Investimentos

UBS BB corta Braskem para venda; ação desaba 15%

ResumoO UBS BB rebaixou a recomendação da Braskem para venda e reduziu o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 3,75, citando spreads fracos, endividamento elevado e risco de diluição. A ação da Braskem caiu 15,17% após o anúncio, refletindo a deterioração das perspectivas para a companhia petroquímica.

Analistas do UBS BB cortaram a recomendação da Braskem para venda e reduziram o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 3,75, citando spreads fracos, endividamento elevado e risco de diluição. A ação caiu 15,17%.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 16 de setembro de 2026
UBS BB corta Braskem para venda; ação desaba 15%

Analistas do UBS BB cortaram a recomendação das ações da Braskem (BRKM5) para venda, ante neutra, e reduziram o preço-alvo dos papéis de R$ 10,50 para R$ 3,75. O relatório a clientes, com data de terça-feira, afirma que não há uma "saída fácil" para a companhia.

A resposta direta ao mercado veio no pregão seguinte: as ações desabaram 15,17% na bolsa paulista, cotadas a R$ 4,53. No ano, os papéis acumulam um tombo de mais de 40%.

Segundo os analistas Tasso Vasconcellos e João Barichello, que assinam o documento, os spreads retornaram, em grande medida, às perspectivas observadas antes do conflito no Oriente Médio. Eles também destacam que os significativos aumentos de capacidade na China estão superando o crescimento da demanda projetado para 2027 e 2028, o que provavelmente manterá os spreads em níveis típicos de fundo de ciclo até uma fase mais avançada da década, com risco limitado de surpresas positivas.

O relatório reconhece que o rebaixamento chega atrasado, após a forte queda das ações nos últimos três meses e os persistentes ventos contrários relacionados aos spreads e ao processo de reestruturação. Ainda assim, os analistas mantêm a visão negativa.

O que mudou na tese

O ponto central do corte é a combinação de endividamento elevado com necessidade de reestruturação. Os analistas citam que eventuais soluções podem implicar risco relevante de diluição para os acionistas, além de elevada volatilidade durante esse processo.

Eles esperam um Ebitda pressionado e um maior consumo de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) nos próximos anos, o que poderá exigir uma solução mais abrangente para a estrutura de capital da empresa. Como avaliam que os riscos permanecem mais inclinados para o lado negativo, a recomendação é de venda.

No mês passado, a Justiça aprovou o processamento da recuperação extrajudicial da companhia e de certas controladas para reestruturar dívidas de US$ 10,9 bilhões. A decisão ratificou a suspensão, pelo prazo de 120 dias, de todas as execuções em curso contra as requerentes por credores sujeitos à recuperação extrajudicial. O prazo já considera o desconto dos 60 dias conferidos pela decisão que deferiu a tutela cautelar.

Para quem acompanha o papel, a leitura fria é que o mercado passou a precificar um cenário de capital mais complexo, não apenas um ciclo ruim de spreads. A combinação de capacidade chinesa, demanda fraca e estrutura de capital em revisão explica por que o UBS BB não vê gatilho de recuperação no curto prazo.

Leia também

Publicidade