Investimentos

Bradesco: 10º tri de alta do lucro, mas ações caem 2,22%

ResumoBradesco (BBDC4) registrou lucro recorrente de R$ 7,05 bilhões no 2º trimestre de 2026, com alta de 16% e décimo trimestre consecutivo de crescimento. Apesar do resultado positivo, a piora na qualidade de crédito provocou queda de 2,22% nas ações. O desempenho financeiro contrasta com a percepção de risco do mercado sobre a carteira de empréstimos.

O Bradesco (BBDC4) registrou no 2º tri de 2026 lucro recorrente de R$ 7,05 bilhões, alta de 16% e o 10º trimestre consecutivo de crescimento. Mas a piora na qualidade de crédito derrubou as ações em 2,22%.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 06 de agosto de 2026
Enjoei (ENJU3): B3 estende prazo para ação voltar acima de R

Bradesco: 10º tri seguido de alta do lucro, mas mercado olha qualidade e ações caem

O Bradesco (BBDC4) entregou no segundo trimestre de 2026 mais um capítulo de sua recuperação operacional. O lucro líquido recorrente somou R$ 7,05 bilhões, alta de 16% na comparação anual, o décimo trimestre consecutivo de crescimento. O retorno sobre patrimônio (ROAE) ficou em 16,2%.

Resposta direta: Os números vieram próximos ou ligeiramente acima das expectativas, mas a deterioração de indicadores de qualidade de crédito impediu uma visão unanimemente positiva. Às 10h54 (horário de Brasília), BBDC4 caía 2,22%, a R$ 17,65.

O que explica o lucro maior?

O principal destaque foi a expansão da carteira de crédito, que alcançou R$ 1,137 trilhão, crescimento de 11,6% em 12 meses, puxado pelos segmentos corporativo e de pequenas e médias empresas.

A margem financeira (NII) avançou 15,7%, somando R$ 20,9 bilhões, beneficiada por volumes maiores, spreads resilientes e forte contribuição da tesouraria. Segundo a XP, o banco segue conseguindo expandir receitas mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador.

As despesas operacionais cresceram apenas 3,4% na comparação anual, o que melhorou a eficiência. A combinação de receitas mais fortes e controle de custos reforça a percepção de que a reestruturação iniciada após a crise de crédito de 2022 segue produzindo resultados.

Os sinais de alerta na qualidade de crédito

Apesar dos avanços, o trimestre trouxe sinais mistos. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,3%. As operações classificadas como Stage 2 aumentaram de forma relevante, passando a representar 5,5% da carteira, ante 4,9% no trimestre anterior.

O índice de cobertura caiu para 152%, ante 161% no primeiro trimestre e quase 178% um ano antes. As despesas de provisão para devedores duvidosos cresceram mais de 22% em relação ao ano passado.

Foi esse ponto que dividiu as avaliações pós-balanço.

O que dizem os analistas?

A XP destacou que parte da piora foi explicada pela administração por fatores específicos, como exposições ligadas aos programas governamentais FGI/FGO e operações do Banco John Deere. Mas ponderou que o cenário para pessoas físicas e PMEs continua desafiador. A corretora acredita que a pressão tende a persistir e manteve recomendação neutra.

O Goldman Sachs classificou os números como amplamente em linha com as expectativas e elogiou a melhora da trajetória de capital, com o índice CET1 avançando para 11,3%. Ainda assim, demonstrou preocupação com a queda da cobertura em um ciclo de crédito mais desafiador. O Goldman manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 18,97 para 12 meses.

O JPMorgan adotou tom cauteloso, classificando o trimestre como "misto". Destacou a surpresa positiva na margem financeira, mas alertou para o aumento do Stage 2, a piora da inadimplência e a redução da cobertura. Na visão da instituição, o lucro veio em linha porque as provisões permaneceram controladas, mas parte dos investidores pode questionar se o nível de reservas é suficiente.

Em contraste, a Genial Investimentos foi mais otimista, vendo o trimestre como o "décimo consecutivo de recuperação". A leitura é de que o Bradesco executa com sucesso uma estratégia mais conservadora de concessão de crédito, aumentando a participação de operações com garantia.

O Morgan Stanley também ficou entre os mais otimistas. Para a instituição, o banco entregou mais um trimestre sólido, alinhado à narrativa de recuperação gradual e sustentável. Os analistas ressaltaram a melhora contínua do ROE, o forte crescimento das receitas e o avanço da capitalização. O Morgan Stanley reiterou recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para os ADRs (recibo de ações) do Bradesco, argumentando que as ações ainda negociam a múltiplos descontados.

O que isso significa para você?

Se você tem ações do Bradesco ou pensa em investir, o cenário é de recuperação, mas com riscos no radar. O lucro cresce há dez trimestres, mas a qualidade do crédito piora. A inadimplência subiu e o banco reservou menos dinheiro para calotes, o que pode pressionar resultados futuros.

Para quem busca renda variável, o momento pede cautela: os analistas estão divididos entre otimismo (Genial e Morgan Stanley) e neutralidade (XP, Goldman e JPMorgan). O preço-alvo do Goldman, de R$ 18,97, sugere potencial de alta de cerca de 7% sobre o preço atual, mas a recomendação é neutra.

Perguntas Frequentes

O Bradesco teve lucro no segundo trimestre de 2026?

Sim. O lucro líquido recorrente foi de R$ 7,05 bilhões, alta de 16% em 12 meses, o décimo trimestre consecutivo de crescimento.

Por que as ações do Bradesco caíram após o balanço?

As ações caíram 2,22% devido à piora na qualidade de crédito, com inadimplência acima de 90 dias em 4,3% e queda do índice de cobertura para 152%.

Qual é a recomendação dos analistas para BBDC4?

XP, Goldman Sachs e JPMorgan mantêm recomendação neutra. Genial e Morgan Stanley são mais otimistas, com o Morgan Stanley reiterando overweight para os ADRs.

O que é Stage 2?

Stage 2 são operações de crédito que apresentaram aumento significativo de risco desde a contratação, mas que ainda não estão inadimplentes. No Bradesco, passaram a representar 5,5% da carteira.

O que é o índice de cobertura?

É a relação entre as provisões e a carteira de crédito inadimplente. Caiu para 152%, ante 161% no trimestre anterior, indicando menor proteção contra calotes.

análise de bancos brasileiros como investir em ações de bancos impacto da inadimplência no setor financeiro

Leia também

Publicidade