividades exercidas pelas PSAVs.
Os valores são bem superiores ao esperado pelo mercado. Na consulta pública, o BC havia proposto três categorias de prestadores de serviços de ativos virtuais, com exigências distintas: R$ 1 milhão para intermediários, R$ 2 milhões para custodiantes e R$ 3 milhões para corretoras. Além disso, o BC passa a exigir sede física própria das prestadoras de serviço, sendo "vedado o uso de coworking ou escritórios virtuais (exceto entre instituições do mesmo conglomerado)".
Para quem usa exchanges, a mensagem é clara: a regulação veio para ficar, e o custo de conformidade vai separar quem consegue operar de quem não consegue. A saída da Coinext do varejo pode ser um sinal de consolidação, com empresas menores sendo absorvidas ou encerrando atividades. A Coinext Asset segue como aposta da empresa para o próximo capítulo, mas o mercado de cripto no Brasil, a partir de agora, opera sob novas regras.