Casas Bahia (BHIA3) leva enquadra da B3 para ações
A B3 enquadrou a Casas Bahia (BHIA3) para que a varejista apresente um cronograma de reenquadramento da cotação das ações. A regularização deve ocorrer até 1º de março de 2027. Desde 21 de julho, os papéis operam abaixo de R$ 1, faixa que a norma da bolsa proíbe manter por mais de um mês, as chamadas penny stocks. A regra existe para evitar volatilidade excessiva no papel.
O enquadra soma-se a um segundo front: a companhia divulgou esclarecimentos sobre notícia da Veja a respeito do IBCB-AF01 Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, o FIDC IBCB, após solicitação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A reportagem, de 14 de setembro, afirmava que a empresa havia colocado mais de R$ 1 bilhão em um fundo ligado à própria recuperação judicial.
A Casas Bahia informou que detinha, em 30 de junho de 2026, R$ 1,166 bilhão em cotas subordinadas do FIDC IBCB, equivalentes a 61,08% do patrimônio líquido do fundo. Essas cotas absorvem perdas antes das seniores, que somavam R$ 743 milhões na mesma data. A empresa destacou que não fez aportes no FIDC no primeiro semestre de 2026.
O saldo das subordinadas subiu de R$ 780 milhões em dezembro de 2025 para R$ 1,166 bilhão em junho de 2026. Segundo a companhia, o avanço de R$ 386 milhões veio do resultado das próprias cotas no período, não de novos recursos.
A varejista também separou dois valores que aparecem em documentos distintos. Os R$ 1,085 bilhão da relação de credores correspondem às obrigações perante o fundo incluídas na recuperação judicial na data do pedido. Já os R$ 1,913 bilhão são as obrigações perante o FIDC nas demonstrações financeiras individuais de 30 de junho de 2026, incluindo risco sacado e nota comercial.
A diferença de cerca de R$ 828 milhões decorre de movimentações entre as duas datas, como pagamentos e liquidações do curso normal dos negócios, além de obrigações fora do processo de recuperação. O FIDC é consolidado nas demonstrações por causa do controle e da exposição a riscos e benefícios; na consolidação, os saldos entre companhia e fundo são eliminados, permanecendo as obrigações com terceiros.
A administração afirmou que a notícia não representa fato relevante pendente, pois saldos e estrutura do fundo já constavam nas informações financeiras, assim como os dados da recuperação judicial. Os esclarecimentos buscam contextualizar o que já foi divulgado, sem nova operação ou aporte.
No pano de fundo, a Casas Bahia vive momento delicado na bolsa, em recuperação judicial. As ações saíram de um pico acima de R$ 400 em 2020 para menos de R$ 1 em 2026, período em que a empresa acumulou perdas severas e dívidas estimadas em cerca de R$ 17,3 bilhões. Para quem acompanha penny stocks, o enquadra é procedimento padrão da B3, não juízo sobre o mérito da companhia. O que muda agora é o relógio: sem reenquadramento até março de 2027, a pressão regulatória aumenta.